<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879</id><updated>2012-02-05T08:34:00.569-02:00</updated><title type='text'>LINGUA FRANCA</title><subtitle type='html'>Um blog de crônicas e idéias</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>66</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-219088803348062636</id><published>2011-10-09T20:48:00.002-03:00</published><updated>2011-10-09T20:48:21.741-03:00</updated><title type='text'>Conversão</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 12px;"&gt;&lt;b&gt;Eu confesso: aderi aos iMacs&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 12px;"&gt;Steve Jobs é claro foi tema de mais de uma conversa esta semana. Numa delas, com a minha amiga V&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 12px;"&gt;aléria Lira, nos perguntamos porque associamos os Macs, iMacs, iPhones e iPads a artigos de luxo. Claro, eles são caros. Mas considerando a relação custo/benefício seriam assim tão &lt;i&gt;sargados&lt;/i&gt;, como se diz em Minas?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: #edeff4; color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;Sou antigo usuário de PCs e nunca tive um Apple (até o início do ano quando comprei um iPod). Como já sofri muito com as várias versões do Windows (sou ainda do tempo do DOS...), sou daqueles capazes de configurar um PC até que ele fique tinindo. E com o Windows 7 a Microsoft finalmente conseguiu oferecer um sistema operacional decente, desde que rodando numa máquina boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só agora, depois de quase 20 anos da chamada revolução digital, os usuários &amp;nbsp;PC/Windows conseguiram um sistema minimamente satisfatório. Antes disso comemos o pão que o diabo amassou: fora as milhares de horas configurando, configurando e reconfigurando (sem contar backup e desfragmentação) passamos um tempão cuidando dessas jeringonças medonhas que tem nomes e designs pra lá de medonhos (e ficando cada vez pior). Cada coisa é feita por um fabricante diferente, e elas raramente conversam entre si. Quer dizer, acabam conversando, mas afinal de dias e dias de trabalho extenuante, configurando, configurando e configurando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os Macs, sim são caros, mas tem um design bacana, vêm prontinhos para usar (você não tem de configurar um Mac!), e vendem em lojas normais, com assistência técnica e tudo (ao invés de ter de se enfiar num quiosque na Santa Ifigênia comprando sem nota fiscal, como é o caso dos adeptos do sistema PC). A Apple criou até mesmo um modelo, o Mini, que é destinado ao consumidor que quer trocar de universo: você compra só a CPU, mantendo teclado, monitor e mouse. O preço? O de um PC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que o Steve Jobs não tinha, afinal, um ponto importante a ensinar?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-219088803348062636?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/219088803348062636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=219088803348062636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/219088803348062636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/219088803348062636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_10_01_archive.html#219088803348062636' title='Conversão'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4583218775709455089</id><published>2011-08-14T21:44:00.006-03:00</published><updated>2011-08-15T20:20:29.302-03:00</updated><title type='text'>O Fed solta mais um</title><content type='html'>&lt;b&gt;Já é o terceiro - e o mais fedido&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Do nosso correspondente econômico - Washington &lt;/b&gt;- Um forte cheiro de enxofre e um ruído característico foram ouvidos agora a noite perto da sede do Fed (o Banco Central americano), indicando que a autoridade monetária americana está soltando mais um QE. É o terceiro e o mais fedido da série lançada pelo tesouro dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fed acha que mais um QE é a única maneira de resolver o problema da economia americana, que contina entupida. "O buraco é mais embaixo", disse na semana passada um Ben Bernanke totalmente embriagado, falando a um repórter do jornal &lt;i&gt;Onion&lt;/i&gt;, que o encontrou por acaso no bar da esquina depois do expediente. "Ninguém tá entendendo porra nenhuma", teria então desabafado o presidente do Federal Reserve, tropeçando nas palavras entre uma e outra garrafa de Jack Daniels. A julgar pelo seu estado, a coisa tá preta - digo, afro-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se recorda, os Estados Unidos entraram pelo cano pela primeira vez em 2008, depois que os bancos engoliram um monte de créditos podres. O remédio foi um laxativo feroz, o que fez com que a economia americana entrasse num longo período no banheiro. "Sai daí", berrou a mãe mais de uma vez. E agora Tio Sam já fala em passar a cartola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a economia americana é tão grande, mas tão grande, gorda, balofa - alimentada a &amp;nbsp;cheeseburger, vareniks e pirogis - que qualquer pum lá já causa uma marolinha aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já com a China a questão é mais complicada. Os chineses andam comendo tofu com shoyu como nunca, aumentando a demanda pela soja brasileira. O pior é que, na nova onda de consumismo que se espalhou pelo país, os chineses pedem pra entregar a comida em casa, o que aumenta o tráfego de motos. Como vira e mexe as motos acabam se arrebentando - os chineses dirigem ainda pior que os brasileiros - a moda tem aumentado a demanda por importações de petróleo, aço, mercúrio-cromo, esparadrapo e band-aid do Brasil. Como se sabe, de motoqueiro estourado a gente entende como ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se houver uma desaceleração na China vai ser um fuzuê danado", afirmou com exclusividade a esta coluna 'seu' Bulhões de Carvalho [sic], banqueiro da Padaria do Mário, no Posto 3, conhecido ponto de jogo-do-bicho em Copacabana. "Isso é briga pra cachorro grande", completou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QE (de 'quantitative easening') é o novo eufemismo com o qual os americanos querem enganar o mundo. Trata-se de um poderoso purgante - mais forte mesmo do que iogurte com granola e papaia no café da manhã, depois de uma noitada de polpetone com fusili ao ragu no Jardim de Napoli, tudo regado com muito azeite e vinho tinto da casa. Mas segundo Ben Barnanke, seu efeito será menos intenso. "Tipo tomar um Yakult antes de ir pra cama", declarou o presidente do Fed. E capotou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4583218775709455089?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4583218775709455089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4583218775709455089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4583218775709455089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4583218775709455089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_08_01_archive.html#4583218775709455089' title='O Fed solta mais um'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4306977213203791901</id><published>2011-07-29T15:02:00.121-03:00</published><updated>2011-08-01T20:34:16.677-03:00</updated><title type='text'>O grande momento de Nafissatou Diallo</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;b&gt;N&lt;/b&gt;&lt;b&gt;osso repórter estagiário &lt;/b&gt;&lt;b&gt;levantou tudo sobre o caso Dominique Estás-em-Cana-até-soltar-a-Bufunfa. O Júnior, que acaba de fazer um curso de inglês online,&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;sentou na cadeira,&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;entrou na internet, e apurou tudo o que havia para apurar - exatamente&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;como fazem os grandes jornalistas investigativos da atualidade&lt;/b&gt;&lt;b&gt;. Salvo um ou outro erro de tradução - mais alguns de interpretação - ele não deixou pedra sobre pedra. A seguir, o seu relato&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;É noite de terça-feira em Nova York. Do alto da sua suite no 28º andar do Sofitel, Dominique Estás-em-Cana&amp;nbsp;liga para o serviço de quarto e pede uma camareira para arrumar o quarto. "Será que não dá pra mandar aquela parecida com a Camila Pitanga?", diz com ar maroto o presidente do FMI. A ligação está ruim (dizem que a culpa é da Telefónica). De qualquer forma os funcionários falam línguas e dialetos os mais diversos, mas necas de inglês ou francês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O funcionário de plantão achou que o executivo-chefe da instituição financeira mais poderosa do mundo se referia a&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo, uma afro-descendente nascida na Guiné. Como são humanos esses manda-chuvas de organizações multilaterais! Estão empre pensando no próximo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo era uma boa moça, e merecia uma mão. Digo, um empurrão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;. Gente boa. Muito boa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Quando ela entra no quarto do executivo ouve o barulho do chuveiro e vê revistas de negócios em cima da cama: &lt;i&gt;Economist&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Newsweek&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Carta Capital&lt;/i&gt;. (Tem até uma &lt;i&gt;Hustler&lt;/i&gt;&amp;nbsp;difarçada, enfiada mal e porcamente no meio de um &lt;i&gt;Financial Times&lt;/i&gt;).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo respira fundo e chega a uma conclusão: "É hoje". Imediatamente se vê transportada como num sonho para a Tiffany's da Quinta Avenida (havia assistido 'Bonequinha de luxo' na TV da copa), só que uns 50 quilos&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;mais magra, e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;sem o cabelo ruim que não há chapinha elétrica ou química que dê jeito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;De repente sai do banheiro Mister Strauss-Kahn, com um penhoir azul, todo cheirando a Rexona After Fuck. Guarda alguma coisa no bolso do paletó e conecta o iPod numa DockStation projetando pelos auto-falantes &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;'La vie en rose' n&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;a voz de Edith Piaf. &amp;nbsp;O DSK vai logo partindo pra intimidades, metendo a mão nos peitos da moça. "Peraí, merrmão", diz&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo,&lt;/span&gt;&amp;nbsp;já quase puxando o 38 que guarda junto com o material de limpeza, especialmente para essas ocasiões. O que mais doeu foi a trilha sonora: esses franceses nunca ouviram falar em Red Hot Chilli Pepper ou Brooklyn Funk Essentials? Nafissatou podia ser analfabeta, mas tinha música no sangue.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;"Mas non, madame, mais vous éte trés belle", rebate Strauss-Kahn, evidentemente viajando em alguma coisa forte. De repente ela tem uma ideia melhor: vira-se, põem a mão no bolso do avental, tira o celular, e num tom ao mesmo tempo suave e falso como uma nota de três dólares diz: "Já venho... Hã... Cherri..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Sai do quarto e liga para o namorado, atualmente cumprindo pena em uma penitenciária de segurança máxima no Arizona por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Acontece que o cara é vizinho de cela - que mundo pequeno! - do mega-magnata e&amp;nbsp;estelionatário&amp;nbsp;Ben 'Bennie' Madoff, conhecido por ter aplicado o maior esquema de pirâmide do mundo, limpando em&amp;nbsp;60 bilhões de dólares&amp;nbsp;a &lt;i&gt;creme-de-la-creme&lt;/i&gt; da elite endinheirada de Nova York.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo fala com o namorado em fulani, um dos 36 dialetos da Guiné. Esse detalhe acabaria dando &amp;nbsp;trabalho para a polícia: seu telefone neste momento já estava sendo grampeado. Desnecessário dizer que ninguém na polícia de Nova York sabe uma palavra de fulani. Na verdade eles tem dificuldade em reconhecer qualquer idioma que não seja o inglês, e não tem ideia onde fica a Guiné. Não distinguem alemão do russo! Houve algum progresso com o espanhol, depois que cerca de 40 milhões de mexicanos cruzaram o Rio Grande, alguns a nado. Mas fulani? "Já temos que ficar na cola de tudo quanto é tipo de psicopata solto neste zoológico", reagiria mais tarde em entrevista coletiva o sargento Garcia, chefe da Polícia, referindo-se a Nova York. "Agora vamos ter que aprender fulani também? Fulani é foda!". O que motivaria um protesto do diretor do Zoo do Bronx, que considerou a comparação ofensiva e politicamente incorreta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Fora do quarto&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou continua conectada com a Penitenciária do Estado do Arizona.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;"E aí mano, tá ligado? Tem um branquelo azedo aqui", diz a moça. "Podre de rico: gravata Herme, camisa Lacoste, mala Benetton. Tudo em cima. Vou pegar ele, tá ligado? Esse é o cara!" O namorado pediu tempo. Bennie Madoff parecia mais familiarizado com o chamado crime do colarinho branco. "Ela precisa uma prova, uma mancha na roupa, que nem a Monica Lewinsky fez com o Clinton", resmunga Madoff, que conhecia os pais de Monica do schvitz do Lower East Side.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Neste momento 'Bennie' estava jogando pôquer índio com os colegas de cela e nem levantou os olhos das cartas: tinha quase uma sequência máxima. Só precisava do Ás de copas que estava grudado na testa do Touro Sentado, um descendente de índios navarro que cumpria pena por ter matado um hispânico numa briga de bar. "Seus três e mais vinte", disse de sopetão, jogando um maço de Benson &amp;amp; Hedges em cima da mesa. Os outros olharam com espanto. A cena toda parecia saída de um filme do Sérgio Leone. O namoradão nem precisou explicar muito:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou entendeu rápido como funcionam as coisa na América. Só não captou a palavra "colarinho". Afinal, na Guiné as mulheres usam apenas um colar tipo artesanato solidário por cima de uma túnica. Mais simples e chique do que suas colegas americanas, cheias de bossas e babados ditados pelas revistas de moda.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;DSK agora estava imóvel na cama, parecia desanimado. Passar o dia inteiro em reuniões chatésimas não é mole. Depois de passar o dia vendo apresentação atrás de apresentação em Power Point no telão, esses exectuvios só querem saber de um banho quente. No máximo um futebolzinho na televisão. Mas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo não podia perder seu grande momento&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;, a sua oportunidade de agarrar o sonho americano. Ela l&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;iga para o serviço de quarto e pede cheesburger e morritos, não poque achasse que a combinação teria um resultado mágico nas circunstâncias, mas porque são as únicas palavras que sabe em inglês, além de 'hasta la vista, baby', pretzel, e pierogi.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Ao se voltar para DSK percebe que ele agora parece indicar alguma coisa no paletó, pendurado na cadeira.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo não entende. Continua tentando o que havia começado, mas a coisa não engrena; na verdade, ela jamais tinha visto coisa tão pequena e murcha. E ainda por cima,&amp;nbsp;circuncidado...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;Lá na Guiné não tem TV a cabo, celular, internet, essas modernidades. Em compensação, os negão lá tem cada equipamento que vou te contar... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Os nervos tremeram um tico. Ela precisava se concentrar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;DSK agora parece ensimesmado com alguma coisa. Estará ele pensando na situação do Euro? No lamentável estado da Grécia? Nas economias combalidas da Europa? No futuro da União Européia? Na dívida pública da Itália? Não, ele está matutando sobre como dizer Caverjet, o nome do remédio que estava no bolso do paletó, em fulani. Deve ser Caverjet mesmo, já que se trata de nome comercial. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Afinal, não foi para isso que ele fez o MBA em economia internacional, finanças e globalização &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;na Uniban? Lato senso! Não é a toa que Branding é a palavra da moda no mundo corporativo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo entende a mensagem e enfia a mão no bolso do paletó. Tateando, acha uma seringa e uma ampola. "Caraca, que porra é essa?", se pergunta. A coisa parecia cada vez mais um filme do Polanski.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;&amp;nbsp;f&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;ica sem saber o que fazer com aquilo. Então lembra-se da entrevista que vira no programa da Oprah com um urologista. Alguns americanos, depois dos cinquenta anos, fazem um implante, e pra levantar a coisa precisam de uma injeção. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo tem curso de enfermagem&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: inherit; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Com o olhar vidrado na ampola, ela prepara&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;&amp;nbsp;cuidadosamente a injeção. O líquido translúcido vai pingando gota a gota na seringa. A luz dos anúncios de neon e arranha-céus de Nova York filtrados pela veneziana, o ritmo&amp;nbsp;monotônico do remédio pingando na siringa: Nafissatou entra numa espécie de transe. De repente ela se vê deitada numa cadeira de sol, ao lado de uma piscina franqueada por colunas romanas. Está de óculos escuros e vê o mar lá longe, de um verde exuberante. Ela está numa casa de praia de milhões de dólares em West Egg, Long Island, ao lado da mansão dos Gatsby. O céu, as ondas, as cadeiras, as nuvens cinzentas, as crianças jogando bola, o guarda-sol, tudo lembra um quadro do Edward Hopper. Ao fundo, toca Duke Ellington. Para&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;Nafissatou Diallo&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; line-height: 18px;"&gt;, o sonho americano havia chegado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4306977213203791901?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4306977213203791901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4306977213203791901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4306977213203791901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4306977213203791901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#4306977213203791901' title='O grande momento de Nafissatou Diallo'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-3495452722813972874</id><published>2011-07-28T16:58:00.007-03:00</published><updated>2011-07-28T20:07:17.372-03:00</updated><title type='text'>O que aprender com o caso Dominique Estás-em-Cana (até-Pagar-uma-Grana-Preta-para-Dona-Nafissatou-Diallo)?</title><content type='html'>&lt;b&gt;América, terra de oportunidades&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nafissatou Diallo, uma afro-descendente analfabeta nascida na Guiné, sempre viu a coisa preta: foi vítima de violência sexual ainda na sua terra natal. Nos Estados Unidos, depois de passar pela imigração contando umas lorotas, comeu o pão que o diabo amassou: lavou latrina, morou no Bronx, comeu hamburger no White Castle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assim que viu, talvez pela primeira vez na vida, a coisa branca, ela não teve dúvida: por mais insignificante que fosse o seu tamanho, ela viu ali uma oportunidade para agarrar com as duas mãos. Vá lá, talvez apenas uma (só Madame Strauss-Estás-em-Cana no momento poderia dizer algo sobre a coisa sem a presença de um advogado). E não largou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela viu ali, naquela mísera coisa branca, e circuncisada, como numa revelação mística, o seu Mercedes conversível com chofer, seu apartamento de cobertura na quinta avenida de frente pro Central Park, seu iPhone, seu iPad, seu Wii; TV de LED 47 polegadas, home theater, iMac, Kindle 3G, bike de grafite-carbono com 21 marchas, cruzeiros em iates luxuosos no Caribe, daqueles que você fica cinco dias esturricando na piscina, cartão de crédito do Macy's, restaurantes de luxo e tudo o mais a que uma madame empreendedora tem direito. Enfim é toda uma mudança no padrão de qualidade de vida, como dizem &amp;nbsp;os especialistas em marketing do setor imobiliário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu o esforço, que não foi pouco: ela teve que sair da 'cena do crime' duas vezes pra pedir ao serviço de quarto uns morritos. Pra ver se a coisa engrenava....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus Kentucky Fried Chicken; adeus Pollo Loco; alô restaurantes caros do SoHo frequentados pelas celebridades que ainda não morreram de overdose. (Não sei o nome de nenhum; só conheço uma churrascaria de brasileiros na rua 46 que dona Nafissatou Diallo não vai querer pisar nem morta). Adeus Bronx, agora me chamo Upper East Side.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;América, land of opportunities, como dizem os americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sempre restará o grande, insondável mistério: afinal o que O DSK viu nela? Porque alegou que o sexo foi consensual se seria muito mais verossímel dizer que ele foi obrigado sob a mira de um revólver? Mistérios sutis e insondáveis da vaga alma francesa, dignas de um cineasta da Novelle Vague.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-3495452722813972874?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/3495452722813972874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=3495452722813972874&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3495452722813972874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3495452722813972874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_07_01_archive.html#3495452722813972874' title='O que aprender com o caso Dominique Estás-em-Cana (até-Pagar-uma-Grana-Preta-para-Dona-Nafissatou-Diallo)?'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-1318347798304531242</id><published>2011-06-21T20:18:00.000-03:00</published><updated>2011-06-21T20:18:06.291-03:00</updated><title type='text'>No jardim das bestas</title><content type='html'>Um livro muito interessante que acaba de sair é &lt;i&gt;In the Garden of Beasts: Love, Terror, and an American Family in Hitler's Berlin&lt;/i&gt;, do Erik Larson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sobre William Dodd, um professor da Universidade de Chicago que em 1933 se viu, um pouco por acaso, na posição de embaixador dos EUA em Berlim. Um especialista em história do sul dos Estados Unidos e democrata amigo de Roosvelt, ele recebeu com alegria a indicação imaginando que teria algum tempo livre para escrever seu livro definitivo sobre o velho sul, intitulado justamente The Old South.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Berlim entre 1933 e 1934 não era exatamente um retiro tranquilo para um embaixador. Dodd não só presenciou a Noite dos Punhais Longos, um espetáculo de violência e horror, como de certa forma protagonizou o episódio, ao lado dos embaixadores da França e da Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz parte da função de embaixador se relacionar com autoridades do governo; essa, na verdade, é sua essência. Mas o que fazer quando se percebe que o país mais desenvolvido da Europa foi tomado de assalto por um bando de frios e cruéis assassinos? Esse foi o dilema vivido pelo embaixador Dodd na de outra forma fabulosa Berlim dos anos 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um democrata jeffersoniano convicto, que a partir de 1933, e principalmente depois de 1934, se vê na situação de ter de se relacionar com gente como Hitler, Himler e Goring, Dodd é o fio condutor de uma trama que se passa no centro de Berlim, perto do parque principal da cidade (daí o título 'No jardim das bestas').&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brilho da Berlim dos anos 30, e as nuvens cada vez mais cinzentas que sopraram sobre a cidade, e depois o país, o continente até engolfar o mundo todo, é o cenário desta trama macabra, que é ainda mais inacreditável por ter sido real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-1318347798304531242?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/1318347798304531242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=1318347798304531242&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/1318347798304531242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/1318347798304531242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_06_01_archive.html#1318347798304531242' title='No jardim das bestas'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-598402049221776090</id><published>2011-03-21T12:13:00.003-03:00</published><updated>2011-03-21T18:35:08.799-03:00</updated><title type='text'>Obama no Brasil</title><content type='html'>Não sei porque tanto auê com o fato do Obama ter mandado atacar a Líbia enquanto estava visitando o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, faz parte da rotina de qualquer presidente americano mandar lançar uns misseizinhos em algum lugar do Oriente Médio, semana sim, semana não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só porque 'o cara' estava visitando o Corcovado com a mulher e as filhas, seguido de 'feijoada do Obama' em Cidade de Deus, que ele vai deixar de cumprir suas tarefas como presidente dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje em dia não é preciso mais ficar sentado no escritório, atrás do telefone, para trabalhar. Como muita gente, Obama também tem celular. O problema é que o dele não faz roaming internacional. Então, segundo ouvi de fontes murmurantes, ele foi até uma loja da TIM e tentou pegar um pós-pago, que como se sabe, é mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora de preencher a ficha, depois de pegar a senha e ficar quase uma hora na fila, a coisa enroscou na hora de preencher o CEP. "Mas como não tem CEP na sua rua moço?", perguntou Tatiana, a representante da empresa. "Moro na Casa Branca. Não tem CEP lá", respondeu Obama. "Então não vai dar, Obama", disse ela. (Elas sempre perguntam o nome da gente pro tratamento ser mais pessoal). "Porque o senhor não pega um pré-pago? Tenho um modelo muito bom da Nokia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama pegou o Nokia, que tinha, como explicou a&amp;nbsp; moça, MP3 e câmera fotográfica. "Ótimo", pensou o presidente. "Vou poder fotografar o Cristo Redentor". Mais tarde ele ligou para o general de plantão no Pentágono, e disse: "General, qual é mesmo o país árabe que vamos atacar desta vez? Estou aqui no Brasil, tomei umas caipirinhas, e não lembro bem se é Líbia, ou Líbano... Enfim, começa com L..." E o general: "Vou verificar senhor, só um minutinho..." Passou-se muito tempo porque o "sistema caiu". (Sim, até no Pentágono acontece... Não é so na Net e na Telefônica). Tanto, que acabou a carga do pré-pago. Um assessor teve de ir até uma banca de jornais na Avenida Atlântica pra comprar um cartão de recarga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi o único problema de Obama com as telecomunicações em sua visita ao Brasil. Diz que o Air Force One, quando estava descendo no Rio, sofreu intereferência de uma rádio pirata, que afinal como você sabe se ouve a Bandeirantes, é crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em pleno procedimento de aterrisagem o piloto ouviu pelo rádio do avião presidencial a seguinte transmissão: "Aqui quem fala é Mano B7, transmitindo diretamente da Favela do Socorro pra galera da geral. Alô pessoal do Alemão, F2 manda avisar que a mercadoria já chegou. E agora você fica com Zeca Pagodinho e Ivete Sangalo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-598402049221776090?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/598402049221776090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=598402049221776090&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/598402049221776090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/598402049221776090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_03_01_archive.html#598402049221776090' title='Obama no Brasil'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4580460714695986884</id><published>2011-02-13T10:14:00.000-02:00</published><updated>2011-02-13T10:14:21.203-02:00</updated><title type='text'>Haddock ou Gulnara? Personagens de Hergé são mais divertidos que os de Assange</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;No meu artigo de hoje publicado no &lt;i&gt;Aliás&lt;/i&gt;, suplemento de domingo do &lt;b&gt;Estadão&lt;/b&gt;, uma comparação entre as personagens das aventuras de Tintim, e as reveladas pelos vazamentos do WikiLeaks, de Jules Assange.