Os dez melhores livros de ciência
O que escritores como Primo Levi, Brecht e Stephen Pinker têm em comum? Eles estão entre os autores dos dez mais importantes livros de ciência já publicados, de acordo com uma centenária instituição inglesa
A tabela periódica, do escritor Primo Levi, foi escolhido como o melhor livro jamais publicado sobre algum assunto relacionado à ciência. Nele, seu terceiro conjunto de ensaios, na maior parte auto-biográficos, o químico judeu que sobreviveu a Auschwitz faz referência aos elementos da tabela periódica como metáfora para falar de suas raízes familiares, sua juventude na Itália, e da série de eventos dramáticos que o levaram da resistência anti-fascista a um campo de concentração na Polônia. Primio Levi morreu em 1987, ao cair da sacada de seu apartamento, em Turin, no que acredita-se que tenha sido suicídio. Ele encabeça uma lista publicada pela Royal Institution, centenária instituição científica, na qual ironicamente consta também Konrad Lorenz, o pai da etologia. Embora depois tenha se retratado, Lorenz foi filiado ao partido nazista. Constam também entre os campeões o roteirista Tom Stoppard e o biólogo Richard Dawkins.
O critério foi tanto científico como literário, já que cientistas dos séculos 19 e 20, além de dramaturgos e roteiristas, foram aclamados. Estão na lista, por exemplo, Stephen Pinker, o contemporâneo pioneiro da ciência cognitiva, autor do polêmico Tábula Rasa, e o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, por sua peça Vida de Galileu. Está lá também Darwin (pelo relato A viagem do Beagle e não pela Origem das espécies), e o Prêmio Nobel James Watson, descobridor do DNA (A dupla hélice).
Tom Stoppard, o roteirista de Shakespeare Apaixonado (Oscar de 1998), e do clássico Brazil, do ex-Monty Python Terry Gilliam, foi indicado por Arcadia, texto ainda inédito por aqui. Na peça, que convida o leitor a viajar no tempo entre os séculos 19 e 20, um grupo de personagens representa seus respectivos dramas. Stoppard explora temas como a natureza da verdade e do tempo, as diferenças entre o temperamento romântico e o moderno, e o papel confuso que o sexo ganhou no mundo de hoje.
Outro inédito é King Solomon’s Ring do zoologista, psicólogo e ornitologista Konrad Lorenz. Nascido em Viena, criador da etologia, a ciência que estuda o comportamento animal, Lorenz tem diversos livros publicados no Brasil (mas não este). O escritor John Turney, que presidiu o evento, jusitificou a escolha da seguinte forma: "It's the most charming book ever written by a Nazi" (traduzível por “o livro mais charmoso jamais escrito por um nazista”). Lorenz era filiado ao partido, e foi recrutado para a Wermacht em 1941. Embora quisesse servir como mecânico de motocicletas, foi designado médico do exército alemão. Por isso, amargou um período nos campos de prisioneiros da ex-União Soviética. Depois, já reconhecido por seu trabalho científico, ganhou o Prêmio Nobel, e desculpou-se publicamente pela mancha na biografia.
Gene Egoísta, de Richard Dawkins, publicado em 1976, aclamado como divisor de águas nas ciências comportamentais, foi diversas vezes publicado no Brasil. Dawkins também é etologista e biólogo. Nascido em Nairobi, é radicado na Inglaterra.
Oliver Sacks, o neurologista inglês radicado em Nova York, não ficou de fora. Descendente de uma nobre linhagem de neurologistas, professor do Albert Einstein College of Medicine, escritor de raro talento que fez sucesso no Brasil com Um antropólogo em Marte, foi classificado pelo seu Com uma perna só.
Entre os dez livros, três nunca foram publicados no Brasil, e dois estão fora de catálogo, inclusive Vida de Galileu. No que diz respeito às editoras, a Companhia das Letras é a única presente com mais de um título.
A seguir, os vencedores, com as edições em português, quando disponíveis:
Primo Levi – A tabela periódica (Relume Dumará, 2001)
Konrad Lorenz – King Solomon’s Ring
Tom Stoppard – Arcadia
Richard Dawkins – Gene Egoísta (Itatiaia, 2001)
Também se classificaram:
James Watson – A dupla hélice (Gradiva, 2003)
Bertolt Brecht –Vida de Galileu (Civilização Brasileira, 1978)
Peter Medewar – Pluto’s Republic
Charles Darwin – A viagem do Beagle
Stephen Pinker – Tábula Rasa (Companhia das Letras, 2004)
Oliver Sacks – Com uma perna só (Companhia das Letras, 2002)
Claro que o valor literário contou tanto quanto o conteúdo científico. Basta lembra desta cena inicial de Vida de Galileu (leia a seguir). Nela, Brecht faz um empolgante discurso a favor das luzes, da ciência e do conhecimento, contra a escuridão e as trevas.