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Por alguma razão, os artigos do &lt;i&gt;Aliás&lt;/i&gt; não aparecem no portal do &lt;b&gt;Estadão &lt;/b&gt;na internet (apenas na edição digital). No post seguinte, você pode ler a edição original do artigo, antes dos cortes que foram feitos por motivo de espaço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Usei para o artigo o livro &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Tintin-Complete-Companion-Michael-Farr/dp/0867197544/"&gt;Tintin - The complete companion&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Michael Farr (jornalista e tintinólogo inglês), o documentário &lt;a href="http://www.pbs.org/pov/tintinandi/"&gt;Tintin and I&lt;/a&gt;, do cineasta dinamarquês&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px;"&gt;Anders Østergaard, as edições das aventuras de Tintim da Cia. das Letras, e as minhas antigas, puídas, rasgadas e desbotadas edições em português de Portugal, lançadas no Brasil nos anos 60 pela &lt;i&gt;Flamboyant&lt;/i&gt;. &amp;nbsp;As novas edições da Cia. das Letras foram traduzidas pelo Eduardo Brandão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0qG3gYc1YuU/TVfHcR3R_1I/AAAAAAAAAcU/kYpZpLBA3M8/s1600/2011_tintim.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://1.bp.blogspot.com/-0qG3gYc1YuU/TVfHcR3R_1I/AAAAAAAAAcU/kYpZpLBA3M8/s320/2011_tintim.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4580460714695986884?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4580460714695986884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4580460714695986884&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4580460714695986884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4580460714695986884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#4580460714695986884' title='Haddock ou Gulnara? Personagens de Hergé são mais divertidos que os de Assange'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0qG3gYc1YuU/TVfHcR3R_1I/AAAAAAAAAcU/kYpZpLBA3M8/s72-c/2011_tintim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4865885933347725793</id><published>2011-02-12T20:49:00.004-02:00</published><updated>2011-02-12T22:45:40.075-02:00</updated><title type='text'>WikiLeaks como literatura? Prefiro esperar o Tintim do Spielberg</title><content type='html'>Muito do furor sobre a divulgação das mensagens reveladas pelo WikiLeaks estão relacionadas ao suposto estrago que a exposição de material altamente sigiloso poderia causar nas relações internacionais. O vice-presidente americano Joe Binden chegou a denunciar Julian Assange como um “terrorista high-tech” e não faltou quem pedisse seu indiciamento por traição, espionagem e conspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, como notou Ken Silverstein, autor de &lt;i&gt;Turkeminscam&lt;/i&gt;, um livro sobre os lobbys políticos de Washington, o material do WikiLeaks vale mais como literatura, um repertório de detalhes sobre a vida mundana dos muitas vezes patéticos personagens da política e da diplomacia. “As mensagens secretas revelam mais sobre a vaidade humana do que sobre o balanço do poder no Oriente Médio”, escreveu o jornalista, que se deu ao trabalho de ler minuciosamente os relatórios, atrás de material para seus próximos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim o material vazado pelo WikiLeaks tem muito mais potencial para aparecer numa novela de um candidato a Graham Greene ou Patricia Highsmith, do que a servir de munição para um Bin Laden cibernético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras: os personagens revelados pelo Wikileaks não tem estatura moral para encenar sequer uma aventura de Tintim, o jovem repórter das histórias em quadrinhos de Hergé que chegarão ao cinema pelas mãos de Steven Spielberg até o final do ano. Haveria entre as personagens reveladas nos telegramas sigilosos alguém a altura de Madame Castafiore, do Capitão Haddock ou do Professor Girassol? Duvido. Aláis, além da extraordinária semelhança física, Tintim e Jules Assange tem esta persistência de tentar estar sempre ao lado do bem – embora um problema universal do ser humano seja que nem sempre sabemos de que lado o bem está. As personagens de Hergé, aliás George Remis, o desenhista belga que levou Tintim muito além do mundo dos quadrinhos, estão bem acima, em caráter, humor e humanidade, do que as do WikiLeaks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tal &amp;nbsp;Gulnara Karimova, poderosa primeira filha do presidente Uzbequistão, Islom Karimov? Os vazamentos do WikiLeaks revelaram que “ela fez aparecer na mídia uma série de artigos promovendo suas virtudes”. Bem, bastaria acessar a Wikipedia, a enciclopédia pública prima do Wikileaks, para ler que a moça é uma self-promoter que se define como “ativista social, empresária, designer de moda, cantora e diplomata”. Atualmente, ela ocupa o nada desprezível cargo de Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária na Espanha. Enfim, a moça faria qualquer membro da família Sarney corar de vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se é pra saber história de clã político, com nepotismo e tudo mais, fico com o Maranhão, não preciso do WikeLeaks: deixaria de lado a vida de Gulnara Karimova (que segundo os diplomatas americanos “conseguiu se meter em praticamente todos os negócios lucrativos do país, das telecomunicações à distribuidora local da Coca-Cola"), e aguardaria os muito mais interessantes personagens das aventuras de Tintim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que Hergé nunca tenha se interessado pelo submundo político dessa terra de ninguém que parece ter caracterizado a Europa do Leste desde todo o sempre, uma zona cinzenta até mesmo pelos critérios da geografia, já que suas fronteiras costumam mudar incessantemente com o tempo e a história.&amp;nbsp;Em &lt;i&gt;O Cetro de Ottokar&lt;/i&gt;, por exemplo, o jovem repórter e seu valente e inseparável cachorro Milu salvam a Syldavia,&amp;nbsp;um &amp;nbsp;obscuro país escondido entre a Bulgária e a Hungria,&amp;nbsp;de cair nas mãos dos fascistas. Escrito antes da Segunda Guerra Mundial, a aventura antecipava a anexação da Áustria pela Alemanha nazista – só que com um final feliz. Em uma das últimas cenas, Tintim (acompanhado de Milu) é recebido em palácio, a pompa e circunstância enfatizadas pelo típico realismo dos quadrinhos de Hergé em um ambiente altamente sofisticado – e que fariam Gulnara Karimova babar de inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é esta aventura que Spielberg escolheu para iniciar sua relação com as aventuras do jovem repórter. Pelo menos não por enquanto, embora o cineasta já tenha comprado os direitos para novas incursões no mundo de Tintim, que serão também um outro marco na sua carreira: serão suas primeiras produções digitais. A primeira delas, que deve estrear em outubro, é a formidável trilogia formada por &lt;i&gt;O caranguejo das pinças de ouro, O segredo do Licorne, &lt;/i&gt;e&lt;i&gt; O tesouro de Rackham, o terrível.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Trata-se da história (originalmente distribuída em três livros) onde aparecem pela primeira vez dois personagens: o Capitão Haddock e o Professor Girassol. O primeiro, um experiente lobo do mar, com seu temperamento irascível, seu conhecimento enciclopédico de impropérios, e um problema com bebidas. Já o Professor Girassol, surdo como uma porta, tem a habilidade de guiar os amigos com sua incontestável genialidade, embora raramente entenda uma única palavra do que lhe dizem ou do que está acontecendo. O capitão e professor passariam então a fazer parte integral da família, aparecendo na maior parte das histórias de Tintim (junto com os irmãos gêmeos, os tão inseparáveis quanto incompetentes Dupont e Dupond).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As circunstâncias políticas também marcam o contexto da aventura, embora pelo negativo: com a Bélgica ocupada pelos nazistas, Hergé teve que inventar uma história que fugisse de qualquer possível referência que pudesse ser feita com a situação política da época, daí a opção por uma história na qual Tintim e seus amigos partem em busca do que seria o tesouro perdido por Sir Francis Haddock, o grande navegador e antepassado do Capitão Haddock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há neste primeiro Tintim que Spielberg escolheu para filmar nenhuma referência à política. É bom porque a questão do racismo no Tintim não passa de um mal entendido. É verdade que nas primeiras histórias o repórter revela um racismo ingênuo. &amp;nbsp;Ma na sua fase madura, em que em parte em reação as críticas, mas em parte também a sua trajetória de vida, e seu amadurecimento intelectual, Hergé se torna mais e mais um relativista, mostrando as culturas não-ocidentais sem os estereótipos racistas. As&lt;i&gt; aventuras de Tintim no país dos soviets&lt;/i&gt;&amp;nbsp;é típico da literatura anti-soviética de antes da guerra. E &lt;i&gt;Tintim no Congo&lt;/i&gt; é francamente racista e colonialista. Mas Hergé mostrou que entendeu os erros que cometeu ao longo da vida, e os corrigiu. sua obra oferece assim uma interessante aula sobre a evolução das idéais raciais. “Gosto muito do Tintim”, diz a antropóloga Lilia Schwarcz, professora da USP. “Penso que os primeiros livros, sobretudo aqueles que se passam na África são profundamente racistas. Mas eles espelham a ideologia em que Hergé vivia, e um contexto em que as teorias raciais eram ainda dominantes”. O processo de mudança operado no próprio escritor ao longo da suas aventuras, do racismo das primeiras ao politicamente correto das posteriores, é do maior interesse, diz Lilia, especialista em estudos raciais. “Ele acompanha as oscilações nas teorias do período. Vale a pena ler os livros, portanto, até como documento de época; além deles serem grande arte e diversão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As personagens de Hergé extrapolaram em muito o mundo dos quadrinho e capturaram a imaginação de jornalistas, como o tintinólogo inglês Michael Farr, autor de &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.amazon.com/Tintin-Complete-Companion-Michael-Farr/dp/0867197544/ref=sr_1_1?ie=UTF8&amp;amp;s=books&amp;amp;qid=1297557885&amp;amp;sr=8-1-spell"&gt;Tintim – The complete companion&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, a mais autorizada fonte de informações sobre o assunto, de documentaristas como o dinamarquês Anders Høgsbro Østergaard, autor de &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.pbs.org/pov/tintinandi/"&gt;Tintim and I&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, feito de uma série de entrevistas colhidas com o desenhista no início dos anos 70, e de antropólogos. Já vendeu milhões e milhões de exemplares, em dezenas de línguas. Agora, atraiu também a atenção de Steven Spielberg, uma glória que não está a altura dos personagens de Assange. Na cerimônia do Oscar do ano que vem, garanto que Tintim e seus colegas serão convidados de honra. Gulnara Karimova não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4865885933347725793?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4865885933347725793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4865885933347725793&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4865885933347725793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4865885933347725793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#4865885933347725793' title='WikiLeaks como literatura? Prefiro esperar o Tintim do Spielberg'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-6770644468775873612</id><published>2011-02-08T23:01:00.002-02:00</published><updated>2011-02-08T23:01:37.819-02:00</updated><title type='text'>Brecht e o bigode de Hitler</title><content type='html'>Pode-se dizer o que for a respeito de Bertold Brecht. Mas o homem tinha um jeito com as palavras. Mais que isso, ele enxergava coisas óbvias, mas que passam desapercebidas para a maioria dos mortais. Um exemplo célebre é sua observação sobre Hitler: &amp;nbsp;"Um bigode tão pequeno... Para uma boca tão grande..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma simples ironia, Brecht sintetiza a contradição fundamental deste sinistro personagem, sobre quem muito já foi dito. Mas jamais tão poucas palavras disseram tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personagem contraditório também foi o próprio Brecht. Alex Ross, em seu &lt;i&gt;O resto é ruído&lt;/i&gt;, conta que ele não deu crédito a algumas parcerias com Kurt Weill. E era dado a arroubos de veleidade. Conta-se que durante o período em que ficou exilado na Califórnia, escrevendo roteiros de filmes B para Hollywood, ao se identificar num hotel como Sr. Brecht, o porteiro pediu para que soletrasse o sobrenome, o que não é nada fora do comum, até mesmo porque o "echt" gutural típico do alemão não existe em inglês. "Como?", teria se exaltado o dramaturgo. "Você não sabe como se escreve meu nome? Pois saiba que ele está escrito ao lado do de Goethe e de Heine, entre os grandes nomes da literatura alemã..." Enfim, nada modesto nosso amigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-6770644468775873612?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/6770644468775873612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=6770644468775873612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/6770644468775873612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/6770644468775873612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#6770644468775873612' title='Brecht e o bigode de Hitler'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4686003787039762533</id><published>2011-02-03T18:29:00.026-02:00</published><updated>2011-02-03T19:43:18.592-02:00</updated><title type='text'>O Lada espacial e o meu</title><content type='html'>No domingo saiu um artigo que escrevi no caderno &lt;i&gt;Aliás&lt;/i&gt;, do &lt;b&gt;Estadão&lt;/b&gt;, chamado &lt;i&gt;O Lada espacial que apavorou os EUA&lt;/i&gt;. Era sobre o Sputnik. Um leitor mandou um e-mail reclamando que fui injusto com a ciência espacial soviética. O leitor tem razão. O erro, no entanto, não foi meu: provavelmente foi um exagero do editor ao bolar na pressa o título. Mesmo porque, confesso: eu tive um Lada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que o Lada fosse ruim, apenas que, vamos dizer assim, seu projeto não estava nada adaptado ao clima tropical. Na Sibéria, acredito, talvez ele tivesse se dado muito bem. Até mesmo na maior parte do território russo, onde a temperatura média é de zero graus centigrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que meu artigo tocou justamente neste nervo exposto: o aquecimento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lada era como o socialismo soviético: bom na teoria, mas não funcionava na prática. Pelo menos não na do verão paulista de 1992, quando comprei um. O presidente de então havia dito que os carros nacionais eram umas carroças velhas. Acreditei. Comprei um usado, vermelho. O carro fazia muito sucesso na época entre taxistas porque já vinha com caixa de ferramentas no porta-mala. Mal sabiam&amp;nbsp;eles&amp;nbsp;quão útil seria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo de saída foi dando problema de super-aquecimento: era a ventoinha, claro. Na Sibéria, ninguém sequer notaria. Mas no verão paulista ela fazia falta. Fui a concecionária e fui muito bem atendido, com cafezinho, tapinha nas costas e tudo mais. Enquanto isso, na oficina, os técnicos faziam uma gambiarra secreta: ao invés de substituir a ventoinha defeituosa tinham apenas parafusado uma hélice no eixo do motor. Ventoinha nova, aparentemente, só depois do próximo plano quinquenal onde anotariam: "Mandar 48.994 ventoinhas para Brasil".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro problema foi o do super-aquecimento, desta vez interno: o botão, que tinha apenas duas posições, "dacha" e "sibéria" quebrou no sibéria. Enfim, o carro aquecia por dentro, aquecia o motor, e a situação só piorava em congestionamentos. O carro fora projetado para a Sibéria onde qualquer aquecidinha é milagre de São Petersburgo. Era outro o santo. Era São Paulo. Era verão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que chamava atenção era o cheiro. Sim, um certo cheiro de peixe. Era como se, ao trazê-lo da Rússia, o carro tivesse caído do container no canal de Santos, e nunca mais tivesse sido lavado. Muito depois, lendo o relato do correspondente do &lt;i&gt;Financial Post&lt;/i&gt; no leste europeu sobre a experiência dele com Ladas e Traubas é que entendi. No início dos anos 80 tomou o poder no Perú um grupo de militares de esquerda. A União Soviética não só apoiava o regime peruano como ainda comprava sua produção de peixe. Zelosos da necessidade imperiosa da produtividade, os russos aproveitavam até os resíduos para fazer cola de farinha de peixe, e a utilizavam para a colagem de estofamento de veículos. Era daí que vinha o cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, com a abertura comercial a indústria nacional reagiu e acho que alguém chegou a dizer "carroça por carroça, fique com a nossa" de forma que troquei o Lada por um Gol. Tropicalizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo publicitário chegou a bolar um slogan, uma asinatura como tem a Nike, a Sony, e todas as grandes marcas internacionais: "It's a Lada". Não sei porque não pegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, compartilho a revolta do leitor com o título e o espirito da matéria, e venho por meio desta me penitenciar, e me denuncio a mim mesmo como um mesquinho que trocou seu heróico carro soviético pelo falso conforto burguês por uma versão pós-tropical de um carro produzido por &amp;nbsp;uma multinacional alemã. Por muito menos que isso, muita gente boa, inclusive o coronel Sergei Korolev que projetou o R-7, o foguete que colocou o Sputnik em órbita, foi parar na Sibéria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4686003787039762533?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4686003787039762533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4686003787039762533&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4686003787039762533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4686003787039762533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_02_01_archive.html#4686003787039762533' title='O Lada espacial e o meu'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-6005115789627606413</id><published>2011-01-04T09:08:00.004-02:00</published><updated>2011-01-04T10:19:54.591-02:00</updated><title type='text'>Vandré e Aracy</title><content type='html'>&lt;b&gt;Geraldo Vandré conta, pela primeira vez, que ficou&amp;nbsp;escondido&amp;nbsp;na casa de Aracy Guimarães Rosa&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista ao programa &lt;i&gt;Dossiê GloboNews&lt;/i&gt;, do jornalista Geneton Moraes Neto, o cantor e compositor contou pela primeira vez que ficou escondido na casa de Aracy Guimarães Rosa no início de 1969, depois do AI-5, quando era procurado pelos militares. O programa foi ao ar em setembro de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte desta história foi contada aqui mesmo neste blog, mas é a primeira vez que Vandré admite&amp;nbsp;publicamente&amp;nbsp;o fato. (Veja o post para saber mais sobre a história de Aracy e do seu apartamento no Arpoador, no Rio, onde Vandré ficou escondido durante um mês:&amp;nbsp;&lt;a href="http://caiotulio.blogspot.com/2008_06_01_archive.html"&gt;http://caiotulio.blogspot.com/2008_06_01_archive.html&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho da entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É verdade que você ficou escondido na casa da família Guimarães Rosa antes de ir para o exílio ?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vandré: “Eu saí de circulação. Depois que o tempo foi passando, as coisas vão ficando claras: as Forças Armadas propriamente ditas não tinham nada contra mim. Não tomaram nenhuma iniciativa contra mim. Quando fecharam o Congresso Nacional, no dia 13 de dezembro de 1968, eu estava indo para Brasília para fazer um espetáculo.Evidentemente, suspendemos o espetáculo. Vim de carro – guiando – até São Paulo. Eu estava à mão das Forças Armadas….Nunca deixei de estar. Mas claro que algo poderia acontecer: ao andar à toa pela rua, eu poderia de repente encontrar um “guardinha de trânsito” que quisesse fazer média. Há sempre alguém que quer tirar proveito de situações assim. Para evitar, saí de circulação. Durante um tempo, estive na casa de Dona Aracy (viúva de Guimarães Rosa – que tinha morrido meses antes). Fiquei lá porque, quando vinha para o Rio, como não tinha casa aqui, sempre ficava na casa de amigos e de pessoas conhecidas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A íntegra da entrevista está em:&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Verdana, Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 9.16667px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://tinyurl.com/379bnhr"&gt;http://tinyurl.com/379bnhr&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Verdana, Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 9.16667px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 0px; -webkit-border-vertical-spacing: 0px; font-family: 'Times New Roman'; font-size: small;"&gt;Veja fotos inéditas do apartamento do casal Guimarães Rosa:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Verdana, Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 9.16667px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://tinyurl.com/2e63a75"&gt;http://tinyurl.com/2e63a75&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-6005115789627606413?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/6005115789627606413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=6005115789627606413&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/6005115789627606413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/6005115789627606413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#6005115789627606413' title='Vandré e Aracy'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-2771830361544131318</id><published>2011-01-03T00:29:00.007-02:00</published><updated>2011-01-03T00:48:56.373-02:00</updated><title type='text'>Kalevaka 2011</title><content type='html'>&lt;div style="margin: 0px auto 10px; text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;Muita diversão na pousada Kalevala (sul de Minas) nesta passagem de ano&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0hXcapII/AAAAAAAAAW4/MC1NF_QDIas/s1600/DSC03044.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0hXcapII/AAAAAAAAAW4/MC1NF_QDIas/s320/DSC03044.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Kalevala, uma pousada bem diferente em Gonçalves (sul de MG) estava bem divertido nesta passagem de ano. A Rita Maria e o Carlos Kleber deram o tom musical e a companhia, como sempre, estava ótima, sem contar a hospitalidade da Mariane, da Bê, e do Rafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin: 0px auto 10px; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0hgPbDEI/AAAAAAAAAXA/k1eusABWn8c/s1600/DSC02984.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0hgPbDEI/AAAAAAAAAXA/k1eusABWn8c/s320/DSC02984.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin: 0px auto 10px; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0h42pKmI/AAAAAAAAAXI/nWNMSytiNO0/s1600/DSC02982.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0h42pKmI/AAAAAAAAAXI/nWNMSytiNO0/s320/DSC02982.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin: 0px auto 10px; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0iE-40lI/AAAAAAAAAXQ/ja5cyReB4aE/s1600/DSC02988.JPG"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0iE-40lI/AAAAAAAAAXQ/ja5cyReB4aE/s320/DSC02988.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: CENTER;"&gt;&lt;br /&gt;Veja mais fotos do Kalevala em&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Verdana, Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://tinyurl.com/28s2wgn"&gt;http://tinyurl.com/28s2wgn&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img align="middle" alt="Posted by Picasa" border="0" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" style="-moz-background-clip: initial; -moz-background-inline-policy: initial; -moz-background-origin: initial; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; border: 0px none; padding: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-2771830361544131318?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/2771830361544131318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=2771830361544131318&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/2771830361544131318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/2771830361544131318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2011_01_01_archive.html#2771830361544131318' title='Kalevaka 2011'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TSE0hXcapII/AAAAAAAAAW4/MC1NF_QDIas/s72-c/DSC03044.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-8506632143799524862</id><published>2010-12-27T17:32:00.062-02:00</published><updated>2010-12-29T15:19:35.838-02:00</updated><title type='text'>Bom Retiro, anos 80</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O visionário Vilem Flusser e um ensaio fotográfico sobre o bairro judeu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava acabando a faculdade e não sabia ainda se queria ser jornalista ou fotógrafo. Era 1981 e o grande Marcos Faerman editava o caderno de cultura da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Shalom&lt;/span&gt;, prestigiada revista judaica cuja dona e diretora era a Patricia Finzi Fingerman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma revista progressista, como se dizia na época, e em plena ditadura militar levemente de esquerda. Era independente, pacifista, e corajosa: criticou a invasão israelense do Líbano e foi a favor do movimento Paz Agora desde o início. Pagou caro por isso: fechou ainda no começo dos anos 90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A redação ficava no coração do Bom Retiro, em plena rua da Graça. O editor era o Jaime Klintowitz (hoje um dos editores-executivos da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Veja&lt;/span&gt;). Por ali passaram nomes como Alberto Dines, Gilberto Dimenstein, Caio Blinder, entre outros. O diretor de arte era o Carlos Clemen, artista argentino bem conectado, particularmente com a nata da vanguarda dos artistas argentinos exilados no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2GSRbFiI/AAAAAAAAAO0/AXnPGU6a5Y4/s1600/bomretiro001.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555460728206071330" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2GSRbFiI/AAAAAAAAAO0/AXnPGU6a5Y4/s320/bomretiro001.jpg" style="display: block; height: 221px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"O buraco da Sara": apelido com um toque do sarcasmo familiar ao humor judaico, era o restaurante mais conhecido e popular do Bom Retiro&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o Marcão, como era chamado por todos, me encomendou um ensaio fotográfico sobre o Bom Retiro para a revista. As fotos eram para ilustrar uma reportagem da Bety Malziner, outra que começou lá. O Bom Retiro da época era o Bom Retiro dos judeus. Os italianos já tinham saído fazia tempo e os coreanos ainda não tinham chegado. O bairro sempre foi de imigrantes, mas entre 1960 e 1980 tinha uma personalidade tipicamente judaica,com suas sinagogas, comércio típico, e principalmente, com seus personagens. Mostrei as fotos ao Marcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2YGDwUJI/AAAAAAAAAO8/fud-JuU8Bm0/s1600/bomretiro002b.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555461034165162130" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2YGDwUJI/AAAAAAAAAO8/fud-JuU8Bm0/s320/bomretiro002b.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 222px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;b&gt;Uma confecção de bonés na rua da Graça:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt; população tipicamente &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;urbana, os judeus se especializaram em ocupações também urbanas, pelo menos desde a Idade Média&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é nada disso, tchê", foi logo corrigindo com seu inevitável sotaque gaúcho. "Você vai ali na burekita; e no Buraco da Sara, e na loja de guarda-chuva do Seu Fulano. Ah, e não esquece da Mercearia Paris". O Marcão, com sua cabeça de escritor, já tinha fotografado mentalmente os principais personagens do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lá fui eu na minha primeira missão fotojornalística, usando a velha Laica F3 do meu pai. Depois virei jornalista, na própria &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Shalom&lt;/span&gt;, onde passei a assistente de redação. O Alberto Dines foi chamado para ser consultor e criou um conselho de redação que incluía o Antônio Cândido. Minha função, entre outras, era editar os  colunistas mensais. Um deles era o Vilem Flusser. Na época sabia apenas que era um professor tcheco que tinha fama de genial ou excêntrico. Na verdade, ela era professor de filosofia do ITA, numa período em que o departamento contava com vários pensadores de ponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só muito recentemente soube que o tal professor tcheco do ITA hoje é considerado um dos precursores da cultura digital. Tudo que hoje se filosofa sobre a famosa tecnologia da informação ela já discutia no início dos anos 80... Não havia ainda o computador pessoal. A reflexão dele era toda em torno da fotografia. Pensar sobre a idéia da informação transmitida de maneira visual (hoje diríamos digital, em pixels; na época sequer se falava disso) pra ele foi o suficiente para prever uma revolução tecnológica. Há muita coisa sobre ele na internet. Soube também que ele escrevia em quatro línguas, o que fazia diariamente para exercitar o cérebro... E que em algum momento teve  uma fábrica de transformadores (algo que parece sensato numa época em que parte das tomadas do país era 110 voltas, parte era 220; pensando bem, parece que ele tinha alguma coisa umbilical com a tecnologia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editar o Flusser talvez tenha sido premonitório: mantenho o gosto pela fotografia, e a ele se misturou o gosto pelas novas tecnologias digitais. Fotografo hoje com uma câmera digital e gosto de publicá-las no meu blog. Tenho milhares, em todos os formatos, do preto &amp;amp;amp; branco 35 milímetros acumulando poeira em alguma estante às milhares de digitais, espalhadas por cinco HDs externos. Como bem previu o Vilem Flusser, a tecnologia digital revolucionou a maneira como nos comunicamos. Entre outras coisas mudou a maneira como exibir nossas fotos. Na época, três destas fotos foram parar numa exposição no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beth Hatfutsoth&lt;/span&gt;, o museu da diáspora de Tel Aviv. Agora elas estão bem aqui, na web.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2wUGk_2I/AAAAAAAAAPM/TtaOVY18Ss8/s1600/bomretiro004.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555461450251960162" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2wUGk_2I/AAAAAAAAAPM/TtaOVY18Ss8/s320/bomretiro004.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 222px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;b&gt;Dona Sara e suas fiéis auxiliares na cozinha do restaurante que tinha um clima bastante familiar&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpE8mxevrI/AAAAAAAAAPc/Lu4PX-ZG7i4/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555828898305851058" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpE8mxevrI/AAAAAAAAAPc/Lu4PX-ZG7i4/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-1.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 252px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Numa manhã qualquer da semana, judeus fazem o serviço religioso matinal na Sinagoga da Rua da Graça&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFudbdx0I/AAAAAAAAAQc/4yTg2SCYHvs/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-9.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829754791053122" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFudbdx0I/AAAAAAAAAQc/4yTg2SCYHvs/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-9.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 196px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O pletzl, o lugar onde se trocavam idéias, notícias, informação. Uma espécie de FaceBook informal da época&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFqeN4eQI/AAAAAAAAAQU/a2d-hRyRTYM/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-8.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829686283041026" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFqeN4eQI/AAAAAAAAAQU/a2d-hRyRTYM/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-8.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 211px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vendedor de cachorro-quente da rua José Paulino&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFl0Q0S6I/AAAAAAAAAQM/3kwkWHHAEiw/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-7.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829606301584290" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFl0Q0S6I/AAAAAAAAAQM/3kwkWHHAEiw/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-7.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 202px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;A sinagoga da rua da Graça era movimentada até mesmo numa manhã de um dia normal da semana&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFfkwuhyI/AAAAAAAAAQE/gVJnKuTUPmI/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-6.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829499061241634" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFfkwuhyI/AAAAAAAAAQE/gVJnKuTUPmI/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-6.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 213px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Serviço religioso matinal&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFZQmipJI/AAAAAAAAAP8/N3cGHM-9WXA/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-5.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829390570595474" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFZQmipJI/AAAAAAAAAP8/N3cGHM-9WXA/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-5.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 210px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;O pletzl, na esquina da rua da Graça com Ribeiro de Lima&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFVUd0PcI/AAAAAAAAAP0/lDybtoNJfxo/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-4.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829322888265154" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFVUd0PcI/AAAAAAAAAP0/lDybtoNJfxo/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-4.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 222px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conversando no pletzl&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFRF-M7_I/AAAAAAAAAPs/6nBE-inTA7I/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-3.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829250278092786" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFRF-M7_I/AAAAAAAAAPs/6nBE-inTA7I/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-3.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 214px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Confecção de guarda-chuvas, negócio familiar muito comum entre judeus vindos da Europa central e do centro-leste&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFNCpToWI/AAAAAAAAAPk/LyhyGrTRF0g/s1600/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555829180665667938" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRpFNCpToWI/AAAAAAAAAPk/LyhyGrTRF0g/s320/Bom%2BRetiro%252C%2Banos%2B80-2.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 231px; margin: 0px auto 10px; text-align: left; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um cliente compra pão na &lt;/span&gt;Mercearia Paris&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, um então tracidional estabelecimento kosher na Rua da Graça&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-8506632143799524862?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/8506632143799524862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=8506632143799524862&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8506632143799524862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8506632143799524862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2010_12_01_archive.html#8506632143799524862' title='Bom Retiro, anos 80'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/TRj2GSRbFiI/AAAAAAAAAO0/AXnPGU6a5Y4/s72-c/bomretiro001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-8848501526264301624</id><published>2010-12-15T19:00:00.002-02:00</published><updated>2010-12-15T19:08:30.494-02:00</updated><title type='text'>Menino experimental</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Murilo Mendes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Publicado em originalmente em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Poliedro&lt;/span&gt;, 1965)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental come as nádegas da avó e atira os ossos ao cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental futuro inquisidor devora o livro e soletra o serrote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental não anda nas nuvens. Sabe escolher seus objetos. Adora a corda, o revólver, a tesoura, o martelo, o serrote, a torquês. Dança com eles. Conversa-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental ateia fogo ao santuário para testar a competência dos bombeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental, declarando superado o manual de 1962, corrige o professor de fenomenologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental confessa-se ateu e à toa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental é desmamado no primeiro dia. Despreza Rômulo e Remo. Acha a loba uma galinha. No oco do pré natal gritava: "Champanha, mamãe! Depressa!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental decreta a alienação de Aristóteles. Expulsa-o da sua zona, com a roupa do corpo e amordaçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental repele as propostas da prima de dezoito anos, chamando-a de bisavó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental, escondendo os pincéis do pintor, e trancando-o no vaso sanitário, obriga-o a fundar a pop art, única saída do impasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental ensina a vamp a amar. Dorme com o radar debaixo da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental, dos animais só admite o tigre e o piloto de bombardeiro. Deixa o cão mesmo feroz e o piloto civil às pulgas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental benze o relâmpago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental antefilma o acontecimento agressivo, o Apocalipse, fato do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental festeja seu terceiro aniversário convidando Jean Genet e Sofia Loren para jantar. Espetados na mesa três punhais acesos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental despede a televisão, "brinquedo para analfabetos, surdos, mudos, doentes, antinietzsches, padres podres e croulants". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino experimental atira uma granada em forma de falo na mãe de Cristovão Colombo, sepultando as Américas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-8848501526264301624?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/8848501526264301624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=8848501526264301624&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8848501526264301624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8848501526264301624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2010_12_01_archive.html#8848501526264301624' title='Menino experimental'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-5171512334841930369</id><published>2010-01-24T20:00:00.005-02:00</published><updated>2010-01-24T20:28:36.783-02:00</updated><title type='text'>Sobre o pobre B.B.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sempre achei este poema de Brecht um pouco... amargo demais. Então resolvi dar uma, como dizer, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;reformada&lt;/span&gt; nele. Ficou assim:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, B.B, venho da cidade grande.&lt;br /&gt;Minha mãe me levou para Santos&lt;br /&gt;Quando eu ainda estava na sua barriga. &lt;br /&gt;E o cheiro do Chapéu de Sol&lt;br /&gt;Me acompanhará por todas alamedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A selva de asfalto é minha casa. Decorada&lt;br /&gt;Desde cedo com todos os sacramentos:&lt;br /&gt;Jornais. A Folha. O Estado. Cigarro. E cerveja.&lt;br /&gt;Barulhenta, sufocante, atrapalhada até o limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou amigável com as pessoas. Gosto da galera.&lt;br /&gt;Dou um abraço em todo mundo. "E aí, como é que é, meu irrmão?"&lt;br /&gt;Digo a mim mesmo: são outros animais, só que de um tipo peculiar.&lt;br /&gt;E digo outra vez a mim mesmo: e daí? Por acaso também não sou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-5171512334841930369?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/5171512334841930369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=5171512334841930369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5171512334841930369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5171512334841930369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2010_01_01_archive.html#5171512334841930369' title='Sobre o pobre B.B.'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-536372291803424917</id><published>2009-11-24T20:35:00.001-02:00</published><updated>2009-11-24T20:43:39.580-02:00</updated><title type='text'>Apagão, o retorno - parte 2</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Esta marchinha, que ouvi muito quando criança, nem precisou ser adaptada para parecer atual&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio, cidade que me seduz&lt;br /&gt;de dia falta água&lt;br /&gt;de noite falta luz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-536372291803424917?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/536372291803424917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=536372291803424917&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/536372291803424917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/536372291803424917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_11_01_archive.html#536372291803424917' title='Apagão, o retorno - parte 2'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-9008465392704798887</id><published>2009-11-24T19:23:00.001-02:00</published><updated>2009-11-24T19:25:25.286-02:00</updated><title type='text'>Ahamdinejad-á, á á á á á á</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(inspirado na marchinha de Haroldo Lobo-Nássara, 1940)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahamdinejad-á, á á á á á á&lt;br /&gt;O bicho vai pegar-á, á á á á á á&lt;br /&gt;Atravessamos o deserto de Lada&lt;br /&gt;O sol estava quente&lt;br /&gt;Queimou a nossa cara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viemos do Irã&lt;br /&gt;E muitas vezes&lt;br /&gt;Nós tivemos que rezar&lt;br /&gt;Allah! allah! allah, meu bom allah!&lt;br /&gt;Mande paz pro Oriente Médio&lt;br /&gt;Mande luz pro Ahmadinejad&lt;br /&gt;Allah! meu bom allah&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-9008465392704798887?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/9008465392704798887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=9008465392704798887&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/9008465392704798887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/9008465392704798887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_11_01_archive.html#9008465392704798887' title='Ahamdinejad-á, á á á á á á'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-3957854575083637391</id><published>2009-11-11T15:19:00.005-02:00</published><updated>2009-11-11T15:24:47.081-02:00</updated><title type='text'>O Coringa de Bangú 2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SvryqZD_tYI/AAAAAAAAANQ/a6poZeBkUK0/s1600-h/joker"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 90px; height: 90px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SvryqZD_tYI/AAAAAAAAANQ/a6poZeBkUK0/s320/joker" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402897513080403330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre o boato que um perigoso marginal, um Fernandinho não-sei-das-quantas, preso na cadeia de segurança máxima de Bangu 2, é o autor do apagão. Levaram pra dentro da sua cela um dispositvo que aciona o comando da usina de Itaipu por controle remoto. Com seu novo brinquedinho na mão, qual o Coringa do último filme do Batman, ele está disposto a fazer chantagens e maldades mil, ameaçando cortar a luz em toda a cidade em troca de exigências hediondas. Ontem foi só um teste-piloto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-3957854575083637391?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/3957854575083637391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=3957854575083637391&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3957854575083637391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3957854575083637391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_11_01_archive.html#3957854575083637391' title='O Coringa de Bangú 2'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SvryqZD_tYI/AAAAAAAAANQ/a6poZeBkUK0/s72-c/joker' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-3777395882106216816</id><published>2009-11-09T19:01:00.010-02:00</published><updated>2009-11-10T13:07:50.528-02:00</updated><title type='text'>Educação com H maiúsculo</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nosso departamento de criação elaborou uma série de slogans para a nova campanha publicitária da Uniban&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SviDiR36LtI/AAAAAAAAANA/53QtgQBxrZk/s1600-h/Alexej+Jawlensky013.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SviDiR36LtI/AAAAAAAAANA/53QtgQBxrZk/s320/Alexej+Jawlensky013.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402212377967603410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Uniban ninguém pega você na saída porque a gente te pega na entrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: onde educação é uma questão de vida ou morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: educação com H maiúsculo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: libertando o que há dentro de você. O que quer que seja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: o conhecimento não tem limites. Nossos alunos também não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: onde tudo acontece. Até você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: onde você aprende até o que os livros não ensinam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: a vida como ela é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: aqui ninguém leva lição nem desaforo pra casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: onde sua vocação aparece. Qualquer que seja ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniban: Nós levamos história a sério. Aqui a Era das Cavernas é mais real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dúvidas sobre a pré-história ou a Idade Média? Venha pra Uniban. Aqui você encontra os recursos mais modernos. Visite nossos laboratórios de paleontologia. Conheça nossa coleção de ferramentas pré-históricas. Entenda as sociedades primitivas. Participe de nossas encenações hiper-realistas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-3777395882106216816?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/3777395882106216816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=3777395882106216816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3777395882106216816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3777395882106216816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_11_01_archive.html#3777395882106216816' title='Educação com H maiúsculo'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SviDiR36LtI/AAAAAAAAANA/53QtgQBxrZk/s72-c/Alexej+Jawlensky013.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4423363660402602136</id><published>2009-11-03T17:34:00.011-02:00</published><updated>2009-11-03T19:25:48.268-02:00</updated><title type='text'>Lévi-Strauss, o homem, o mito</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fiquei triste com a morte deste verdadeiro estudioso da 'música do espírito humano'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SvCMnjkl2MI/AAAAAAAAAM4/UctcptaKcj8/s1600-h/strauss.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 170px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SvCMnjkl2MI/AAAAAAAAAM4/UctcptaKcj8/s320/strauss.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399970564408727746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se foi o calor senegalês nesta tarde de terça-feira, ou o quê. Mas a notícia da morte de Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos, me pegou de jeito. "Morremos um pouco todos os dias", me vi escrevendo num email pra uma amiga, pra justificar minha tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que, me perguntava, não entendendo muito bem o meu estado de choque. Mas nesses tempos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Blog &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Facebook&lt;/span&gt; não há tempo a perder: é preciso dividir a notícia com os amigos. Me apresso, portanto, em lincar para o obituário do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;New York Times&lt;/span&gt;. Como é sabido, os obituários do diário americano são conhecidos por sua parcimônia e precisão - além de nunca dispensarem o tratamento respeitoso de Ms. Isso e Mr. Aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Times&lt;/span&gt; algumas passagens curiosas da sua vida. Durante o período em que viveu em Nova York, diz o jornal, "ele também se tornou parte do círculo de artistas e surrealistas, incluindo Max Ernst, André Breton e a futura amante de Sartre, Dolores Vanetti. Ms Vanetti [...] costumava visitar uma loja na Terceira Avenida, em Manhattan, que vendia artefatos das ilhas do Pacífico, deixando Mr Lévi-Strauss com a 'impressão de que os tesouros mais importantes da humanidade podem ser encontrados em Nova York'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler seu obituário levantou meu astral. Para os judeus, não há nada pior do que ser esquecido após a morte. Lévi-Strauss não sofrerá disso, certamente. Será lembrado por quantas gerações ainda se sucederem neste planeta que ele entendeu como ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"[A] lógica da mitologia é tão poderosa que é como se os mitos tivessem uma vida própria, independente das pessoas que os contam", escreveu ele certa vez. "Os mitos falam através da humanidade e se tornam as ferramentas para que ela chegue a um acordo com o maior dos mistérios: a possibilidade de ser não mais sendo, a própria essência da morte".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medida de seu prestígio, o mestre francês foi homenageado pelo seu centenário em nada menos do que 25 países diferentes. Como o definiu o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Le Monde&lt;/span&gt;, era um verdadeiro estudioso da música que pulsa por detrás do espírito humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4423363660402602136?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4423363660402602136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4423363660402602136&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4423363660402602136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4423363660402602136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_11_01_archive.html#4423363660402602136' title='Lévi-Strauss, o homem, o mito'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SvCMnjkl2MI/AAAAAAAAAM4/UctcptaKcj8/s72-c/strauss.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-5269768865015565699</id><published>2009-10-06T21:25:00.000-03:00</published><updated>2009-10-06T21:26:00.641-03:00</updated><title type='text'>poeminha preguiçoso</title><content type='html'>é tanta coisa pra fazer&lt;br /&gt;faço logo uma lista&lt;br /&gt;mas logo tergiverso&lt;br /&gt;tapo o sol com a peneira&lt;br /&gt;e vou empurrando com a barriga&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-5269768865015565699?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/5269768865015565699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=5269768865015565699&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5269768865015565699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5269768865015565699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_10_01_archive.html#5269768865015565699' title='poeminha preguiçoso'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-8949472793082021695</id><published>2009-07-27T12:43:00.002-03:00</published><updated>2009-07-27T12:45:56.516-03:00</updated><title type='text'>Guia global de arte</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;New York Times passa a publicar um guia com eventos artísticos no mundo todo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bom o novo guia publicado pelo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;New York Times&lt;/span&gt; com exposições, mostras e eventos artísticos no mundo todo, país por país. Acesse o guia através do endereço &lt;a href="http://events.nytimes.com/iht/artsguide/index.php"&gt;http://events.nytimes.com/iht/artsguide/index.php&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-8949472793082021695?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/8949472793082021695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=8949472793082021695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8949472793082021695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8949472793082021695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_07_01_archive.html#8949472793082021695' title='Guia global de arte'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-2610326871108535125</id><published>2009-07-15T11:44:00.011-03:00</published><updated>2009-07-15T22:59:12.280-03:00</updated><title type='text'>Curso de história da arte</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Arte e civilização: da Babilônia ao pós-moderno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/Sl6IRMeJfeI/AAAAAAAAAJ4/6pmDkALsgmU/s1600-h/egipcio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 244px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/Sl6IRMeJfeI/AAAAAAAAAJ4/6pmDkALsgmU/s320/egipcio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358870435604299234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sociedades podem ser medidas por suas produções artísticas? Este é o tema do curso de história da arte que estarei dando no fim de agosto, na Livraria da Vila. É um curso em seis aulas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os primórdios: Babilônia e o Egito antigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Filosofia, política e poder: Grécia e Roma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arte, religião, e sociedade: Idade Média e Renascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A arte e os impérios europeus: o barroco e o neoclassicismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O romantismo e a transição para a era moderna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os muitos modernismos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Livraria da Vila (Al. Lorena), de 27/8 a 1/10, quintas-feiras, das 14h às 16hs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inscrições pelo email: &lt;a href="mailto:eventos@livrariadavila.com.br"&gt;eventos@livrariadavila.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-2610326871108535125?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/2610326871108535125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=2610326871108535125&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/2610326871108535125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/2610326871108535125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_07_01_archive.html#2610326871108535125' title='Curso de história da arte'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/Sl6IRMeJfeI/AAAAAAAAAJ4/6pmDkALsgmU/s72-c/egipcio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-3028134223076694581</id><published>2009-07-06T22:41:00.003-03:00</published><updated>2009-07-06T22:48:01.179-03:00</updated><title type='text'>Museus no mundo</title><content type='html'>Alemanha&lt;br /&gt;http://www.smb.spk-berlin.de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canadá&lt;br /&gt;http://www.national.gallery.ca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.mmfa.qc.ca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;China&lt;br /&gt;http://www.chinapage.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espanha&lt;br /&gt;http://www.museoprado.mcu.es&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estados Unidos&lt;br /&gt;http://www.amnh.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.metalab.unc.edu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.metmuseum.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.tamu.edu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.artic.edu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finlândia&lt;br /&gt;http://www.nba.fi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;França&lt;br /&gt;http://www.louvre.fr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.lyon.cci.fr&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.museedelapub.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel&lt;br /&gt;http://www.imj.org.il&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Japão&lt;br /&gt;http://www.kyohaku.go.jp&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;México&lt;br /&gt;http://www.arts-history.mx&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reino Unido&lt;br /&gt;http://www.nms.ac.uk&lt;br /&gt;http://www.tate.org.uk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rússia&lt;br /&gt;http://www.hermitagemuseum.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suécia&lt;br /&gt;http://www.nationalmuseum.se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vaticano&lt;br /&gt;http://www.christusrex.