A tabela periódica, do escritor Primo Levi, foi escolhido como o melhor livro jamais publicado sobre algum assunto relacionado à ciência. Nele, seu terceiro conjunto de ensaios, na maior parte auto-biográficos, o químico judeu que sobreviveu a Auschwitz faz referência aos elementos da tabela periódica como metáfora para falar de suas raízes familiares, sua juventude na Itália, e da série de eventos dramáticos que o levaram da resistência anti-fascista a um campo de concentração na Polônia. Primio Levi morreu em 1987, ao cair da sacada de seu apartamento, em Turin, no que acredita-se que tenha sido suicídio. Ele encabeça uma lista publicada pela Royal Institution, centenária instituição científica, na qual ironicamente consta também Konrad Lorenz, o pai da etologia. Embora depois tenha se retratado, Lorenz foi filiado ao partido nazista. Constam também entre os campeões o roteirista Tom Stoppard e o biólogo Richard Dawkins.
O critério foi tanto científico como literário, já que cientistas dos séculos 19 e 20, além de dramaturgos e roteiristas, foram aclamados. Estão na lista, por exemplo, Stephen Pinker, o contemporâneo pioneiro da ciência cognitiva, autor do polêmico Tábula Rasa, e o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, por sua peça Vida de Galileu. Está lá também Darwin (pelo relato A viagem do Beagle e não pela Origem das espécies), e o Prêmio Nobel James Watson, descobridor do DNA (A dupla hélice).
Tom Stoppard, o roteirista de Shakespeare Apaixonado (Oscar de 1998), e do clássico Brazil, do ex-Monty Python Terry Gilliam, foi indicado por Arcadia, texto ainda inédito por aqui. Na peça, que convida o leitor a viajar no tempo entre os séculos 19 e 20, um grupo de personagens representa seus respectivos dramas. Stoppard explora temas como a natureza da verdade e do tempo, as diferenças entre o temperamento romântico e o moderno, e o papel confuso que o sexo ganhou no mundo de hoje.
Outro inédito é King Solomon’s Ring do zoologista, psicólogo e ornitologista Konrad Lorenz. Nascido em Viena, criador da etologia, a ciência que estuda o comportamento animal, Lorenz tem diversos livros publicados no Brasil (mas não este). O escritor John Turney, que presidiu o evento, jusitificou a escolha da seguinte forma: "It's the most charming book ever written by a Nazi" (traduzível por “o livro mais charmoso jamais escrito por um nazista”). Lorenz era filiado ao partido, e foi recrutado para a Wermacht em 1941. Embora quisesse servir como mecânico de motocicletas, foi designado médico do exército alemão. Por isso, amargou um período nos campos de prisioneiros da ex-União Soviética. Depois, já reconhecido por seu trabalho científico, ganhou o Prêmio Nobel, e desculpou-se publicamente pela mancha na biografia.
Gene Egoísta, de Richard Dawkins, publicado em 1976, aclamado como divisor de águas nas ciências comportamentais, foi diversas vezes publicado no Brasil. Dawkins também é etologista e biólogo. Nascido em Nairobi, é radicado na Inglaterra.
Oliver Sacks, o neurologista inglês radicado em Nova York, não ficou de fora. Descendente de uma nobre linhagem de neurologistas, professor do Albert Einstein College of Medicine, escritor de raro talento que fez sucesso no Brasil com Um antropólogo em Marte, foi classificado pelo seu Com uma perna só.
Entre os dez livros, três nunca foram publicados no Brasil, e dois estão fora de catálogo, inclusive Vida de Galileu. No que diz respeito às editoras, a Companhia das Letras é a única presente com mais de um título.
A seguir, os vencedores, com as edições em português, quando disponíveis:
Primo Levi – A tabela periódica (Relume Dumará, 2001)
Konrad Lorenz – King Solomon’s Ring
Tom Stoppard – Arcadia
Richard Dawkins – Gene Egoísta (Itatiaia, 2001)
Também se classificaram:
James Watson – A dupla hélice (Gradiva, 2003)
Bertolt Brecht –Vida de Galileu (Civilização Brasileira, 1978)
Peter Medewar – Pluto’s Republic
Charles Darwin – A viagem do Beagle
Stephen Pinker – Tábula Rasa (Companhia das Letras, 2004)
Oliver Sacks – Com uma perna só (Companhia das Letras, 2002)
Claro que o valor literário contou tanto quanto o conteúdo científico. Basta lembra desta cena inicial de Vida de Galileu (leia a seguir). Nela, Brecht faz um empolgante discurso a favor das luzes, da ciência e do conhecimento, contra a escuridão e as trevas.