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.vanmuseum.bc.ca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-3028134223076694581?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/3028134223076694581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=3028134223076694581&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3028134223076694581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/3028134223076694581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_07_01_archive.html#3028134223076694581' title='Museus no mundo'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-7225433062009228459</id><published>2009-06-20T13:56:00.003-03:00</published><updated>2009-06-20T14:04:32.171-03:00</updated><title type='text'>Faz escuro, mas...</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nos anos 80 Thiago de Mello escreveu seu mais célebre verso: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Faz escuro, mas eu canto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta naturalmente se referia a ditadura militar, aos tempos sombrios do regime militar, etc e tal. Bem, Thiago de Mello deve ter errado qualquer coisa, porque a ditadura acabou, mas a escuridão continua. Enfim, não se pode exigir dos poetas que entendam de tudo, até de política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em homengem aos célebre verso do poeta, proponho algumas atualizações, e peço ao leitor suas próprias sugestões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz frio, mas eu tomo banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo, mas a família Sarney continua saqueando o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá tendo epidemia de gripe, mas eu tomo vitamina C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lula só fala besteira, mas nem ligo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz escuro, mas eu acho o caminho para o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugestões?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-7225433062009228459?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/7225433062009228459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=7225433062009228459&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7225433062009228459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7225433062009228459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_06_01_archive.html#7225433062009228459' title='Faz escuro, mas...'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-5245416160483460180</id><published>2009-06-16T19:12:00.003-03:00</published><updated>2009-06-18T11:59:44.838-03:00</updated><title type='text'>Metamorphosis</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Em homenagem a Haroldo de Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui tudo&lt;br /&gt;comunista&lt;br /&gt;trotskista&lt;br /&gt;anarquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerrilheiro da contracultura&lt;br /&gt;liberal&lt;br /&gt;modernista&lt;br /&gt;fã do Simonal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje&lt;br /&gt;pós-tudo&lt;br /&gt;ex-tudo&lt;br /&gt;estudo&lt;br /&gt;mudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-5245416160483460180?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/5245416160483460180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=5245416160483460180&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5245416160483460180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5245416160483460180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_06_01_archive.html#5245416160483460180' title='Metamorphosis'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-8203880976377281954</id><published>2009-05-11T23:08:00.020-03:00</published><updated>2009-05-12T20:31:44.597-03:00</updated><title type='text'>De calça-curta</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Foto de soldado americano pego de cueca (uma legítima samba-canção cor-de-rosa "I love NY") corre o mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SgjcKfj8CRI/AAAAAAAAAIg/HwoO9yDmsUo/s1600-h/cueca.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SgjcKfj8CRI/AAAAAAAAAIg/HwoO9yDmsUo/s320/cueca.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334755831449389330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soldados do Primeiro Batalhão do Exército americano (26º Pelotão de Infataria) tomam posição defensiva após serem surpreendidos de calça-curta (literalmente) por fogo inimigo no Afeganistão. O soldado-especialista Zachery Boyd, a esquerda, aparece com uma graciosa cueca samba-canção cor-de-rosa (com a estampa "I love NY") ao socorrer colegas sob ataque da milícia talibã. A foto, de David Gutternfelder, da Associated Press, fez sucesso e foi uma das mais reproduzidas em todo mundo nesta segunda-feira, 11 de maio. Deu até capa da edição online do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;New York Times&lt;/span&gt;. De cueca cor-de-rosa e, presumivelmente, de tamanquinho Crocs da mesma cor, restou uma dúvida: qual é mesmo a especialidade do soldado Zachery Boyd?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-8203880976377281954?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/8203880976377281954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=8203880976377281954&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8203880976377281954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8203880976377281954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_05_01_archive.html#8203880976377281954' title='De calça-curta'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SgjcKfj8CRI/AAAAAAAAAIg/HwoO9yDmsUo/s72-c/cueca.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-960616251950112304</id><published>2009-05-07T20:25:00.010-03:00</published><updated>2009-05-07T21:06:13.903-03:00</updated><title type='text'>Questões candentes</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Açúcar ou adoçante?"&lt;br /&gt;Decido, logo existo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui na padaria comprar café e açúcar - que Dona Maria não suporta adoçante. Na hora de passar pelo caixa, o inevitável: "Crédito ou débito?" Medito. Estou em dúvida. Penso longamente, pesando cuidadosamente os prós e contras, como aliás, sugere a filosofia analítica. Assumo um ar de imperador de busto romano e proclamo solenemente: "Cogito, ergo sum". A moça do caixa parece não entender: "O que é que é, sou moço?", pergunta ela, como se eu tivesse falado algo em grego. "Penso, logo existo", me apresso em traduzir, enquanto a fila se alonga e os fregueses começam a dar mostras de impaciência. "Descartes", vou logo explicando. "Em latim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida em São Paulo não está pra quem pratica o milenar exercício da dúvida. "Vai querer nota fiscal paulista?", insiste a moça. Não sei. Será? Tenho minhas dúvidas. Vejamos... "Não sei", respondo socraticamente. "Só sei que nada sei", digo com ar filosofal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A fila aumenta. "Lugar de filosofia é na Grécia", diz um engraçadinho lá atrás, se aproveitando covardemente do anonimato. Resolvo dar um tempo. "Vou fazer um lanche ali no balcão, depois eu passo", explico para alívio de todos. "Assim é melhor, não é?", pergunto. "Com certeza", diz ela. Curioso: nunca houve tanta gente com tanta certeza, justamente num momento em que a filosofia, a física quântica e a psicanálise garantem que não há mais certezas neste mundo de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como está o peito de perú?", pergunto para o meu chapa da padaria. "Tá saindo bem, patrão". Será? Peito de perú e queijo branco? No pão francês? "Pode ser no pão de forma?", pergunto, já introduzindo, sorrateiramente, a dúvida, o desvio da norma, a subversão do padrão. "Sai um mineiro na chapa com peito de perú aqui pro meu amigo". Isso é prestígio. "E suco de abacaxi batido com hortelã e pouco gelo". Bom é ter tanta opção. Mas a escolha sempre traz em si a questão existencial da opção, da dúvida. Penso em Sartre. Lembro que no fim da vida ele sofreu de incontinência urinária. Justo alguém para quem a vida era era a arte de escolher. Sartre não podia mais decidir nem o "mijar ou não mijar?", esta dúvida existencial atávica, talvez a mais antiga da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro um amigo que perdeu todo dinheiro na bolsa e agora passa os dias na padaria discutindo futebol com o pessoal da chapa. "Como é que é?", digo a título de bom dia. "Vamos levando", diz ele sem muito entusiasmo. "Parece que a coisa vai melhorar", digo. "Será? Sei não. Desde que o Ben Madoff foi pego com a mão na botija...", afirma ele, reticente. "A gente não pode acreditar mais em ninguém..." Ele, pelo jeito, continua cheios de dúvidas. O que me leva a meditar sobre a crise econômica. E a China? E a gripe suína? Mas, divago. Do outro lado do balcão alguém me traz de volta à Terra e às questões mais candentes do nosso quotidiano. É seu Valmir, o palmeirense da chapa: "Açúcar ou adoçante?", pergunta ele. "Açúcar", afirmo depois de uma pequena titubeada inicial. Decido, logo existo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-960616251950112304?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/960616251950112304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=960616251950112304&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/960616251950112304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/960616251950112304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_05_01_archive.html#960616251950112304' title='Questões candentes'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4840541490583493366</id><published>2009-04-22T17:16:00.025-03:00</published><updated>2009-04-22T20:13:10.361-03:00</updated><title type='text'>Que horas são?</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ainda às voltas com a minha &lt;span style="font-style:italic;"&gt;to-do-list&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando do feriado, fiz nova &lt;span style="font-style:italic;"&gt;to-do-list&lt;/span&gt;. 64 itens! Cansativo. Fui dormir, exausto. Hoje acordei cedo, mas não achei a lista. Fiquei lendo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O resto é ruído&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço encontrei a lista. Mas então perdi os óculos... Achei aquele CD do Paulo Moura, re-edição do vinil, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Confusão urbana, suburbana e rural&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei o óculos e a lista. Procuro nos meus MP3 aquela gravação da Cultura FM com o concerto para piano do Ginastera, aquele que o Keith Emerson, do Emerson, Lake &amp; Palmer gravou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que horas são?", pergunto retoricamente: já se foram os bons tempos em que era possível perder a hora. "11:33", berram, em uníssono, o Microondas, o relógio do Windows, a TV, o DVD e o rádio de pilha. Na casa da minha tia tinha um relógio grandão, de pêndulo, enorme, parecia um armário. Fazia um barulhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou na Dengosa pegar meia-dúzia de pão francês e um litro de leite. "Só sei que nada sei", respondo socraticamente ao inevitável "Crédito ou débito? Vai querer nota fiscal paulista?" emitido monotonamente pela moça do caixa. Não se respeita mais nem a dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto pra casa. Converso com a senhora do 1701. É mesmo, esfriou. Olho pela janela. Medito. Divago. Procuro uma citação perdida na memória. Borges. "Se apaixonar é entrar para a religião de um Deus falível". Porque eu não pensei nisso antes? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxa, 5 e 48? Já? Perdi a hora... Checo os emails. Apago os inúteis, maioria. Não me dei conta do passar das horas ouvindo Piazzolla. (Sim, percebi, minha alma anda meio portenha). Baixei o Piazzolla da rede. Queria baixar mais mas esqueci a senha. Tento recuperar através da pergunta. "De qual filósofo o Papa falou mal recentemente?" Bico. Aliás, uma merda este Vista. Melhor re-instalar o XP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revejo a lista. Me dou conta que escrevi com aquela Lammy deliciosa que ganhei de presente da Bia. Adoro caneta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, por onde ondará a Vera, irmã da Bia, linda, meiga e doce, com aqueles olhos verdes marítimos, oceânicos? Tem recado piscando na secretária. Aposto que é a Beth, secretária do Dr. Nelson, confirmando a consulta amanhã. E se eu não for? Invento uma desculpa qualquer depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou uma entrada na internet. Faço um chá de jasmin. Vejo as notícias. O cara da loja de automóveis ligou. O documento tem que ser autenticado. Passo no cartório amanhã. É no caminho do Dr. Nelson. Dona Maria pediu pra passar no super, comprar mais Cândida. Haja Cândida, Dona Maria! A lista ficou desatualizada. Melhor começar outra. Mañana, mañana. Não sou homem de ficar adiando indefinidamente as coisas. Mais ô coisa besta que é reconhecer firma de documento! O Fernando Henrique não falou que ia acabar? Falou ou não falou? Não lembro mais. Amanhã vejo isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4840541490583493366?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4840541490583493366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4840541490583493366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4840541490583493366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4840541490583493366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_04_01_archive.html#4840541490583493366' title='Que horas são?'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-4800362208892360531</id><published>2009-03-24T16:14:00.039-03:00</published><updated>2009-03-29T14:57:49.470-03:00</updated><title type='text'>O homem é o homem mais as circunstâncias. E mais o seu blog...</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Algumas reflexões sobre um tema de Ortega y Gasset&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais atual nestes tempos pós-modernos do que a máxima do grande filósofo espanhol José Ortega y Gasset: 'O homem é o homem mais as circunstâncias'. Para Ortega y Gasset as coisas não existem sem mim e eu não existo sem elas. Não, nada a ver com o celular, o iPod e a TV de LCD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se referia mais as circunstâncias históricas. E vale lembrar que no tempo dele, o já distante início do século 20, as circunstâncias históricas ainda tinham uma conotação local, nacional, ou no máximo continental: a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa, a Guerra Civil Espanhola, e assim por diante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de lá pra cá as circunstâncias tem ganho um caráter cada vez mais global. O homem, hoje, é o homem e a crise econômica mundial; o homem é o homem e mais o meio ambiente global; o homem e a instabilidade política em um mundo, onde como dizem os sociólogos, há um déficit crescente de governabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, se o homem é o homem e mais o que está em torno dele, como fica sua identidade em um mundo em que fronteiras e cenários estão em movimento? A resposta é fácil: desse jeito não há identidade que fique de pé por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, comecei estas mal traçadas só porque a Carla, irmã da minha amiga Paola, aludiu ao filósofo espanhol em seu blog &lt;a href="http://carlaespo.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Carlota Joaquina&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Diz ela: 'Eu sou eu mais as minhas circunstâncias'. Foi quando a Paola mandou um email cobrando que eu não tinha atualizado o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;meu&lt;/span&gt; blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então caiu a ficha: o homem é o homem. Mais as circunstâncias. E mais o seu blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não satisfeito, testei algumas variações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torcida do Flamengo é a torcida do Flamengo mais as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais o homem menos o homem mais duas vezes as circunstâncias menos as circunstâncias. (Einstein)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é... The answer, my friend, is blowing in the wind. (Eduardo Suplicy)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem e mais suas fantasias, sonhos, neuroses. (Freud)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais o capital. (Karl Marx)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais sua coleção de vinis raros. (Ed Motta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem. (Mais dez por cento por baixo do pano). (Marcos Valério)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais as armas de destruição em massa, menos dois sapatos. (George W. Bush)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais a orquestra. (A não ser que o governador pense diferente) (Maestro John Neschling)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais a batuta. (Maestro Jan Paul Tortelier)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem. Logo, existe. (Descartes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem. Ponto. (Brecht)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem, mais a prefeitura, o governo do Estado e a presidência da República. (José Serra)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem e mais uma diretoria no Senado. (José Sarney)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem. Mas também poderia ser a mulher. (Roberta Close)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem. E eu sou apenas uma mulher. (Maria Bethânia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é uma besta. Não importam as circunstâncias. (Paulo Francis)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais as suas escolhas. (Sartre)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais o seu barato. (Tim Maia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais o seu banco. (Barão de Rotschild)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o homem mais o rabo do macaco. (Darwin)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ladrão é o homem mais as circunstâncias menos o homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-4800362208892360531?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/4800362208892360531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=4800362208892360531&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4800362208892360531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/4800362208892360531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2009_03_01_archive.html#4800362208892360531' title='O homem é o homem mais as circunstâncias. E mais o seu blog...'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-8548362661713126110</id><published>2008-10-10T15:47:00.037-03:00</published><updated>2008-10-12T21:03:59.465-03:00</updated><title type='text'>Uma tarde no museu</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Repaginado, o acervo do Masp ganha vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255598970828538450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: left" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SO-jayokwlI/AAAAAAAAADo/x1Ns7803aQ0/s320/chagall.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao Masp uma tarde dessas, a convite do Gilson Pedro, que dá aulas de história da arte ali, &lt;em&gt;in loco&lt;/em&gt;, desde os anos 70, e que conhece o assunto como ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava mostrando a um grupo de alunos a nova organização: agora os Rafael, Rembrandt, Manet, Van Gogh, Modiglianis e outros tesouros do museu estão agrupados por temas. Além disso nada menos do que um Picasso (e mais de um Matisse) foram encontradas na reserva técnica - e integrados à exibição permanente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Masp ganhou vida com a repaginação. Por outro lado, as suas instalações nunca pareceram tão depauperadas. Em um dos piores momentos da sua história, o museu não tem sequer um catálogo impresso - sem falar em um site minimamente decente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais curioso ainda é notar as mudanças urbanas no entorno do museu. Hoje a região abriga os tais 'promocenter', onde nada é legítimo: entre meia dúzia de mini-shoppings onde se vende tênis Nike, CDs, e tudo que pode ser pirateado e falsificado, há esta instituição que abriga um raro Rafael, pintado na época do descobrimento, aquele Manet grandão, com as moças remando para fora do quadro, e um Bosch dos mais importantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repaginação do Masp mostra que sem recursos - mas com boas idéias - é possível dar vida a um museu. (A propósito, o Chagall acima não tem nada que ver com a história; ele está no Museu de Arte da Basiléia, na Suíça. Copiei do catálogo).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-8548362661713126110?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/8548362661713126110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=8548362661713126110&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8548362661713126110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8548362661713126110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2008_10_01_archive.html#8548362661713126110' title='Uma tarde no museu'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SO-jayokwlI/AAAAAAAAADo/x1Ns7803aQ0/s72-c/chagall.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-1230831846173336156</id><published>2008-09-30T22:59:00.010-03:00</published><updated>2008-10-10T16:02:57.878-03:00</updated><title type='text'>Grande Sertão: Hamburgo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O roteiro de Guimarães Rosa na cidade alemã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Guimarães Rosa viveu em Hamburgo entre 1938 e 1942, quando foi cônsul-adjunto do Brasil. Ali conheceu Aracy, que viria a se tornar sua segunda (e definitiva) mulher. Neste período, ele escreveu um diário, que permanece inédito até hoje, onde descreve alguns lugares da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2008 fotografei alguns destes lugares. Neste vídeo, intitulado "Grande Sertão: Hamburgo" aparecem alguns dos seus principais marcos, como o Jardim Botânico, o rio Alster e a Ópera. Além disso, aparecem também as duas casas em que o escritor morou, o local onde ficava o consulado brasileiro, e a casa onde Aracy morava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos desses lugares foram inteiramente destruídos, e reconstruídos depois da Segunda Guerra Mundial. Hamburgo foi castigada pelos bombardeios aliados. Ao final da guerra, em 1945, a maior metrópole comercial da Europa continental tinha perdido quase a metade de suas edificações. Só nos bombardeios dos últimos dias de julho de 1943 quase 50 mil pessoas morreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa, que saiu de lá em 1942, descreve minuciosamente em seu diário o início dos bombardeios. Infelizmente este importante documento histórico continua inédito: sua publicação foi vetada pelas filhas do primeiro casamento do escritor, Wilma e Agnes, sob a alegação que descreve também o início de seu relacionamento com Aracy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ficamos sem o que talvez seja o único diário da Segunda Guerra Mundial escrito por um grande autor latino-americano. E vale lembrar também que o relacionamento com Aracy, que começa justamente em 1938, ao se conheceram no Consulado de Hamburgo, seria mais tarde oficializado através de casamento, e se estenderia por quase 30 anos, até a morte de Guimarães Rosa, em 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-d8bd1e5e6b187b7f" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dd8bd1e5e6b187b7f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331253543%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2AF951F036EEA2AB33EBE66011DB5F0D7428B43A.1350496C9FFC890DA0F7B17172D38EFF5560E39B%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dd8bd1e5e6b187b7f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DyxdRapjVk7bERyFmUgOL6Fwc4no&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dd8bd1e5e6b187b7f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331253543%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2AF951F036EEA2AB33EBE66011DB5F0D7428B43A.1350496C9FFC890DA0F7B17172D38EFF5560E39B%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dd8bd1e5e6b187b7f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DyxdRapjVk7bERyFmUgOL6Fwc4no&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-1230831846173336156?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=d8bd1e5e6b187b7f&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/1230831846173336156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=1230831846173336156&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/1230831846173336156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/1230831846173336156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2008_09_01_archive.html#1230831846173336156' title='Grande Sertão: Hamburgo'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-2746559375690778903</id><published>2008-09-11T15:44:00.006-03:00</published><updated>2008-10-10T16:05:02.721-03:00</updated><title type='text'>Passeio pela arte moderna</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma experiência áudio-visual pós-tudo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 70, fiz um curso de história da arte com o professor Gilson Pedro no Colégio Equipe. Seus cursos utilizavam imagens e música para criar uma atmosfera extremamente envolvente, na qual os alunos faziam uma relação entre as diferentes correntes artísticas na história da arte e da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em setembro estive no Equipe para uma apresentação dos alunos (comemorando os 40 anos do Equipe), e o reencontrei. Lembrei de seus cursos, e resolvi fazer esta homenagem. Ao invés do carrossel de slides e do gravador de fita cassete que ele costumava usar, utilizei imagens digitais obtidas na internet e uma trilha em mp3 ("Very Early", de Bill Evans, em versão do Kronos Quartet).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-cb7fbd73b7ea6bd4" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v14.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dcb7fbd73b7ea6bd4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331253543%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D440FF47079DF605000068C7FF35E605407D3CC45.5A1CF4E66863970244F134C1F4A7C8B162433C9C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dcb7fbd73b7ea6bd4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DZ4LFeaM8_muYvJemb0IM603XVk8&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v14.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dcb7fbd73b7ea6bd4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331253543%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D440FF47079DF605000068C7FF35E605407D3CC45.5A1CF4E66863970244F134C1F4A7C8B162433C9C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dcb7fbd73b7ea6bd4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DZ4LFeaM8_muYvJemb0IM603XVk8&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-2746559375690778903?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=cb7fbd73b7ea6bd4&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/2746559375690778903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=2746559375690778903&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/2746559375690778903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/2746559375690778903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2008_09_01_archive.html#2746559375690778903' title='Passeio pela arte moderna'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-1125005160228384228</id><published>2008-06-19T10:47:00.014-03:00</published><updated>2008-10-10T16:07:14.162-03:00</updated><title type='text'>A terceira margem de Copacabana</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Guimarães Rosa, quem diria, viveu e morreu no Arpoador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sertão de Minas em que Guimarães Rosa passou a primeira parte de sua vida já foi bastante celebrado. Mas pouco se sabe sobre a segunda metade de sua vida, dos anos passados em Hamburgo, entre 1938 e 1942, quando foi cônsul adjunto do Brasil, ao Rio de Janeiro onde viveu sempre ao lado da segunda mulher, Aracy, e onde morreu em 1967. Aracy, que acaba de completar 100 anos de idade, vive em São Paulo com o filho do primeiro casamento, Eduardo Tess. E mesmo sofrendo de Alzheimer avançado, continua cercada de homenagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213592440500800082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpms6u2SlI/AAAAAAAAACw/zOM8TbuYCGE/s320/Edificio+Icaro+(10).JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Foi no apartamento no Arpoador que o casal recebeu personalidades do mundo literário e diplomático: o editor americano Alfred Knopf, o tradutor para o alemão Curt Meyer-Clason; o crítico Willi Bolle; o crítico nascido na Hungria e radicado no Brasil Paulo Rónai, entre outros. Foi no mesmo apartamento que ele foi encontrado pela neta e por Aracy caído sobre a escrivaninha, vítima de um enfarte, aos 59 anos, no auge da carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor tinha voltado ao Brasil definitivamente em 1951, depois de ocupar diversos cargos diplomáticos importantes no exterior, começando pelo consulado de Hamburgo, onde conheceu Aracy. Uma vez no Rio, moraram inicialmente no edifico Perigot, na praia do Russel, na Glória. Mas logo encontrariam um lugar mais adequado ao seu universo ficcional: o Edifício Ícaro, na rua Francisco Otaviano, no Arpoador. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213592949063849330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpnKhRulXI/AAAAAAAAAC4/5n07MLktjMM/s320/Edificio+Icaro+(32).JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do prédio fica o Forte de Copacabana, a ponta do Arpoador, e a Praia do Diabo, um costão de acesso restrito aos militares. Quando o casal viveu lá, nos anos 50, era quase desabitado. Uma espécie de terceira margem do Rio... O apartamento, que ocupa todo o quinto andar, tem uma vista magnífica para o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo que cerca a vida do escritor, o prédio tem história. Foi a primeira construção ali, bem ao lado do Forte. Alegando que o edifício tornava a base alvo fácil para navios inimigos, os militares propuseram derrubá-lo. Mas então já moravam ali altas patentes do governo Vargas: o Brigadeiro Eduardo Gomes, o Marechal-do-ar Henrique Fontenelle, e seu sobrinho, o polêmico Coronel Américo Fontenelle, que depois viria a ser diretor de trânsito do Rio, e mais tarde, de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213593149867455234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpnWNVCcwI/AAAAAAAAADA/JPx5A8m_Ce0/s320/Edificio+Icaro+(5).JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de cercado pelo mar, Guimarães Rosa não lhe dava muita bola: era bicho do mato, preferia o zoológico, em São Cristóvão, onde tinha o hábito de passar horas fazendo anotações sobre o comportamento dos animais em pequenos blocos de papel, muitas vezes ao lado de Aracy. Ia diariamente ao Palácio Rio Branco, onde funcionava o Itamaraty, e à livraria José Olympio, onde a nata da literatura e da vida intelectual carioca se reunia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal tinha vida social intensa. O Rio ainda era a capital, e sede das embaixadas. Rosa, que falava dezenas de línguas, tinha em volta de si um mundo infinito de diversidade cultural. Quando não estava com diplomatas, críticos, editores ou tradutores, lia e escrevia, na companhia de Aracy, e dos seus inseparáveis gatos. Sempre no quinto andar do edifíco Ícaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1964, quando veio o golpe, o casal quis esconder Franklin de Oliveira, o jornalista e crítico literário nascido no Maranhão e radicado no Rio que se tornara seu melhor amigo, e que estava sendo procurado pelos militares. É Franklin quem conta no prefácio da edição de 1988 do Grande Sertão. “Em 1964, quando começou a caça às bruxas, quis que fosse me asilar na casa dele. Recusei: poderia comprometê-lo e eu não tinha esse direito. Só quando viu que não me demoveria da minha decisão, organizou uma lista de embaixadas nas quais eu pudesse buscar o direito de asilo. Rosa praticava aquilo que os alemães chamam de ‘amizade combatente’. Atuava a favor do amigo, sem esperar que este lhe pedisse ajuda. E fazia tudo mineiramente: em silêncio”. O casal já havia feito isso na Alemanha, salvando judeus do nazismo, e Aracy viria a fazer de novo, em 1968, escondendo Geraldo Vandré dos militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213593477216286770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpnpQzFODI/AAAAAAAAADQ/oOYfCycx0xc/s320/Edificio+Icaro+(41).JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, 19 de novembro de 1967, brincava com a neta, Vera Tess. Como fazia todo domingo, ela saiu com a avó Aracy para ir à missa ao final da tarde na capela do Forte de Copacabana. “Na volta para casa, eu levava pipoca para ele”, lembra Vera. “Naquele domingo, ao entrar no escritório, encontrei-o parado em frente à escrivaninha. Soube depois: estava tendo o enfarte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois de sua morte veio o AI-5. Sabendo que Geraldo Vandré estava sendo procurado, Aracy praticou novamente a tal da “amizade combatente”: ofereceu-se para esconder o cantor e compositor, que com sua música &lt;em&gt;Para não dizer que não falei das flores&lt;/em&gt;, havia irritado os militares. Vandré ficou escondido durante dois meses no apartamento, onde ironicamente via da janela a movimentação das tropas no Forte, subitamente transformado em presídio político. Como entre a rua e os fundos há um desnível, o quinto andar dá de frente para o quartel. Se Vandré cantasse alto, seria ouvido pelas tropas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213593586097848130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpnvmad_0I/AAAAAAAAADY/YsMw7gNwC_0/s320/Edificio+Icaro+(2).JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Aracy, não há dúvida, foi a grande companheira de Guimarães Rosa no período mais importante de sua vida, quando sua carreira ganhou fôlego e proporções internacionais. Em depoimento à revista &lt;em&gt;Época&lt;/em&gt;, a filha do primeiro casamento, Wilma Guimarães Rosa, tentou vender a duvidosa versão de que Aracy foi apenas mais uma das “inúmeras amantes” de seu pai. É difícil de acreditar. Rosa era reservado, e ao freqüentar os mais altos escalões da política e da vida literária no país, se orgulhava de ter uma mulher como Aracy do seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a crítica Walnice Nogueira Galvão, uma das maiores especialistas na obra do mestre, Aracy era não só a companheira, como também a sua grande musa inspiradora. E não há uma única nota, informação ou mesmo fofoca sobre qualquer romance que Guimarães Rosa possa ter tido durante os trinta anos em que esteve ao lado de Aracy. Ao contrário, há centenas de fotos dos dois juntos. Em uma delas, tirada em uma homenagem no consulado alemão, provavelmente no início dos anos 60, ele aparece levantando o braço dela, como se dizendo: “É a ela que vocês devem homenagear”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213593278808726738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpndtrCHNI/AAAAAAAAADI/FHDwCWVUQQ4/s320/Edificio+Icaro+(37).JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;É difícil de acreditar também que alguém com a estatura de Aracy, que enfrentou o nazismo e as leis anti-semitas do Estado Novo se prestasse a um papel assim. Afinal, ela é a única mulher em um seleto grupo de 18 diplomatas e funcionários diplomáticos que fizeram algo pelos judeus durante o Holocausto. Como funcionária responsável pela seção de vistos do consulado em Hamburgo, conseguiu obter vistos para que judeus escapassem da Alemanha, contrariando as famosas “circulares secretas” de Getúlio. Por isso, tem uma placa em sua homenagem (ao lado de Souza Dantas, o então embaixador em Paris) no Museu do Holocausto, em Jerusalém. O fato de que ela não era diplomata de carreira, mas apenas uma funcionária, apenas aumenta o valor do seu gesto: ela não tinha imunidades diplomáticas, e se descoberta, provavelmente teria o mesmo fim de Olga Benário Prestes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213599195320235250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFps2GZTNPI/AAAAAAAAADg/S0qUnmrTnZo/s320/DSC02126.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Além da estatura, Rosa e Aracy tinham em comum a tal da “amizade combatente”. Ao lado de Aracy, Guimarães Rosa encontrou um pedaço de sertão na zona sul do Rio de Janeiro: na terceira margem de Copacabana, cercado por capitães e coronéis, bem ao lado da Praia do Diabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-1125005160228384228?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/1125005160228384228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=1125005160228384228&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/1125005160228384228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/1125005160228384228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2008_06_01_archive.html#1125005160228384228' title='A terceira margem de Copacabana'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SFpms6u2SlI/AAAAAAAAACw/zOM8TbuYCGE/s72-c/Edificio+Icaro+(10).JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-8145120007867006135</id><published>2007-08-29T15:30:00.000-03:00</published><updated>2007-12-07T20:14:36.566-02:00</updated><title type='text'>O apê do João</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Na margem do Rio, cercado de capitães e coronéis, com vista para a Praia do Diabo. Sabe quem morou lá?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tudo foi surpreendente. A rua, que encontrei por acaso; depois, o edifício, que só conhecia de uma foto dos anos 50, quando era o único naquele lugar. Hoje, ele mal aparece no meio de uma mini-selva de pedra plantada no Arpoador, entre Copacabana e Ipanema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era difícil de acreditar que aquele predinho de quatro andares, com seu jeito tímido de anos 30, fosse o lugar onde ele viveu os anos mais importantes da sua vida, sempre ao lado da segunda mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só quando atravessei a rua, tive certeza: foi ali mesmo, mas não no da frente e sim no prédio de trás, que agora fica escondido. Foi lá que ele viveu, recebeu a elite literária internacional da época, escreveu sua obra-prima, e morreu, aos 59 anos, no áuge do sucesso e do prestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso um esforço de abstração, apagando os horrendos prédios vizinhos, principalmente o bingo da direita, mas também a garagem de carros da esquerda, para entender o lugar. Na época, não havia nada, apenas o Edifício Ícaro, bem ali na rua Francisco Otaviano, 33. De um lado, Ipanema, então uma praia deserta. Do outro Copacabana, o Forte em primeiro plano. Era, com alguma licença poética, a própria terceira margem do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a câmera digital na mão atravesso a rua, chamo o porteiro, e pergunto: “Foi aqui que morou Guimarães Rosa?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi, sim senhor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grade de alumínio está fechada. Sabe como é, o Rio mudou. “Será que eu poderia entrar pra fazer uma foto? Só da fachada”. Não, não posso. “Só com autorização do síndico, e ele não está”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calculo que o espaço entre as barras da grade é suficiente para passar a lente da máquina. E usando o zoom, poderia tirar uma foto dali mesmo. “E se eu fizer uma foto daqui?”, arrisco. Com ar cúmplice, e aquele jeito bem carioca, ele olha pros lados, e diz : “Daí, não estou nem lhe vendo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, experimentei outros ângulos: do outro lado da rua, em frente do Shopping Cassino Atlântico... Do lado direito, em frente ao... bingo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Arpoador mudou muito desde os tempos que ele andou por lá. Nos anos 80 tornou-se ponto de hippies e surfistas, e agora há dezenas de lojas de pranchas e bermudas e acessórios e tudo o mais exibindo posters de Bob Marley, Peter Tosh e Che Guevara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponta do Arpoador tem uma posição estratégica. Ali os militares construíram em 1916 o Forte de Copacabana. Até muito recentemente, era fechado ao público. (Em 68 "abrigou" presos do regime militar. O Ziraldo passou um mês lá). Só nos anos 90 foi aberto para nós, civis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto fotografava o prédio, um garagista do bingo, vendo o que parecia um turista desavisado registrando um prédio antigo sem qualquer atração, apontou para o outro lado, onde estaria a suposta coqueluche turística do Rio de hoje. “Favela, favela”, dizia apontando o Morro do Pavão na direção da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Obrigado, merrmão”, respondi no meu melhor carioquês. “Mas tu sabe quem morou aqui?”, desafiei. “Não, quem?”, ele perguntou, pego de surpresa. “Um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos: João Guimarães Rosa”. O turista conhecia um segredo do Rio. Não há pior humilhação para um carioca. “Mas brasileiro não dá valor pras suas coisas mesmo, né?”, justificou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prédio, como tudo que cerca a vida do escritor, tem história. Foi o primeiro construdio ali, no final dos anos 20, bem atrás do Forte. Sob a alegação de que era visível de longe, e tornaria o Forte um alvo fácil, os militares quiseram derrubá-lo. Mas então ele já abrigava figuras como o Brigadeiro Eduardo Gomes, o Marechal-do-ar Henrique Fontenelle, e seu sobrinho, o polêmico Coronel Américo Fontenelle, que depois viria a ser diretor de trânsito primeiro no Rio, e depois em São Paulo. Com tanta gente importante, o edifício foi poupado por Getúlio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa e sua segunda mulher, Dona Aracy, mudaram-se para lá no início dos anos 50.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, depois de entrar para o Itamaraty, Guimarães Rosa havia sido nomeado cônsul-adjunto em Hamburgo em 1938. Ali, já separado da primeira mulher, conheceu Aracy, com quem conviveria nos próximos 30 anos, até a sua morte. (Casaram-se por procuração no México, como era de praxe, já que no Brasil ainda não havia divórcio. Dona Aracy, hoje com 99 anos, mora em São Paulo, com o filho do primeiro casamento, Eduardo Tess, e a nora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaram para o Brasil em 1942, quando o país rompeu relações com a Alemanha. Depois de várias andanças internacionais, Rosa e a mulher se instalaram no apartamento da Francisco Otaviano. Foi lá que ele escreveu &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;. Foi lá que discutiu com editores do mundo todo as traduções para dezenas de línguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem &lt;em&gt;roseanamente&lt;/em&gt;, a parte de trás do edifício dá para a Praia do Diabo, um costão que só é acessível através do Forte de Copacabana. Máquina em punho, vou para lá, atrás do edifício. É onde ficava o seu gabinete de trabalho. Dali, o escritor tinha uma vista magnífica: o mar era visível de todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no meio do caminho tinha um Opala velho, e dois soldados tentando consertar, sem grande sucesso. Deduzi isso, porque chutavam e xingavam a sucata, reclamando da falta de peças. Quando me viu um dos soldados ficou genuinamente surpreso. “Onde o senhor pensa que vai?”, perguntou. No meu afã de fotografar o escritório onde Guimarães Rosa escreveu histórias de jagunços e coronéis, não percebi que havia invadido uma área militar. Usando novamente o idioma local, tentei conversar: “Olha só, merrmão: sabe quem morou ali?” Ele não estava pra conversa. “Não sei e não quero saber. Aqui só entra com autorização do capitão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de falar com o capitão, fui pro outro lado, atravessando o bem mais amistoso parque Garota de Ipanema, até a Praça do Arpoador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da pequena praia do Arpoador, entre surfistas e pescadores, fotografei o gabinete de trabalho onde Guimarães Rosa morreu, de enfarte, em 19 de novembro de 1967. Foi encontrado caído sobre a mesa de trabalho pela neta, Vera Tess, e Dona Aracy. Para enorme surpresa dos surfistas - que achavam no mínimo curioso que alguém estivesse ali curtindo algum outro tipo de onda. Tipo, o apê do João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Rosa morreu, nem Carlos Drummond de Andrade acreditou: “Ficamos sem saber se João existiu, de se pegar”. Mas o prédio onde ele morou está lá. Não peguei, mas fotografei. Escondido em um dos lugares mais especiais da cidade maravilhosa, cercado por capitães e coronéis, tendo como vizinho a Praia do Diabo, Guimarães Rosa achou o seu grande sertão em plena zona sul do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Veja as fotos do Edifício Ícaro no &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://rdecol.spaces.live.com/"&gt;&lt;strong&gt;FotoBlog&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;).&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-8145120007867006135?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/8145120007867006135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=8145120007867006135&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8145120007867006135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/8145120007867006135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_08_01_archive.html#8145120007867006135' title='O apê do João'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-5498638484343043897</id><published>2007-05-21T18:04:00.000-03:00</published><updated>2007-05-31T13:24:31.544-03:00</updated><title type='text'>Uma certa Aracy, um chamado João</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ela enfrentou – e driblou – três ditaduras, salvou centenas de judeus dos campos de extermínio nazistas, escondeu Geraldo Vandré quando o cantor e compositor era procurado pelos militares, casou-se e foi companheira durante 30 anos de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Seu nome: Aracy Guimarães Rosa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por René Daniel Decol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.sociometria.com.br/Aracy_TPM.pdf"&gt;&lt;strong&gt;Leia íntegra da matéria na edição da revista &lt;em&gt;TPM &lt;/em&gt;de maio&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-5498638484343043897?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/5498638484343043897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=5498638484343043897&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5498638484343043897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5498638484343043897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_05_01_archive.html#5498638484343043897' title='Uma certa Aracy, um chamado João'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-5009629464635828420</id><published>2007-04-16T16:22:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T10:37:13.129-03:00</updated><title type='text'>Musa militante</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Ela enfrentou – e driblou – três ditaduras, foi a mulher definitiva de um grande escritor , e escondeu Geraldo Vandré dos militares. Mas provavelmente você nunca ouviu falar dela. Seu nome: Aracy Guimarães Rosa &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o velho ditado que todo grande homem tem uma grande mulher por trás. Não é menos verdade o caso de João Guimarães Rosa, um de nossos maiores escritores. Só que no caso dele, a grande mulher ficou esquecida. Nada mais natural no caso de um autor cuja obra e biografia são cercados de mistério – e maus entendidos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5054390471351108306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/RiTNWrkAgtI/AAAAAAAAAA8/WaNNTqTp2OQ/s320/Aracy+no+Rio,+anos+50.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa casou-se duas vezes: a primeira, com Lygia Cabral Penna, em 1930, aos 22 anos de idade. Mas foi um casamento que durou pouco tempo, e acabou em separação: nada incomum hoje em dia, mas na época ainda um tabu. Ele ainda era um jovem médico em Minas Gerais, viajava pelo sertão colhendo material para seus livros, e prometia muito como escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi só em 1938, quando já separado de Lygia, Rosa foi nomeado cônsul-adjunto em Hamburgo, que conheceu aquela que viria a ser sua segunda mulher, e companheira da vida madura: Aracy Moebius de Carvalho. Afinal, é com a nomeação para Hamburgo que começa, de fato, a carreira de João Guimarães Rosa como diplomata, escritor e personalidade de projeção mundial. Na diplomacia, encontrou a forma de ter tempo para viajar, aprender línguas, ler e escrever, suas grandes paixões. De 1938, até sua morte, em 1967, Aracy sempre esteve ao seu lado. Não é a toa que &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt; seja dedicado a ela. “A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”, diz o escritor na epígrafe de sua obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Aracy foi uma mulher a frente do seu tempo não só por ter sido a companheira e inspiradora de um dos maiores escritores. Sozinha, por conta própria, e muitas vezes contra a vontade do marido, Aracy praticava o que os alemães chamam de “amizade combatente”: atuava em favor dos oprimidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, foi durante a Alemanha nazista. Aracy, nascida no Brasil, acabara de se separar do seu primeiro marido, e fora morar com uma tia na Alemanha. Poliglota, culta, educada, conseguiu um cargo graduado no consulado brasileiro em Hamburgo: entre outras atribuições, era responsável pela seção de vistos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a metade dos anos 30 e começava a lenta e inexorável ascensão do nazismo. Os nazistas decretaram que os judeus alemães tinham que abandonar o país (e ainda por cima pagar um “imposto de emigração”). Exatamente neste momento as portas começam a se fechar, uma atrás da outra. Getúlio Vargas, admirador de Hitler e Mussolini, determina aos consulados na Europa que sejam negados vistos aos judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando as ordens de Getúlio e de seus superiores, Aracy 'dá um jeito' de burlar a atenção do cônsul-geral (que não era Guimarães Rosa; o escritor era cônsul-adjunto e não tinha nada que ver com a seção de vistos), e conceder vistos de entrada no Brasil para judeus desesperados para encontrar um refúgio. “Como minha mãe despachava outros assuntos, no meio dos papéis ela enfiava os vistos que o cônsul-geral assinava sem perceber”, lembra Eduardo Tess, filho do primeiro casamento de Aracy, e enteado de Guimarães Rosa. “Como cônsul-adjunto ele não era responsável pelos vistos, mas sabia o que minha mãe estava fazendo e a apoiava”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coragem de Aracy foi reconhecida pelo governo de Israel: ela é um dos 18 nomes citados no Museu de Holocausto em Jerusalém, como pertencentes a uma seleta minoria que arriscou a vida para salvar a de judeus perseguidos e que de outra forma teriam acabado em campos de extermínio – e a única mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de uma placa no Museu do Holocausto em Jerusalém (o famoso &lt;em&gt;Yad-Vashem&lt;/em&gt;, nome em hebraico), ela ainda foi homenageada com um bosque plantado em seu nome entre Tel Aviv e Haifa pelo Keren Kayemet, a sociedade ecológica de Israel. A própria Aracy participou da cerimônia com um discurso quando a placa comemorativa com seu nome foi inaugurada em 1985.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 18 diplomatas homenageados no &lt;em&gt;Yad-Vashem&lt;/em&gt; passaram por uma triagem onde só foram considerados os que arriscaram suas vidas sem nenhum outro motivo que não a ajuda humanitária, e em casos comprovados por testemunhas e evidências. Segundo a página que cita Aracy no site do Museu, estes 18 diplomatas “salvaram a vida de dezenas de milhares de indivíduos, na maioria judeus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1942, o Brasil rompe relações com os países do Eixo e os diplomatas brasileiros na Alemanha são mantidos sob custódia em Baden-Baden. “Ficamos num hotel e nos tratavam mais ou menos”, lembrou Aracy no documentário &lt;em&gt;Os nomes do Rosa, &lt;/em&gt;dirigido por Pedro Bial. “Com a guerra, tinha pouca comida, e a gente também passou fome. Eu emagreci muito. Comia um prato de sopa, mais nada. Havia pessoas de todos os Consulados internadas. Foi um tempo duro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao Brasil, Rosa oficializa a separação com Lygia e casa-se (por procuração, no México, como era praxe antes da existência do divórcio no país) com Aracy. Ela, que não era funcionária de carreira do Itamaraty, é indicada para o consulado de Quito, no Equador, um prêmio dado a todos os funcionários que passaram as agruras do período nazista. Ela recusa e abdica da carreira diplomática para ficar ao lado do marido, que começa a publicar seus livros no Brasil e em traduções no exterior com enorme repercussão da crítica mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal que inicialmente se instalara no Rio de Janeiro, na Praia do Russel, muda em agosto de 1952 para Copacabana. No célebre apartamento com vista para a praia do Arpoador, Guimarães Rosa reescreve interminavelmente seus livros e escreve aquela que seria considerada por muitos sua obra-prima, &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal então recebe a elite literária da época, entre os quais editores, tradutores e críticos americanos, alemães e italianos que, apesar da enorme dificuldade envolvida na tradução de palavras como “nonada”, querem a obra de Guimarães Rosa publicada em suas línguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem o golpe militar de 1964. Começa a caça às bruxas. Franklin de Oliveira, célebre jornalista e crítico literário que se tornara amigo íntimo de Rosa é uma das vítimas. O casal se oferece para escondê-lo. Ele recusa: não quer colocar o amigo em risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1967. Guimarães Rosa finalmente toma posse da cadeira na Academia Brasileira de Letras para a qual tinha sido eleito anos antes, mas que, supersticioso, adiara sistematicamente. No domingo, 19 de novembro, três dias depois da posse, sofre um enfarte fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1968. Um ano após a morte do escritor vem o AI-5. Aracy participa de reuniões de artistas e intelectuais contra a ditadura e fica sabendo que Geraldo Vandré, um dos artistas mais procurados pelos militares, está escondido precariamente na casa de um parente. “Um dia recebi um telefonema da governanta de Aracy”, diz a parente de Vandré, que prefere não se identificar. “Disse que se precisássemos de algo, estaria pronta a ajudar. Foi com um anjo que caiu do céu na hora certa”. Esta fonte, cuja entrevista gravei, diz não quer se identificar porque Vandré ficou transtornado com os acontecimentos da época e não quer mais que se fale no assunto. Ela, porém, fez questão de dar o depoimento, ainda que anônima, em homenagem a Aracy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geraldo Vandré ficou escondido dois meses no seu apartamento. Ironicamente, acompanhava a movimentação do exército em seu encalço, já que a janela do escritório onde Guimarães Rosa trabalhava tem vista para o Forte de Copacabana. Justo ele, que encarnara como ninguém a pujança do jagunço na canção popular, assistia toda perseguição dos novos coronéis no poder sentado na mesa onde tantas histórias de coronel e jagunço foram escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação entre Guimarães Rosa e Aracy não é difícil de entender: Aracy era culta, bonita, falava diversas línguas, e além de tudo, era uma humanista radical. Enfrentou o nazismo, o Estado Novo de Getúlio e a ditadura militar brasileira nas suas versões light (1964) e hard core (1968).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta semana, Aracy completa 99 anos. Vive com o filho Eduardo Tess e a nora, Beatriz em São Paulo, na rua Dr Melo Alves, por coincidência, bem perto de onde outro anjo rebelde viveu: Elis Regina. Por ironia do destino, quem tem tanto para contar, não lembra mais de nada: sua memória foi se apagando com o tempo. O mais grave, porém, é que a memória nacional parece ter esquecido dela. Seu nome foi pouco lembrado no ano passado quando se comemorou ou 50 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa. Que afinal, foi dedicado a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado, com modificações, na revista &lt;em&gt;Cláudia&lt;/em&gt;, de abril de 2007 (ainda nas bancas).&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-5009629464635828420?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/5009629464635828420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=5009629464635828420&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5009629464635828420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/5009629464635828420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_04_01_archive.html#5009629464635828420' title='Musa militante'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/RiTNWrkAgtI/AAAAAAAAAA8/WaNNTqTp2OQ/s72-c/Aracy+no+Rio,+anos+50.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-7696668152455310133</id><published>2007-03-24T16:12:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T13:08:17.867-03:00</updated><title type='text'>Os 200 anos da abolição (na Inglaterra)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Há exatos 200 anos, o parlamento inglês aprovava uma lei proibindo o comércio de escravos em todo o Império Britânico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se comemorar os 200 anos da abolição do comércio de escravos no Império Britânico, ainda falta muito para que possamos compreender em toda sua dimensão o período de quatro séculos no qual a escravidão e a navegação estiveram intrinsecamente ligadas à colonização das Américas. Em 25 de março de 1807, depois de vinte anos de campanha abolicionista, o Parlamento inglês decretou a ilegalidade do comércio de escravos, um ato que teria conseqüências fundamentais do outro lado do Atlântico. A partir de então, ao longo de uma série de medidas destinadas a extinguir o comércio, e depois a própria escravidão, a Inglaterra passou a reprimir o tráfico praticado por outras potências. O que fora parte integral da relação entre colônias americanas e suas metrópoles européias entre os séculos 15 e 19 começou lentamente a ser visto como uma aberração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5045576750622846482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/RgV9UnPYLhI/AAAAAAAAAAM/kh4iaYvD73E/s320/Salem+(70).jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos muito se pesquisou sobre a escravidão, esta instituição que marcou de forma tão profunda as colônias do Novo Mundo, e de forma particular, o Brasil. Um marco nessa historiografia é o recém-publicado &lt;em&gt;Inhuman&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Bondage: The Rise and Fall of Slavery in the New World&lt;/em&gt; (Oxford University Press, 2006). O autor, diretor do Instituto de Estudos de Escravidão, Resistência e Abolição da Universidade de Yale, reuniu muito do que se produziu nas últimas décadas para compor um quadro panorâmico desta instituição tão profundamente ligada às nossas raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brion Davis mostra como o conceito de escravidão tem origens na Antiguidade e de alguma forma perpassa todas as grandes religiões. Mas foi com o “comércio triangular” através do qual os navios europeus exportavam artigos manufaturados (roupas, armas, objetos de metal) em troca de escravos, e estes por produtos naturais (açúcar, prata, madeira, café), fazendo uma navegação circular entre Europa, África e América, que fez com que o os africanos se tornassem integrais à história do Novo Mundo. O processo pode hoje ser visto, em retrospecto, como a primeira grande onda de globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta da metade do século 18, não só ingleses, mas franceses, portugueses, espanhóis, enfim, todos os grandes impérios da época enriqueciam com o “comércio triangular”. O maior império escravista, no entanto, era o inglês. Como lembra Brion Davis, “o comércio escravista, e seus desdobramentos, foram uma imensa fonte de riqueza e poder para a Inglaterra”. Dadas as suas proporções, é notável que a campanha abolicionista, que começou em 1787, tenha alcançado sucesso em apenas vinte anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inglaterra não era o único império escravista, mas seu inigualável poder marítimo fazia com que a escravidão nas suas colônias fosse um caso único em termos de alcance, tamanho e interação com outras instituições sociais e políticas - relação esta que era constantemente transformada e adaptada.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5045577768530095650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/RgV-P3PYLiI/AAAAAAAAAAU/oZI5OtbU59g/s320/Salem+(72).jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O começo do século 19 assistiu a uma enorme mudança de escala e natureza desta interação. Não se tratou de fenômeno isolado, mas parte de uma série de transformações que forjaram o nascimento do mundo moderno. Esta era turbulenta, caracterizada por forças contraditórias (revolução e reação, liberdade e imperialismo, guerra e paz, iluminismo e escravidão) teve como uma de suas consequências fazer com que as relações políticas e econômicas da Inglaterra com as colônias fossem sacudidas. E inaugurasse uma nova era na história do Novo Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas muitas perguntas ainda estão sem resposta. Qual foi, por exemplo, a dimensão exata desta migração forçada, o primeiro grande movimento populacional da história? As estimativas variam. Os historiadores hoje concordam que algo entre 11 e 12 milhões de africanos foram transportados através do Atlântico, entre os séculos 15 e 19, nas condições mais desumanas possíveis. Mas há quem chegue até os 20 milhões. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quantos morreram na travessia, em uma época em que se calcula que um em cada cinco navios que tentavam atravessar o Oceano naufragavam? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que se sabe é que o Brasil foi o segundo maior destino de africanos, perdendo apenas para as ilhas do Caribe, incluindo Cuba. Entre 1820 e 1880, quando a Inglaterra já tinha declarado o comércio ilegal, e ameaçava afundar qualquer navio transportando escravos através do Atlântico, mais de dois milhões foram trazidos para o Brasil e para Cuba. A mortalidade era tão alta que se fazia necessário um fluxo constante, apenas para manter o estoque existente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora muitos lucrassem com o comércio escravista, na maior parte os europeus sequer sabiam de sua existência. Na própria Inglaterra não havia escravidão; portanto, não havia razão para os ingleses lidarem com esta verdade inconveniente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meio pelo qual o açúcar chegava às mesas européias era cuidadosamente escondido através de eufemismos: não havia tráfico, mas sim “aventuras na África”. Por trás das aparências, no entanto, começou a correr um sentimento que algo estava errado. Principalmente ao alvorecer das luzes, a partir do momento que começava a ganhar influência cada vez maior o iluminismo, com sua promessa de pautar a ação humana pela razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento de culpa provou ser o tendão de Aquiles do tráfico de escravos. O objetivo que os abolicionistas colocaram para si mesmos foi o de expor a sua realidade ao público ignorante da sua existência. O senso moral das pessoas faria o resto. Afinal, era o tempo das luzes, das novas idéias a respeito da sociedade, da política e dos direitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que embasado no espírito de uma época, movimentos sociais exigem líderes convictos. Na Inglaterra, entre os pioneiros estavam os nomes de Granville Sharp, Thomas Clarkson, e William Wilberforce. Foi Clarkson quem, em 1787 – dois anos antes da Revolução Francesa – fundou a Sociedade pela Abolição da Escravidão. Como parte de sua campanha, ele e seus companheiros imprimiram e espalharam pela Inglaterra centenas de cartazes com os famosos diagramas dos navios negreiros, mostrando as condições como eram transportados. Estes diagramas tornaram-se ícones da causa abolicionista: ninguém mais poderia negar os horrores do tráfico. (Os aqui reproduzidos são de &lt;em&gt;Descrição de um navio negreiro&lt;/em&gt;, de James Philips, Londres, 1789; em exibição no Peabody-Essex Museum de Salem, Massachusetts). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046246034551914322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/RgfeCEKwv1I/AAAAAAAAAAc/oRFa4ztrIJU/s320/Salem+(109).jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;É claro que as revoltas de escravos desempenharam um papel igualmente importante. As rebeliões, juntamente com o movimento abolicionista, em meio a uma época em que se questionou profundamente todas as tradições do passado, causaram uma revolução do lado de cá do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarkson organizou também o que talvez tenha sido o primeiro boicote a um bem de consumo: o boicote ao açúcar, promovido para que os ingleses percebessem a crueldade do que estava por trás do cristal branco que combinava tão bem com o seu chá. 300 mil pessoas aderiram ao boicote, que tinha o objetivo de prejudicar os proprietários de plantações. E inspirou o movimento parlamentar, que apresentou várias propostas contra o comércio de escravos, até que uma delas foi finalmente aprovada, em duas votações, a segunda e definitiva em 25 de março de 1807, há exatos duzentos anos. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-7696668152455310133?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/7696668152455310133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=7696668152455310133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7696668152455310133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7696668152455310133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_03_01_archive.html#7696668152455310133' title='Os 200 anos da abolição (na Inglaterra)'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/RgV9UnPYLhI/AAAAAAAAAAM/kh4iaYvD73E/s72-c/Salem+(70).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-653534881308353047</id><published>2007-03-22T11:37:00.000-03:00</published><updated>2007-03-23T16:13:16.674-03:00</updated><title type='text'>Somos racistas?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma polêmica entre Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, e Paula Miranda-Ribeiro, professora da Universidade Federal de Minas Gerais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Ali Kamel publicou no ano passado &lt;em&gt;Não somos racistas: Uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor&lt;/em&gt; (Nova Fronteira, 144 pgs).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisadora Paula Miranda-Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais, escreveu uma interessante resenha sobre o livro, no último número da &lt;em&gt;Revista Brasileira de Estudos de População&lt;/em&gt;, cujo conteúdo pode ser acessado on-line através do &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php/script_sci_home/lng_pt/nrm_iso"&gt;SciElo&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Ela diz que o livro de Ali Kamel tem qualidades e que, em geral, seus argumentos são bem embasados. Mas Paula discorda das conclusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugestivamente, sua resenha tem o mesmo título do livro, mas com o sentido contrário, isto é, sem o “Não”: "Sim, somos racistas”, argumenta Paula Miranda-Ribeiro. (&lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0102-30982006000200012&amp;amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;amp;tlng=pt"&gt;Leia a resenha&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura sobre o assunto é inesgotável. Paula, por exemplo, cita o ótimo &lt;em&gt;Racismo à brasileira&lt;/em&gt;, de Edward Telles (Relume-Dumará, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescento mais alguns:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Espetáculo das raças: Cientistas, instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930&lt;/em&gt;, de Lilia Moritz Schwarcz (Companhia das Letras, 1993)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gerações de cativeiro: Uma história da escravidão nos Estados Unidos&lt;/em&gt;, de Ira Berlin (Record, 2006)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul&lt;/em&gt;, de Luiz Felipe de Alencastro (Companhia das Letras, 2000)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Brasil visto de fora&lt;/em&gt;, de Thomas Skidmore (Paz e Terra, 1994)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chocolate, piratas e outros malandros&lt;/em&gt;, de Kenneth Maxwell (Paz e Terra, 1999)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Inhuman Bondage: The Rise and Fall of Slavery in the New World, &lt;/em&gt;de David Brion Davis (Oxford, 2006, ainda inédito em português)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é bom lembrar que o racismo não é algo restrito apenas aos afro-descendentes. Eis, por exemplo, uma excelente obra sobre o anti-semitismo no Brasil:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Brasil e a questão judaica: imigração, diplomacia e preconceito&lt;/em&gt;, de Jeffrey Lesser (Imago, 1994)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-653534881308353047?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/653534881308353047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=653534881308353047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/653534881308353047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/653534881308353047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_03_01_archive.html#653534881308353047' title='Somos racistas?'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-7456724322350670602</id><published>2007-03-02T09:54:00.000-03:00</published><updated>2007-03-02T09:58:53.721-03:00</updated><title type='text'>Um oceano de história</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O National Maritime Museum de Londres guarda o maior acervo da história da navegação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma época acumulou tantas transformações tecnológicas quanto o século 20, um período no qual os carros, os aviões, os trens, e o metrô passaram a fazer parte do nosso cotidiano. O mar, em compensação, tornou-se um lugar remoto, cenários de antigas histórias de navegadores, que poucos de nós temos a chance de experimentar diretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, Londres tem um lugar onde talvez seja possível saber mais sobre o mar e suas histórias do que qualquer outro lugar do mundo: o National Maritime Museum de Greenwich, a apenas uma hora de barco do centro de Londres, ou a meia hora de metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilha de navegadores, a Inglaterra tem dezenas de lugares para quem se interessa por história marítima. Mas o museu de Greenwich é único: primeiro, porque fica em um complexo que inclui ainda o parque de mesmo nome, o famoso Observatório, dois castelos portentosos do século 17, além do &lt;em&gt;Cutty Sark&lt;/em&gt;, o famoso veleiro da garrafa de whisky, aberto a visitação pública. (Quem for lá descobrirá que o lendário barco, quem diria, navegou sob bandeira portuguesa, sob o nome de &lt;em&gt;Ferreirinha&lt;/em&gt;, durante o século 19).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o museu marítimo é o coração do passeio: ele reúne a maior coleção de artefatos ligados à navegação de todo o mundo. Está tudo lá: o mar, os barcos, os métodos de medição do tempo – tão importantes para o cálculo da longitude na época da navegação à vela – e as estrelas. Estão lá os astrolábios, mapas e globos; relógios, quadrantes, sextantes e oitantes; os compassos, lunetas e outros instrumentos que guiaram os europeus em direção a novos mundos, a partir do final do século 15, marcando o início de uma nova era. E como não poderia deixar de ser, bem ao lado, o Observatório, cujo objetivo inicial era marcar o tempo com exatidão, para que as embarcações pudessem calcular sua posição no oceano, baseado na medição do tempo e na posição das estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nós, brasileiros, as navegações fazem parte da nossa história não só como nação, mas individualmente. Fora os índios nativos, não há brasileiro que não descenda de alguém que tenha atravessado o oceano de navio em algum período, entre 1500 e a metade do século 20: apenas em 1958 o número de passageiros atravessando o Atlântico de avião superou o tráfego naval. A maioria dos nossos antepassados veio de países como Itália, Alemanha, Portugal, Espanha, Japão ou outras dezenas, de algum tipo de barco ou navio. Sem falar nos africanos, transportados à força nos infames navios negreiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor maneira de chegar a Greenwich é através do Thames. Afinal, há maneira mais adequada de começar uma exploração naval do que tomando o barco em um dos rios mais famosos do mundo, e que é tema de uma das galerias do museu? Também é possível ir de metrô, passando por Canary Wharf, a parte nova da cidade, que já se transformou em vibrante centro financeiro, que também vale uma visita. Seja de barco ou de metrô, Greenwich é definitivamente uma grande pedida em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de instrumentos de navegação de todas as épocas, o grandioso museu abriga também réplicas de embarcações, desde caravelas e galeões do século 16, até um moderno simulador de navegação, na qual o aspirante a lobo do mar é desafiado a atracar em algum porto importante do mundo, sem, é claro, deixar o navio afundar. (No meu caso, escolhi o porto de Londres, e quase me atraquei com uma das pilastras da London Bridge...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a grande sabedoria do Museu Nacional Marítimo da Inglaterra, que faz dele também uma instituição de prestígio no mundo da pesquisa acadêmica, é entender que a navegação teve sentidos bem diferentes em cada época. Afinal, a história econômica, política e social do mundo está ligada à história dos meios de transportes. É possível, por exemplo, aprender muito sobre o sistema mercantilista, quando navios a vela levavam para as metrópoles os produtos extraídos das colônias, trazendo de volta artigos manufaturados, e entre uma coisa e outra, fazendo o tráfico de escravos. Em terminologia de hoje, começava a globalização. Neste período imperava o comércio de açúcar, chá, rum, tabaco, lã, especiarias, algodão e outros produtos em um comércio triangular entre Europa, Américas e África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escravidão fazia parte deste sistema e, claro, não poderia estar ausente em um museu tão completo. Estão lá os registros do 12 milhões de escravos que foram trazidos da África para as Américas a partir do século 16. Apenas em 1660, nada menos do que 3,5 milhões de escravos foram trazidos pelos ingleses para a América do Norte. Cerca de 500 mil morreram durante a travessia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a revolução industrial, entre em cena o navio a vapor. É um período de grandes transformações tecnológicas, que acabam por tornar possível a chamada “grande era” da imigração internacional. Entre 1850 e 1950, nada menos do que 40 milhões de pessoas atravessaram o Atlântico da Europa para o Novo Mundo, no maior movimento populacional da história. A maior parte, cerca de 30 milhões, tiveram como destino os Estados Unidos. Cinco milhões vieram para o Brasil. Neste período, os barcos se transformam em máquinas cada vez mais complexas, cada vez maiores, até chegar às proporções de verdadeiras cidades marítimas. Os navios deste período, é claro, estão representados através de maquetes, modelos, partes de motores, réplicas das cabines. Também está lá todo o frisson que representava viajar nos transatlânticos de luxo do início do século, à bordo da exclusiva primeira classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grandeza do Museu de Navegação de Greenwich está no fato de jamais perder de vista o papel que a navegação teve nos últimos séculos enquanto fenômeno político, social e econômico. Talvez seja por isso que ele tenha recebido o prêmio de excelência dos museus britânicos, em um país se orgulha de ter alguns das melhores instituições no gênero do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa época em que as grandes explorações eram fonte de inspiração para os artistas, a pintura sobre temas navais é parte importante do acervo. São imagens onde estão retratados símbolos de identidade nacional e história, em uma era de impérios em expansão. A abertura para novos mundos e novos povos, revolucionou a cabeça dos pensadores, filósofos e  cientistas e artistas europeus desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para crianças das mais diversas idades o museu é um prato cheio: há muita coisa com finalidade educativa, como uma sessão inteiramente dedicada á poluição dos mares, e um planetário. Outra sessão, dedicada às atuais pesquisas em oceanografia, dão um toque excitante de ciência moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, o oceano volta a ser, neste início de século, território de explorações inusitadas. As viagens do século 16, e as tecnologias desde então desenvolvidas, mudaram não só a geografia mas também a história, a ciência e o próprio mundo tal qual o conhecemos hoje. Agora, ao entrarmos em um novo milênio, teria a era das explorações oceânicas passado? Ou estamos a beira de descobertas que mudarão nosso universo, tal qual uma vez mudaram o globo? Se há um bom lugar para se meditar sobre isso é certamente no Museu de Navegação de Greenwich.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço: National Maritime Museum e Royal Observatory, Greenwich. Aberto de 10:00 às 17:00, todos os dias. Site: &lt;a href="http://www.nmm.ac.uk/"&gt;http://www.nmm.ac.uk/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-7456724322350670602?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/7456724322350670602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=7456724322350670602&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7456724322350670602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7456724322350670602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_03_01_archive.html#7456724322350670602' title='Um oceano de história'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-7808294211426055573</id><published>2007-02-10T20:08:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T23:53:19.280-02:00</updated><title type='text'>Os dez melhores livros de ciência</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O que escritores como Primo Levi, Brecht e Stephen Pinker têm em comum? Eles estão entre os autores dos dez mais importantes livros de ciência já publicados, de acordo com uma centenária instituição inglesa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A tabela periódica&lt;/em&gt;, do escritor Primo Levi, foi escolhido como o melhor livro jamais publicado sobre algum assunto relacionado à ciência. Nele, seu terceiro conjunto de ensaios, na maior parte auto-biográficos, o químico judeu que sobreviveu a Auschwitz faz referência aos elementos da tabela periódica como metáfora para falar de suas raízes familiares, sua juventude na Itália, e da série de eventos dramáticos que o levaram da resistência anti-fascista a um campo de concentração na Polônia. Primio Levi morreu em 1987, ao cair da sacada de seu apartamento, em Turin, no que acredita-se que tenha sido suicídio. Ele encabeça uma lista publicada pela Royal Institution, centenária instituição científica, na qual ironicamente consta também Konrad Lorenz, o pai da etologia. Embora depois tenha se retratado, Lorenz foi filiado ao partido nazista. Constam também entre os campeões o roteirista Tom Stoppard e o biólogo Richard Dawkins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O critério foi tanto científico como literário, já que cientistas dos séculos 19 e 20, além de dramaturgos e roteiristas, foram aclamados. Estão na lista, por exemplo, Stephen Pinker, o contemporâneo pioneiro da ciência cognitiva, autor do polêmico &lt;em&gt;Tábula Rasa&lt;/em&gt;, e o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, por sua peça &lt;em&gt;Vida de Galileu&lt;/em&gt;. Está lá também Darwin (pelo relato &lt;em&gt;A viagem do Beagle &lt;/em&gt;e não pela &lt;em&gt;Origem das espécie&lt;/em&gt;s), e o Prêmio Nobel James Watson, descobridor do DNA (&lt;em&gt;A dupla hélice)&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tom Stoppard, o roteirista de &lt;em&gt;Shakespeare Apaixonado &lt;/em&gt;(Oscar de 1998), e do clássico &lt;em&gt;Brazil&lt;/em&gt;, do ex-Monty Python Terry Gilliam, foi indicado por &lt;em&gt;Arcadia&lt;/em&gt;, texto ainda inédito por aqui. Na peça, que convida o leitor a viajar no tempo entre os séculos 19 e 20, um grupo de personagens representa seus respectivos dramas. Stoppard explora temas como a natureza da verdade e do tempo, as diferenças entre o temperamento romântico e o moderno, e o papel confuso que o sexo ganhou no mundo de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro inédito é &lt;em&gt;King Solomon’s Ring&lt;/em&gt; do zoologista, psicólogo e ornitologista Konrad Lorenz. Nascido em Viena, criador da etologia, a ciência que estuda o comportamento animal, Lorenz tem diversos livros publicados no Brasil (mas não este). O escritor John Turney, que presidiu o evento, jusitificou a escolha da seguinte forma: "It's the most charming book ever written by a Nazi" (traduzível por “o livro mais charmoso jamais escrito por um nazista”). Lorenz era filiado ao partido, e foi recrutado para a Wermacht em 1941. Embora quisesse servir como mecânico de motocicletas, foi designado médico do exército alemão. Por isso, amargou um período nos campos de prisioneiros da ex-União Soviética. Depois, já reconhecido por seu trabalho científico, ganhou o Prêmio Nobel, e desculpou-se publicamente pela mancha na biografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gene Egoísta&lt;/em&gt;, de Richard Dawkins, publicado em 1976, aclamado como divisor de águas nas ciências comportamentais, foi diversas vezes publicado no Brasil. Dawkins também é etologista e biólogo. Nascido em Nairobi, é radicado na Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oliver Sacks, o neurologista inglês radicado em Nova York, não ficou de fora. Descendente de uma nobre linhagem de neurologistas, professor do Albert Einstein College of Medicine, escritor de raro talento que fez sucesso no Brasil com &lt;em&gt;Um antropólogo em Marte&lt;/em&gt;, foi classificado pelo seu &lt;em&gt;Com uma perna só&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os dez livros, três nunca foram publicados no Brasil, e dois estão fora de catálogo, inclusive &lt;em&gt;Vida de Galileu&lt;/em&gt;. No que diz respeito às editoras, a &lt;strong&gt;Companhia das Letras&lt;/strong&gt; é a única presente com mais de um título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, os vencedores, com as edições em português, quando disponíveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primo Levi – &lt;strong&gt;A tabela periódica &lt;/strong&gt;(Relume Dumará, 2001)&lt;br /&gt;Konrad Lorenz – &lt;strong&gt;King Solomon’s Ring &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tom Stoppard – &lt;strong&gt;Arcadia &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Richard Dawkins – &lt;strong&gt;Gene Egoísta &lt;/strong&gt;(Itatiaia, 2001)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também se classificaram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James Watson – &lt;strong&gt;A dupla hélice&lt;/strong&gt; (Gradiva, 2003)&lt;br /&gt;Bertolt Brecht –&lt;strong&gt;Vida de Galileu &lt;/strong&gt;(Civilização Brasileira, 1978)&lt;br /&gt;Peter Medewar – &lt;strong&gt;Pluto’s Republic &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Charles Darwin – &lt;strong&gt;A viagem do Beagle &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Stephen Pinker – &lt;strong&gt;Tábula Rasa &lt;/strong&gt;(Companhia das Letras, 2004)&lt;br /&gt;Oliver Sacks – &lt;strong&gt;Com uma perna só &lt;/strong&gt;(Companhia das Letras, 2002)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o valor literário contou tanto quanto o conteúdo científico. Basta lembra desta cena inicial de &lt;em&gt;Vida de Galileu &lt;/em&gt;(leia a seguir). Nela, Brecht faz um empolgante discurso a favor das luzes, da ciência e do conhecimento, contra a escuridão e as trevas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-7808294211426055573?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/7808294211426055573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=7808294211426055573&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7808294211426055573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/7808294211426055573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#7808294211426055573' title='Os dez melhores livros de ciência'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-229434056165742773</id><published>2007-02-10T20:05:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T17:18:02.834-02:00</updated><title type='text'>Vida de Galileu</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Bertolt Brecht&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira parte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Galileu Galilei, professor de matemática em Pádua, quer demonstrar o novo sistema copernicano do universo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quarto de estudo de Galileu, em Pádua; o aspecto é pobre. É de manhã. O menino Andrea, filho da governanta, traz um copo de leite e um pão.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;GALILEU (&lt;em&gt;lavando o tórax, fungando alegre&lt;/em&gt;) - Ponha o leite na mesa, mas não feche os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDREA - Seu Galileu, minha mãe disse que, se nós não pagarmos o leiteiro, ele vai dar um círculo em volta de nossa casa e não vai mais deixar o leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GALILEU - Está errado, Andrea; ele "descreve um círculo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDREA - Como o senhor quiser, seu Galileu. Se nós não pagarmos, ele descreve um círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GALILEU - Já o oficial de justiça, o seu Cambione, vem direto pra cima de nós, escolhendo qual percurso entre dois pontos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDREA (&lt;em&gt;rindo&lt;/em&gt;) - O mais curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GALILEU - Bom. Eu tenho uma coisa para você. Veja atrás dos mapas astronômicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Andrea pesca atrás dos mapas, de onde tira um grande modelo do sistema ptolomaico, feito de madeira&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDREA - O que é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GALILEU – É um astrolábio; é para mostrar como as estrelas se movem à volta da Terra, segundo a opinião dos antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[. . .]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDREA (&lt;em&gt;move as esferas&lt;/em&gt;) - É bonito. Mas nós estamos fechados lá no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GALILEU (&lt;em&gt;se enxugando&lt;/em&gt;) - É, foi o que eu também senti, quando vi esta coisa pela primeira vez. Há mais gente que sente assim. (&lt;em&gt;Joga a toalha a Andrea para que ele lhe esfregue as costas&lt;/em&gt;.) Muros e cascas, tudo parado! Há dois mil anos a humanidade acreditou que o Sol e as estrelas do céu giram em torno dela. O papa, os cardeais, os príncipes, os sábios, capitães, comerciantes, peixeiras e crianças de escola, todos achando que estão imóveis nessa bola de cristal. Mas agora nós vamos sair para fora, Andrea, para uma grande viagem. Porque o tempo antigo acabou, e agora é um tempo novo. Já faz cem anos que a humanidade está esperando alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cidades são estreitas, e as cabeças também. Superstição e peste. Mas agora, veja o que se diz: se as coisas são assim, assim não vão ficar. Tudo se move, meu amigo. Gosto de pensar que tudo tenha começado com os navios. Desde que há memória, eles vinham se arrastando ao longo da costa, mas, de repente, deixaram a costa e exploraram os mares todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso velho continente nascia um boato: existem continentes novos. E agora que os nossos barcos navegam até lá, a risada é geral nos continentes. O que se diz é que o grande mar temido é uma lagoa pequena. E surgiu um grande gosto pela pesquisa da causa de todas as coisas: saber por que cai a pedra se a soltamos, e como sobe a pedra que arremessamos. Não há dias em que não se descubra alguma coisa. Até os velhos e os surdos puxam conversa para saber das últimas novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se descobriu muita coisa, mas há mais coisas ainda que poderão ser descobertas. De modo que também as novas gerações têm o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Siena, quando moço, vi uma discussão de cinco minutos sobre a melhor maneira de mover blocos de granito; em seguida, os pedreiros abandonaram uma técnica milenar e adotaram uma disposição nova e mais inteligente das cordas. Naquele lugar e naquele minuto fiquei sabendo: o tempo antigo passou, e agora é um tempo novo. Logo a humanidade terá uma idéia clara de sua casa, do corpo celeste que ela habita. O que está nos livros antigos não lhe basta mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois onde a fé teve mil anos de assento, sentou-se agora a dúvida. Todo mundo diz: é, está nos livros -, mas agora nós queremos ver com nossos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As verdades mais consagradas são tratadas sem-cerimônia; o que era indubitável, agora é posto em dúvida. Em conseqüência, formou-se um vento que levanta as batinas brocadas dos príncipes e prelados, e põe à mostra pernas gordas e pernas de palito, pernas como as nossas pernas. Mostrou-se que os céus estavam vazios, o que causou uma alegre gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as águas da Terra fazem girar as novas roscas, e nos estaleiros, nas casas de cordame e de velame, quinhentas mãos se movem em conjunto, organizadas de maneira nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Predigo que a astronomia será comentada nos mercados, ainda em tempos de nossa vida. Mesmo os filhos das peixeiras quererão ir à escola. Pois os habitantes de nossas cidades, sequiosos de tudo que é novo, gostarão de uma astronomia nova, em que também a Terra se mova. O que constava é que as estrelas estão presas a uma esfera de cristal para que não caiam. Agora juntamos coragem, e deixamos que flutuem livremente, desancoradas e elas estão em grande viagem, como as nossas caravelas, desancoradas e em grande viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Terra rola alegremente em volta do Sol, e as mercadoras de peixe, os comerciantes, os príncipes e os cardeais, e mesmo o papa, rolam com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite bastou para que o universo perdesse o seu ponto central; na manhã seguinte, tinha uma infinidade deles. De modo que agora qualquer um pode ser visto como centro, ou nenhum. Subitamente há muito lugar. Nossos navios viajam longe. As nossas estrelas giram no espaço longínquo, e mesmo no jogo de xadrez, agora a torre atravessa o tabuleiro de lado a lado. Como diz o poeta: "Ó manhã de inícios!..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-229434056165742773?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/229434056165742773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=229434056165742773&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/229434056165742773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/229434056165742773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_02_01_archive.html#229434056165742773' title='Vida de Galileu'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116939545870823414</id><published>2007-01-21T14:03:00.000-02:00</published><updated>2007-01-21T14:04:18.710-02:00</updated><title type='text'>No país dos decibéis</title><content type='html'>Claudio de Moura Castro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Será que o baixo crescimento da economia&lt;br /&gt;não seria o resultado do excesso de barulho?" &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazer as malas para o Brasil, após quinze anos na Suíça e nos Estados Unidos, assaltava-me o temor de um choque cultural. Como a Batalha de Itararé, o choque não ocorreu, foi ajustamento instantâneo. Mas houve uma exceção: o choque dos decibéis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vinha de uma Suíça onde em muitos edifícios é proibido tomar banho e puxar a descarga após as 10 horas da noite. Os ônibus são silenciosos, e aviões barulhentos não pousam lá. Os cachorros não latem, e as crianças não berram. É proibido cortar grama aos domingos, por causa do barulho das máquinas. Lá eclodiu um célebre processo judicial contra os cincerros das vaquinhas que incomodavam um vizinho. Fiquei mal-acostumado, adquiri hábitos alienados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou, depositado no país dos decibéis. Ônibus e caminhões urram dentro da lei dos 88 decibéis máximos, quando na Europa a norma é 74 (sendo a escala de decibéis logarítmica, o volume de som é muitas vezes maior!). Muitos urram fora da lei. Uivam motos sem silenciosos. Os pneus cantam nas curvas. A cachorrada da vizinhança tem cordas vocais de aço-molibdênio. As igrejas e os cultos confundem decibéis com fé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra-prima da agressão sonora são uns automóveis cujos porta-malas se abrem revelando uma bateria de alto-falantes, terrível usina de decibéis. Felizmente, algumas cidades turísticas estão comprando decibelímetros, para não perder clientes antiquados como eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As salas de aula não têm tratamento acústico. Parece até que foram planejadas para maximizar a refletância ambiente (as piores são as dos Cieps). A norma da ABNT para salas de aula estipula um máximo de 40 a 50 decibéis, mas o nível de ruído atinge 75 em casos comprovados. O ruído impede a atenção ou mesmo impede de ouvir o professor. Em quantos pontos faz cair o rendimento dos alunos brasileiros? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos restaurantes, a barulheira não está no cardápio, mas é parte do serviço. É como se o objetivo de manter uma conversação relaxada e inteligente fosse coisa subversiva, a ser impedida pelas múltiplas ressonâncias – amplificadas pelas superfícies lisas e paralelas. Um proprietário experiente disse que restaurante silencioso espanta clientes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o choque de gerações se concentra nos decibéis. Na música, são o sonho de consumo, indo muito além dos níveis máximos das normas de saúde ocupacional. E, diante dos que reclamam, a polícia candidamente confessa não saber bem o que fazer nem qual unidade cuida do assunto. Ou, então, vai inspecionar no dia seguinte ao da festa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que menos me incomoda é a música das boates, apesar de ensurdecedora. É que, após uma experiência traumatizante, aprendi minha lição. Não entro nelas em hipótese nenhuma. Se lá dentro estivesse, de bom grado pagaria para sair. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), 65 decibéis marcam o limiar do que faz mal à saúde – dependendo do tempo de exposição. Verificou-se que ruído excessivo aumenta a adrenalina, provoca alta de pressão, stress, insônia e (em Berlim) aumenta em 20% a probabilidade de infarto. Nos Estados Unidos, 10 milhões de pessoas perderam a audição (ou parte dela) por excesso de ruído – e parece que os números aumentam. Lá, o seguro-saúde é mais caro para quem trabalha em lugares barulhentos. Entre nós, quantos milhões convivem com muito mais decibéis do que a lei permite em fábricas? Uma banda de rock emite tantos malditos decibéis quanto uma turbina de avião (130 decibéis). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruído nas ruas, nas escolas e nos hospitais costuma estar acima do máximo da OMS. Será possível aprender em salas de aula tão ruidosas? Por que ignorar os males que faz à saúde? Será que o baixo crescimento da economia não seria o resultado do excesso de barulho? A sociedade não estaria sendo anestesiada ou hipnotizada por uma forma sinistra de conspiração sonora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifesto a minha revolta auditiva contra um povo que confunde alegria com barulho. Parece que música alta libera hormônios, dando um "barato". Que seja. Mas o prazer de uns poucos não pode ser à custa do incômodo de outros. O som que me incomoda invadiu ilegalmente a minha privacidade. Temos o direito ao silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116939545870823414?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116939545870823414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116939545870823414&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116939545870823414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116939545870823414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2007_01_01_archive.html#116939545870823414' title='No país dos decibéis'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116644808143799214</id><published>2006-12-18T11:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-21T13:30:16.166-02:00</updated><title type='text'>Uma certa Aracy, um chamado João</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A &lt;em&gt;Folha&lt;/em&gt; publicou na segunda-feira, 18 de dezembro, &lt;a href="http://www.sociometria.com.br/Folha_Aracy.htm"&gt;meu artigo&lt;/a&gt; sobre Aracy Guimarães Rosa. Como o texto foi editado, reproduzo aqui a versão original. (Veja também fotos inéditas no &lt;a href="http://rdecol.spaces.live.com/"&gt;FotoBlog&lt;/a&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”. Com esta simples epígrafe, começa uma das maiores epopéias da história da literatura mundial, &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;. No entanto, ao se comemorar os 50 anos da publicação do livro mais importante de João Guimarães Rosa, pouco – ou nada – se falou sobre a mulher que teve um papel fundamental na vida do maior escritor brasileiro do século 20, comparado a Thomas Mann, Jorge Luís Borges e outros grandes mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, hoje com 98 anos, foi a sua segunda mulher. Mas enquanto escritor maduro, foi sua grande e única companheira: ficaram juntos 30 anos. Ambos haviam sido casados antes, e os dois tinham filhos do primeiro casamento. Mas foram uniões que duraram pouco. Ele casou-se pela primeira vez, em 1930, aos 22 anos, médico recém-formado, com um grande talento para as letras, mas que ainda não havia florescido plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracy, que viria a conhecer em Hamburgo, em 1938, foi a sua grande inspiradora, personagem, companheira, e interlocutora privilegiada durante o período mais importante da sua vida e obra. Enfim, foi sua Simone de Beauvoir. “Aracy viveu 30 anos com ele, desde o primeiro livro importante, &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, até a sua morte”, lembra Neuma Cavalcante, professora da Universidade Federal do Ceará. “Ela lia, opinava, sugeria, discutia, participava ativamente da obra. De certa forma ela é co-autora. Tanto que o &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt; não é dedicado; é dado: ele doou o livro à Aracy, como diz a epígrafe. Isto é muito significativo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Aracy teve papel tão importante na vida de um dos maiores nomes da literatura mundial, porque sua imagem está tão apagada neste ano em que se comemora o cinqüentenário da saga de Riobaldo e Diadorim? “Ela deveria ser mais lembrada. A questão é que eles eram discretos na vida pessoal. Ela ficava afastada dos holofotes enquanto ele aparecia. Mas o papel dela não pode ser subestimado”, diz Neuma Cavalcante. Discreta, sem jamais ter caído na tentação de se promover por ter sido quem foi, Aracy paga hoje o preço do esquecimento. Sua influência sobre o escritor tem sido negligenciada pela crítica, pelos historiadores da literatura, e pela mídia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem acredite que ela serviu de inspiração para Diadorim, a personagem do &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt;. Aracy tinha certamente algo de Hannah Arendt, a extraordinária filósofa alemã, autora de &lt;em&gt;Origens do totalitarismo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A condição humana&lt;/em&gt;, e que fez da própria vida um ato de luta contra as trevas. Aracy desafiou o nazismo, o Estado Novo de Getúlio, e a ditadura militar brasileira. Além disso, era culta, poliglota, e segundo alguns, uma das mulheres mais atraentes de seu tempo. “Não me admira em nada que Guimarães Rosa tenha se apaixonado por ela”, diz José Gregori, presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos, e ex-ministro da Justiça. "Era uma mulher de uma rara beleza, competente, e praticava um tipo raro de solidariedade". Enfim, uma personalidade a altura do espírito inquieto do grande escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rosa praticava aquilo que os alemães chamam de ‘amizade combatente’: atuava a favor do amigo, sem esperar que este lhe pedisse ajuda”, lembrou o jornalista e crítico literário Franklin de Oliveira. Aracy também. Em 1937 ela salva judeus do nazismo. Em 1964, já no Rio, junto com o escritor, tentam esconder o próprio Franklin de Oliveira, procurado pelos militares. Em 1968, o escritor já morto, Aracy esconde o cantor e compositor Geraldo Vandré, caçado pela ditadura pós-AI-5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aracy era a grande personagem da vida dele”, diz Neuma Cavalcante, que está escrevendo sua biografia (com Elza Mine, professora do departamento de Língua e Filologia Portuguesa da USP). O livro, que deve ser publicado no ano que vem, é baseado no seu acervo, incluindo recortes de jornais, anotações e, principalmente, a correspondência entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1937. Ele, já separado da primeira mulher, chega a Hamburgo como cônsul adjunto, em momento particularmente dramático: às vésperas da Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em 1934, Rosa fez o concurso para o Itamarati, tendo conquistado o segundo lugar. Via na diplomacia um meio de conhecer o mundo, coisa que, como menino pobre, jamais poderia fazer”, conta Franklin de Oliveira, em uma introdução do &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt;, que desapareceu injustificadamente das últimas edições (veja abaixo). “Seu primeiro posto na carreira foi na Alemanha, onde conheceu sua segunda mulher, que seria a companheira de toda a vida – Aracy Moebius de Carvalho, que ele tratava carinhosamente de Ara”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diadorim ou Hannah Arendt?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, nascida Moebius de Carvalho, no interior do Paraná, já separada, foi para a Alemanha no início dos anos 30 morar com uma tia e o filho do primeiro casamento, Eduardo Tess. Como falava bem alemão, inglês e francês, conseguiu uma nomeação para o consulado brasileiro em Hamburgo. Acabou sendo encarregada da seção de vistos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Guimarães Rosa chega a Hamburgo, já separado da primeira mulher, entra em vigor a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no Brasil – consequência do fascínio que Getúlio Vargas sentiu pelos regimes de Hitler e Mussolini, e que o americanista Jeffrey Lesser descreve muito bem no livro &lt;em&gt;O Brasil e a questão judaica&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando ordens do Itamarati, Aracy cria esquemas para burlar a atenção do cônsul geral – que, de simpatizante dos judeus, subitamente se descobriu um anti-semita de primeira hora –, salvando assim a vida de muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Minha mãe resolveu ignorar a circular que proibia a concessão de vistos a judeus, achou aquilo um absurdo, e por risco e conta dela continuou a preparar os processos, à revelia das ordens do Itamarati e de seus superiores no consulado. Como ela despachava outras coisas com o cônsul geral, no meio dos papéis enfiava os vistos. Muitos judeus vinham de outras cidades mas para que os seus passaportes pudessem ser processados em Hamburgo, tinham que provar que moravam na região. Ela conseguia os atestados, e quando entravam com os papéis, já tinham esta dificuldade resolvida”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracy e Rosa se conhecem e iniciam um relacionamento que perduraria até a trágica e prematura morte do escritor em 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa sabe o que Aracy faz, com grande risco. “Como cônsul-adjunto, ele não era responsável pelos vistos, mas sabia o que minha mãe estava fazendo. E apoiava”, diz Eduardo. “Os vistos eram assinados pelo cônsul geral”, lembra ele. Se descobertos, os dois poderiam ter tido o mesmo destino de Olga Benário Prestes, entregue por Getúlio à Gestapo. Ele, no mínimo, perderia o cargo. A cúpula do governo Vargas estava convencida de que os judeus, que Hitler queria extinguir da Europa, e que procuravam refúgio em qualquer país que os acolhesse, poderia comprometer a “boa” formação do povo brasileiro. Deveriam, portanto, ser impedidos de entrar no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que ela não acatou as ordens de Getúlio, abandonando os judeus à própria sorte? “Porque não era justo”, ouvi dela uma única vez, em seu estilo reservado, como se arriscar a vida por gente que ela nem conhecia pessoalmente fosse uma atitude óbvia. Pena que muitos se esqueceram disso quando Hitler parecia ter dominado a Europa, era admirado e copiado por Getúlio, e os judeus enviados aos milhões para campos de extermínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gesto heróico de Aracy recebeu dezenas de homenagens, entre as mais importantes, uma placa em seu nome no &lt;em&gt;Jardim dos Justos&lt;/em&gt;, no Museu do Holocausto, em Jerusalém (veja fotos). Até há pouco, era o único nome brasileiro. Recentemente, ganhou a companhia de Luiz Martins de Souza Dantas, o embaixador em Paris durante a guerra, que também arriscou a vida salvando judeus. Aracy ganhou uma placa também no Museu do Holocausto de Washington. E foi homenageada diversas vezes pela comunidade judaica brasileira, onde é conhecida como o “Anjo de Hamburgo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Margareth Bertel Levy, ou dona Margarida, como prefere ser chamada, e seu marido, o cirurgião-dentista Hugo Levy, já falecido, são alguns entre os judeus que Aracy ajudou a salvar. “Ela me levou pessoalmente ao navio, usando seu passaporte diplomático”, lembra. Dona Margarida e seu marido, como muitos outros judeus que moravam na Alemanha, subestimaram o perigo representado pela ascensão de Hitler ao poder. “Hamburgo tinha tradição de uma cidade liberal e imaginávamos que estivéssemos a salvo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ela foi realmente um anjo que entrou na nossa vida”, diz alguém que acompanhou o asilo de Geraldo Vandré na casa de Aracy, em 1968. “Artistas na época foram presos e sofreram muito”, diz. “Graças a Aracy, Vandré conseguiu fugir para o Uruguai sem ser molestado”. Detalhe: Aracy não conhecia o cantor e compositor. Sabia apenas que ele tinha trabalhado no filme de 1965 de Roberto Santos &lt;em&gt;A hora e a vez de Augusto Matraga&lt;/em&gt;, baseado no conto homônimo de Guimarães Rosa, e do qual Vandré foi co-produtor, autor da trilha sonora, e ator. E que estava sendo procurado pela ditadura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diário de Hamburgo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro de setembro de 1939. Os alemães invadem a Polônia. Começa a Segunda Guerra Mundial. Aracy continua dando vistos para judeus, arriscando o emprego e a vida. Guimarães Rosa a apóia, e de qualquer forma, como tinham uma relação pública, teria sido de qualquer forma considerado cúmplice. A partir de 1940, a aviação britânica começa a bombardear alvos estratégicos em diversas cidades da Alemanha, entre elas Hamburgo. “Ainda me lembro do barulho das sirenes”, recorda-se Eduardo, na época ainda criança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa mantém então um diário de guerra, ainda inédito, onde anota o terror produzido pelos aviões da RAF. “Há muitos recortes de jornais, e pela forma como os recortes estão colados, e pelos comentários, é possível ver o que está acontecendo na Alemanha no período”, diz Wander Melo Miranda, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, e diretor da editora da UFMG. O livro foi preparado para publicação por dois professores brasileiros e um alemão, mas ainda não tem data prevista para publicação. “É o único diário sobre a Segunda Guerra Mundial escrito por um grande nome da literatura latino-americana”, diz Miranda. É de se prever que o "Diário de Hamburgo” , como vem sendo chamado, teria enorme repercussão na Alemanha, onde Guimarães Rosa é particularmente reverenciado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sabemos ainda se o livro poderá ser lançado”, diz Miranda. “É um trabalho bem feito, do qual temos orgulho. É um livro que interessa a tipos diferentes de públicos: historiadores, críticos literários, alemães, judeus, os habitantes de Hamburgo, e enfim, aos admiradores do escritor no mundo todo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só no diário engavetado que Guimarães Rosa deixou suas impressões antitotalitárias: sabe-se hoje que ele chegou a ser denunciado na Gestapo por suas posições políticas. É o que revelaram pesquisadoras brasileiras que encontraram nos arquivos da polícia política alemã queixas então encaminhadas pela chancelaria do Terceiro Reich ao Ministério das Relações Exteriores, dando conta que o então cônsul adjunto fizera declarações contrárias ao regime de Adolf Hitler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ironia do destino, Aracy, que teria tanto para contar, hoje com 98 anos, pouco se recorda. “Até os anos 90 ela ainda estava ativa, e tinha muitos amigos dos tempos do Itamarati. Mas com o tempo, foram morrendo e Aracy foi se apagando”, lamenta uma amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Dona Margarida, salva por Aracy, imigrou para o Brasil, e continua sua amiga até hoje, ainda lembra: “Quando fomos a primeira vez ao seu encontro, o cônsul-geral foi muito gentil. Mas subitamente, de uma hora para outra, tornou-se anti-semita. Sabendo da nossa amizade, disse a Aracy que ela estava proibida de ter amigos judeus. Ela respondeu que ele não tinha o direito de se meter na sua vida”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escondendo Geraldo Vandré&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1968, o ano que não acabou, como definiu Zuenir Ventura. Mal refeita da morte do marido, vem o AI-5. Aracy toma parte em reuniões contra a ditadura, onde fica sabendo que Geraldo Vandré está sendo procurado pelos militares. “Um dia recebi um telefonema de alguém que se identificou como sendo a sua governanta”, diz uma pessoa que acompanhou a história, e que prefere não se identificar por razões familiares. “Disse que se precisasse de algo, ela estaria pronta a ajudar. Foi como um anjo que caiu do céu na hora certa”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vandré ficou escondido no apartamento onde o escritor vivera, e onde morrera um ano antes. Com vista para o Forte de Copacabana, ironicamente, Vandré acompanhava do gabinete de trabalho onde fora escrito &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt; a movimentação do exército no encalço dos perseguidos políticos da época - ele mesmo inclusive. O mais curioso é que Vandré encarnara como ninguém o jagunço do sertão nordestino na canção popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão entre Rosa e Aracy, afinal, não é difícil de entender. Suas personalidades combinavam. Primeiro, o interesse por línguas. Ele, um poliglota rematado, como uma vez se definiu, com o humor blasé reservado aos gênios: “Falo alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, além de falar diversas línguas, era bonita, educada, interessada em arte, história e literatura, e acima de tudo, uma humanista corajosa. Enfim, alguém de quem se poderia dizer o mesmo que Riobaldo no começo do &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt;: “O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Divêrjo de todo mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre – o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracy parece ter colocado na cabeça a idéia de que o anti-semitismo em ascensão na Alemanha era uma idéia errada. E foi até o fim apesar dos riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 de agosto de 1942. Submarinos alemães torpedeiam o navio brasileiro &lt;em&gt;Baependi&lt;/em&gt;. No dia 31 de agosto o Brasil declara guerra à Alemanha. Diplomatas brasileiros, entre eles Cícero Dias, Cyro de Freitas Vale, além de Guimarães Rosa e Aracy, são mantidos em custódia por mais de quatro meses em Baden-Baden, e finalmente trocados por diplomatas alemães. Guimarães Rosa e Aracy embarcam para o Brasil, via Stutgart, Madri e Lisboa. Fim do Diário de Hamburgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um chamado João&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal se instala no Rio. Como não podem se unir legalmente – ainda não existe o divórcio no Brasil - se casam por procuração, no México, como era de praxe na época. Ele ainda tem cargos diplomáticos de grande importância – é nomeado, por exemplo, para a Conferência de Paz em Paris. Dedica-se cada vez mais à literatura. Em 1946 publica &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;. Em 1956 aparece &lt;em&gt;Corpo de Baile&lt;/em&gt; e logo depois &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;. “Eu era menino ainda”, recorda-se Eduardo. “Mas lembro bem dele lendo trechos em voz alta para minha mãe”. Aracy abdica da carreira diplomática: prefere ficar ao lado do escritor, cuja projeção começa ganhar dimensões internacionais. Durante o governo JK ele ganha status de embaixador (e não em 1963, como diz a &lt;em&gt;Enciclopédia Britânica&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1965. Rosa é traduzido e publicado na França, Itália, Estados Unidos, Canadá e Alemanha. Depois Polônia, Holanda, Tchecoslováquia. No apartamento com vista para o mar, em Copacabana, onde ele continua retocando interminável e obsessivamente seus livros, e colecionando as edições internacionais que se avolumam, o casal recebe a elite intelectual da época: o crítico brasileiro (nascido na Hungria) Paulo Rónai; o tradutor para o alemão Curt Meyer-Clason; o crítico Willi Bolle; seu editor americano e também amigo pessoal, Alfred Knopf; o tradutor para o espanhol Angel Crespo; o crítico francês Renard Perez; o tradutor para o italiano Edoardo Bizzarri, com quem manteve riquíssima correspondência, publicada no Brasil e na Itália... Enfim, a lista é infindável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, 19 de novembro de 1967. Três dias após tomar posse na Academia Brasileira de Letras, o que vinha adiando há anos devido ao receio de não resistir à emoção, Guimarães Rosa brincava com a neta favorita, Vera Tess, no seu escritório. Como fazia todo domingo, Vera saiu com a avó Aracy para ir à missa ao final da tarde, na igrejinha do Forte de Copacabana. “Na volta para casa, eu levava pipoca para ele”, lembra Vera, hoje uma psiquiatra em São Paulo, mãe de dois filhos, o primogênito chamado João, em homenagem ao escritor. “Naquele domingo, ao entrar no escritório, encontrei-o parado em frente à escrivaninha. Soube depois: estava tendo o enfarte”, recorda na introdução do &lt;em&gt;Ooó do Vovô!&lt;/em&gt;, uma coletânea de cartões postais enviados por Rosa às netas Vera e Beatriz Helena, publicada em 2003 pelas editoras da USP e da PUC de Minas (veja abaixo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1973. Tom Jobim grava o seu álbum &lt;em&gt;Matita Perê&lt;/em&gt;, talvez sua obra mais importante, e certamente, a melhor tradução musical da obra de Guimarães Rosa. Nele, em uma faixa dedicada ao escritor, resume a perplexidade do mundo com o seu desaparecimento prematuro, seis anos antes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por maus caminhos de toda sorte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscando a vida, encontrando a morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela meia rosa do quadrante Norte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebendo aviso entortou caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Nor-Nordeste para Norte-Norte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na meia vida de adiadas mortes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estranho chamado João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sete caminhos de setenta sortes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setecentas vidas e sete mil mortes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse um, João, João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deu dia claro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deu noite escura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deu meia-noite no coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Aracy, aos 98 anos, vive em São Paulo, com o filho Eduardo e a nora Beatriz Tess.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculhando a biblioteca da Universidade de São Paulo, movido pela curiosidade de saber como a palavra “nonada”, a primeira de &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;, foi traduzida para línguas como alemão, inglês, espanhol e italiano, me dou conta que devo a minha vida e a de meus pais a pessoas como Aracy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como judeu polonês, meu pai era considerado cidadão de segunda classe em seu próprio país, com direitos limitados (não podia freqüentar bibliotecas e universidade). E sobreviveu aos nazistas apenas por que nem todos se renderam à barbárie totalitária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dele, e também de minha mãe, não foi Aracy, mas outras pessoas que os salvaram, arriscando suas vidas. Já grande parte da minha família não teve a mesma sorte. Meu avô paterno morava no Gueto de Varsóvia de onde a partir de julho de 1942 centenas de milhares de judeus começaram a ser deportados para campos de concentração. Em vagões de gado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o judaísmo, quem salva uma vida, salva uma parte da humanidade, porque salva toda sua infinita descendência. Para estes, por maiores que sejam, as homenagens nunca serão suficientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;René Decol é jornalista e doutor em ciências sociais pela Unicamp. Nascido em São Paulo, filho de sobreviventes do holocausto, está escrevendo um livro sobre imigração judaica para o Brasil&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116644808143799214?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116644808143799214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116644808143799214&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116644808143799214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116644808143799214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_12_01_archive.html#116644808143799214' title='Uma certa Aracy, um chamado João'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116644797098705471</id><published>2006-12-18T11:17:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T15:23:53.336-02:00</updated><title type='text'>Meu avô Joãozinho</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Introdução ao &lt;em&gt;Ooó do Vovô! : Correspondência de João Guimarães Rosa, vovô Joãozinho, com Vera e Beatriz Helena Tess&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera Tess&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracy, minha avó, e João Guimarães Rosa, Joãozinho para ela, conheceram-se em 1938, no Consulado Geral do Brasil em Hamburgo, onde ela trabalhava. Ele, após ingresso na carreira diplomática, assumiu como cônsul adjunto, seu primeiro posto no exterior. Ambos desquitados. Foi quando começou uma história de amor que durou quase trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1942 houve o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha e posterior declaração de guerra. Na troca de diplomatas brasileiros e alemães, os brasileiros, após permanecerem sob internato na cidade de Baden-Baden, vieram para o Rio de Janeiro. Meu avô seguiu a carreira, enquanto minha avó deixou o Itamarati.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moraram inicialmente na praia do Russel, no Flamengo e depois na rua Figueiredo de Magalhães, em Copacabana. Posteriormente fixaram residência na rua Francisco Otaviano, 33, no Posto 6, no Arpoador, onde ele veio a falecer. Foi ali que o conheci e convivi com ele, infelizmente por tão pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morávamos em São Paulo, meus pais, Edu e Bia, e meus quatro irmãos: Beatriz Helena, minha irmã, mais velha um ano, a quem eu chamava de "dois-neném" (eu era a número um, claro!); e meus irmãos mais velhos, Eduardo (Bite), Luiz Renato (Uiz Renato) e Plínio (Pínio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caçula, eu não ia ainda para a escola, o que me permitia passar mais tempo no Rio. Os cartões, escritos entre 1966 e 1967, quando eu tinha entre 3 e 4 anos de idade, eram como vovô Joãozinho me convidava para mais uma temporada no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorei a falar (por pura preguiça, diziam), limitava-me a apontar para os objetos que eu queria pegar, chamando-os de "ooó". Daí meu avô carinhosamente chamar-me de "ooó do vovô". Nos cartões e nas anotações ele recriava um universo completamente familiar para nós dois, reproduzindo sons, imagens, objetos e personagens, numa linguagem sedutora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse material - cartões, anotações, cartas e desenhos feitos por mim e por minha irmã, junto com recortes de jornal sobre o autor João Guimarães Rosa com anotações suas para mim - foi guardado pela minha avó por anos. Em 1998, quando levamos os manuscritos do Grande Sertão: Veredas para Guita e José Mindlin nos orientar sobre como conservá-los, levei também estes cartões. Começou aí toda a história de publicá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovô Joãozinho não era meu avô biológico, mas meu avô de coração e de fato, o único que conheci. Era o vovô que contava estórias, muitas estórias, que fazia dormir cantando músicas de ninar, que levava ao Zoológico - adorávamos o Zoológico do Rio - que escrevia cartas e desenhava cartões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele morreu, num domingo, 19 de novembro de 1967, eu tinha quatro anos e três meses. Três dias depois da posse na Academia Brasileira de Letras. Estávamos no Rio para a cerimônia, meus pais e eu. Meus pais voltaram para São Paulo na manhã do dia 19, e eu fiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os domingos, quando eu estava no Rio, minha avó e eu íamos à missa ao final da tarde, na igrejinha do Forte de Copacabana, que ficava justo ao lado do edifício. Na volta para casa, eu levava pipoca para ele. Naquele domingo, ao entrar no salão dos fundos, onde ficava,seu escritório, encontrei-o parado em frente à escrivaninha e chamando-me ..." ooó". Soube depois: estava tendo o enfarte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha última lembrança, ele está deitado num dos quartos, vestido com o fardão da Academia Brasileira de Letras, muita confusão no apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez que releio esses cartões, sinto um carinho imenso por esse "vovô queído" e muita pena por não ter tido mais tempo com o nosso vovô Joãozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116644797098705471?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116644797098705471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116644797098705471&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116644797098705471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116644797098705471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_12_01_archive.html#116644797098705471' title='Meu avô Joãozinho'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116526280309649593</id><published>2006-12-04T17:55:00.000-02:00</published><updated>2006-12-09T20:17:59.960-02:00</updated><title type='text'>Um amigo chamado João</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"Debaixo desta casca de civilizado, o que há é um jagunço. É o que sou. Comigo injustiça se corrige é a bala"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;João Guimarães Rosa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o lançamento da edição de 1992 de &lt;strong&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/strong&gt;, o jornalista Franklin de Oliveira escreveu uma introdução, que acabou desaparecendo das edições mais recentes. Nela, o jornalista e crítico literário, que se tornara amigo pessoal de Rosa, traça uma biografia suscinta do escritor. O texto foi editado por questões de concisão e clareza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lembranças: Rosa, relógio de sol&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franklin de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo recordando o meu primeiro encontro com João Guimarães Rosa. Aconteceu em 1945 . . . Erymantho Coelho da Silva era o meu amigo mais íntimo. Mineiro, de Barbacena, fora o primeiro professor de inglês de Guimarães Rosa, quando este se preparava para ingressar por concurso no Itamarati. Erymantho ia sempre lá na casa de Rio Branco, bater papo com o Rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha saído &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, provocando uma revolução na imprensa. Um dia Erymantho me disse: "Sabes? Estive ontem com o Rosa e ele falou em ti. Eu disse a ele que além de trabalharmos na mesma empresa, éramos grandes amigos. Ele me pediu para te levar ao seu gabinete." Recusei. Recusei não só uma, mas várias vezes: "Sou bicho de concha, gosto de ficar quieto no meu buraco." Mas, uma tarde, o Erymantho, ao voltar do Itamarati, me disse: "O Rosa me deu um ultimato. Quer que te leve a ele amanhã às 13 horas. (Rosa era o chefe de gabinete do chanceler João Neves da Fontoura.) Disse-me que se eu não te levasse, ele romperia comigo." E perguntou: "Agora, vai ou não vai? Vai ou vai querer que eu perca um amigo como o Rosa?" Não tive outro remédio, senão responder: "Se é assim, vou."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao Itamarati, o Erymantho apresentou-me ao Rosa, que mandou fechar as portas do gabinete e desligar os telefones. Ficamos a tarde inteira conversando. À hora de sairmos, ele puxou uma das gavetas de sua mesa de trabalho, retirou de lá um exemplar da primeira edição de &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, escreveu a dedicatória: "A F. de O., que me faz acreditar ainda mais nas coisas em que mais acredito, com a crescente e inevitável amizade do G. R." Deu-me um abraço e disse: "Não te largo mais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Calado, que conhece a história, uma vez me disse: "E não te largou mais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa nasceu no dia 27 de junho de 1908, em Cordisburgo, nos arredores da gruta descoberta pelo naturalista dinamarquês Lund, motivo porque Rosa por vezes chamava a sua terra de Lundlândia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1918, o seu padrinho e avô Luís Guimarães o leva para Belo Horizonte, matriculando-o no Colégio Arnaldo. Concluído o ginásio, matricula-se Rosa, em 1925, na Faculdade de Medicina de BH. Formado, é o orador da turma. Em 1930 casa-se em Belo Horizonte. No ano seguinte inicia a sua carreira de médico em Itaúna, no oeste mineiro. Em 1932, quando São Paulo se insurge contra a ditadura de Getúlio Vargas, Rosa ingressa como voluntário na Força Pública Mineira, na qual mais tarde se torna oficial médico, via concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1934 faz concurso para o Itamarati, tendo conquistado o segundo lugar. Via na diplomacia um meio de conhecer o mundo, coisa que, como menino pobre, jamais poderia fazer. Seu primeiro posto na carreira foi o de cônsul na Alemanha (Hamburgo, 1938), onde conheceu sua segunda mulher, que seria a companheira de toda a vida - Aracy Moebius de Carvalho, que ele tratava carinhosamente de Ara. Com heróicas feijoadas aos domingos, ambos matavam as saudades do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1932 a José Olympio promove um concurso de contos. Rosa se inscreve com &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, título posterior do volume antes chamado de &lt;em&gt;Sezão&lt;/em&gt;. Graciliano Ramos votou num outro - um livro de Luís Jardim. Do júri, só Marques Rebelo votou em &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;. Graciliano depois se arrependeu e desandou à procura do autor que, a essa altura, andava longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estoura a guerra em 39. Cônsul adjunto em Hamburgo, Rosa dá proteção diplomática a todos os perseguidos políticos do nazismo. "Hitler era o demônio", cansou de me dizer. Com Ciro de Freitas Vale, embaixador do Brasil no Terceiro Reich, e Cícero Dias, Rosa foi confinado em Baden-Baden.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta ao Brasil. Demora pouco no seu país. É mandado para a Bolívia, como secretário da nossa embaixada. Em 1946 é nomeado chefe de gabinete de João Neves da Fontoura, ministro do Exterior. E logo a seguir é nomeado delegado brasileiro junto à Conferência da Paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta em 1942. Nesse ano, Rosa empreende a viagem ao pantanal matogrossense, cujo perfil retrata na rapsódia "Com o vaqueiro Mariano". Ele é o descobridor do paraíso ecológico do Brasil Central. Publicado no &lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;, "Com o Vaqueiro Mariano" é reeditado em plaquete, com ilustrações de Darel Valença Lins, em Niterói, em 1952.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De 1948 a 1952, ei-lo em Paris como primeiro secretário e ministro conselheiro da nossa embaixada na França. Em 52 retoma ao Brasil e, de novo, é nomeado chefe de gabinete do chanceler João Neves da Fontoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1956. Este é o seu grande ano. Publica, em maio, os dois volumes do livro de novelas &lt;em&gt;Corpo de Baile&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;, pela José Olympio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de João Neves da Fontoura. Espírito supersticioso, adia a data da posse. Diante dos incessantes adiamentos, Austregésilo de Ataíde chega a lhe propor considerá-lo empossado. Rosa recusa até que chega o dia 16 de novembro de 1967, marcado definitivamente para a investidura acadêmica. A posse equivale a uma nova consagração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha telefone em casa, e não ouvia rádio nem televisão. Na manhã de 20 de novembro, tínhamos encontro marcado para o almoço. Ao sair de casa, para tomar o ônibus, para ir ao seu encontro, na esquina da avenida Bartolomeu Mitre com a praça Antero de Quental, numa banca de jornal, vejo &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; dependurado, com o retrato do Rosa com a farda acadêmica no alto da primeira página. Aproximei-me, pensando que era ainda matéria sobre a posse. Não. Era a notícia de sua morte súbita. O choque foi brutal. A sua brutalidade perdura há um quarto de século, com toda a sua crueldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui direto para a Academia. Lá estava o meu amigo. Dizia ele: "Não se morre: fica-se encantado." Conversando com Aracy, ele, em varias oportunidades, pedira para ser sepultado com os óculos. Já desenganado, num hospital de Zurique, Thomas Mann vivia no seu semicoma mirando o anel com uma turmalina verde que ganhara da filha Erik, ao fazer oitenta anos. Miguilim quis levar para o lado escuro da vida os seus óculos de míope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que Rosa deixou a medicina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não admitia que um doente morresse em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medicina dera-lhe várias paixões na sua vida. Entre estas,estavam as serpentes, que ele considerava o símbolo da perversidade. Resolveu estuda-las. Um dia, estava no campo, perseguindo uma, quando um enxadeiro lhe deu o sábio conselho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Moço, com mulher e com cobra não se brinca."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa aceitou a segunda parte do conselho. E continuou a achar a mulher uma invenção maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa era extremamente cioso de sua vida íntima. "Quem quiser me conhecer, procure-me nos meus livros", dizia aos leitores que o procuravam no Itamarati. Polido, recebia as pessoas com extrema delicadeza, mas nada de intimidade. Um contínuo, negro, quando me encontrava no Itamarati, dizia-me, referindo-se ao Rosa: "Aquilo sim é que é 'deplomata' leal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minucioso, anotava tudo, pois aprendera com Goethe que na natureza, nada se repete, não há coisa que seja igual a outra. Se lhe faltava papel, fazia anotações nos punhos da camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos sentimentos humanos, aquele que mais o perturbava era a inveja. E me lembrava sempre o episódio bíblico de Caim e Abel, acrescentando que nós ambos éramos muito expostos a tal sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia lendo. Mas não guardava livros: praticamente não tinha biblioteca. Tinha uma pequena goethiana, selecionadíssima. Livro de poesia, nenhum. Para o Rosa, a música e a prosa eram as duas formas de arte suprema. Assinalava nos livros que lia as passagens que lhe interessavam, mas com lápis de variadas cores. Não se sabia se as marcas eram de concordância, de discordância ou dicas para a formulação de novos pensamentos. Não dava a chave da mina a ninguém. Nos seus textos, fazia questão da tipologia. E quando achava lindo o nome de um lugar, como Buriti de Inácia Vaz, não hesitava em deslocá-lo do Maranhão para uma região mineira que fosse cenário de suas narrativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me pegava em casa, toda manhã, no carro do Itamarati e descia para a cidade, pela Gávea. Na altura do Jardim Botânico, mandava o carro parar, e ficava olhando as palmeiras com olhos de mirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não suportava injustiças. E me dizia: "Debaixo desta casca de civilizado, o que há é um jagunço. É o que sou. Comigo injustiça se corrige é a bala."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1964, quando começou a caça às bruxas, quis que fosse me asilar na casa dele. Recusei: poderia comprometê-lo e eu não tinha esse direito. Só quando viu que não me demoveria da minha decisão, organizou uma lista de embaixadas nas quais eu pudesse buscar o direito de asilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a revista &lt;em&gt;Manchete&lt;/em&gt; publicou uma foto de cassados embarcando de avião para o exílio. E me incluíram entre os expatriados. Estava para sair a edição americana de &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;. Rosa enviou a Alfred Konpf, o editor estadunidense, uma cópia de meu artigo sobre as epígrafes de &lt;em&gt;Sagarana&lt;/em&gt;, com uma carta. Dizia que fazia questão da inclusão do meu texto na edição norte-americana, porque eu era perseguido político e ele queria dar um testemunho universal de sua solidariedade a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos ao embaixador Roberto Assunção a mais bela e exata definição de João Guimarães Rosa: relógio de sol - só marca as horas luminosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1955, por motivos políticos, eu estava desempregado. Um dia, a campainha do apartamento da rua Rainha Guilhermina, no Leblon, onde eu residia, toca. Era o Rosa: "Desenferruja a pena. O Antônio Calado está te esperando hoje às 16 horas no Correio da Manhã."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rosa trançara com o Paulo Bittencourt e o Pedro Lessa Speyer, mineiro de Montes Claros, sobrinho do grande Pedro Lessa, o meu ingresso no &lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;, em substituição ao Álvaro Lins, que estava deixando o jornalismo: iria ser o chefe da Casa Civil do presidente Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa praticava aquilo que os alemães chamam de "amizade combatente": atuava a favor do amigo, sem esperar que este lhe pedisse ajuda. E fazia tudo mineiramente, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Guimarães Rosa: quantas lembranças ficaram fazendo, de mim para mim, a vida mais bela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Junho de 1992&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116526280309649593?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116526280309649593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116526280309649593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116526280309649593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116526280309649593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_12_01_archive.html#116526280309649593' title='Um amigo chamado João'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116386988772609983</id><published>2006-11-18T15:10:00.000-02:00</published><updated>2006-12-06T13:09:43.810-02:00</updated><title type='text'>Blogs, Borat, et Balzac</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Celulares descartados estão virando problema ambiental. E os blogs estão ganhando força na França, um país onde escritores como Balzac buscavam inspiração... &lt;em&gt;comendo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;café... em pó!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocar de celular por um modelo mais novo, cheio de recursos, e blog, as grandes manias do momento. Ainda mais agora, que começam a entrar em cena os telefones portáteis de quarta geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A troca de celular é cada vez mais rápida, e já está se tornando um problema de meio-ambiente. Os americanos compram um modelo novo a cada 18 meses, os europeus a cada 15, e os japoneses a cada 9. Só os ingleses compram 15 milhões de aparelhos a cada ano. Segundo o Programa de Meio Ambiente da ONU, 50 milhões de celulares são descartados no mundo todo anualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sem contar que vem por aí uma nova geração: a quarta. Trata-se do celular com acesso a banda larga por preço fixo. Até agora, acessar a internet do aparelhinho era cobrado como luxo extra, e caro. Paga-se uma nota por cada byte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a nova geração permite o acesso à rede por uma taxa fixa, mensal. Assim, fica possível usar serviços como o Skype ou Messenger. Já pensou fazer uma ligação internacional de celular por Skype, sem pagar a taxa exorbitante que as operadoras cobram? E ler e atualizar o seu blog de qualquer lugar, a qualquer momento? Sem falar na hilária aparição do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wFWu7-koINo"&gt;&lt;strong&gt;Borat no programa David Letterman&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; que alguém colocou no YouTube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Liberté, egalité, fraternité ... et bloguer&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Technorati, o número de blogs no mundo todo passou de 1,6 a 26,6 milhões entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006: um crescimento de nada menos do que 16 vezes em dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que os blogs estão virando fenômeno justamente em um país não muito afeito à novidades: a França. Cerca de um terço de todos os blogs europeus são escritos no tradicional idioma de Flaubert, Balzac e Baudelaire. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Movido por café... &lt;em&gt;em pó&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em Balzac, ele era conhecido pela sua paixão pelo café. Conta-se que escrevia até quinze horas por dia, tomando dezenas de xícaras. Sem, é claro, deixar de frequentar a badalada vida social parisiense do início do século 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que descobri agora lendo Mark Pendergrast, autor de uma história desta fascinante bebida, é que Balzac ia de pó de café puro, com pouca água, em jejum... Então sentava e escrevia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado, pelo menos literário, era espetacular: “Tudo se torna agitado. As idéias rapidamente entram em marcha como batalhões de um grande exército... A cavalaria das metáforas desfila com um magnífico galope... Formas e personagens se levantam...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhece-se o efeito do amargo pó preto sobre o estômago vazio do autor de &lt;em&gt;As ilusões perdidas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que também gosto de bebericar um café enquanto escrevo. Mas não à moda do autor francês, que destilou sua ironia - quase digo 'cafeína' - na monumental &lt;em&gt;A comédia humana&lt;/em&gt; - um conjunto de 95 obras acabadas e 48 inacabadas... O meu, por favor, é com leite, e um pouco de espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dúvida assalta minha alma, para usar uma expressão da época: segundo meu amigo Dagomir Marquezi, blog vicia. Já pensou se Balzac tivesse um blog? E um celular de quarta geração? E uma daquelas latas de antigas de Nescau , cheia de... Nescafé? Do bom?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116386988772609983?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116386988772609983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116386988772609983&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116386988772609983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116386988772609983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_11_01_archive.html#116386988772609983' title='Blogs, Borat, et Balzac'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116328450180028437</id><published>2006-11-11T20:33:00.000-02:00</published><updated>2006-12-06T13:20:08.746-02:00</updated><title type='text'>Falha na mensagem</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Alguém já notou que as grandes tragédias acontecem por erros de comunicação? Eu estava em Miami, e uma ex-namorada no hotel mais chique da cidade. Foi aí que ocorreu um problema tecnológico. Grave...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia que alguém escrever a história das comunicações, dos tempos romanos à era da internet, terá de lembrar dos grandes erros que resultaram em tragédias . Um deles foi o Titanic. Descobriu-se recentemente que o serviço de meteorologia advertiu o célebre transatlântico, pelo telex, de que havia icebergs na sua rota. Acontece que o telex jamais chegou às mãos do capitão: ficou perdido em meio a uma montanha de telegramas enviados ao pessoal da primeira classe, com felicitações, votos de boa viagem, e outras bobagens. Em linguagem de hoje, uma mensagem de alta prioridade se perdeu no meio do &lt;em&gt;spam&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o desastre com a Challenger? O que aconteceu com a nave espacial americana, que explodiu em pleno vôo, menos de dois minutos após o lançamento, foi basicamente um erro de comunicação. Era um dia frio, e a Nasa sabia que abaixo de uma certa temperatura o lançamento era arriscado porque os anéis de borracha que vedam os foguetes ficam rígidos, e podem arrebentar como um elástico velho. Só que naquela manhã a temperatura estava bem no limite. A Nasa consultou o fabricante dos foguetes, que respondeu, através de fax, que não haveria maiores problemas. A prova: um gráfico, feito à mão, que mais tarde se revelou mal feito, e que não revelava a dimensão do problema. Resultado: sete mortos e bilhões de dólares de prejuízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também enfrentei um problema de comunicação em minha última viagem aos Estados Unidos. Tenho uma ex-namorada americana (Pris, para omitir o nome verdadeiro, e fazer uma homenagem à célebre andróide de &lt;em&gt;Blade Runner&lt;/em&gt; representada por Darryl Hannah), com quem me comunico muito por email. Temos um entendimento bom, e vivemos fazendo brincadeiras um com o outro. Coisas de ex-.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidiu que ela ia estar em Miami bem quando eu tinha de voltar ao Brasil. Como meu vôo saia de Miami, e ela estaria hospedada no hotel mais novo, caro e metido da cidade, participando de um desses eventos de empresa, perguntei se poderia bancar o maridão. (Ela está solteira). Ganharia duas noites no badalado cinco estrelas de South Beach. “Claro”, respondeu ela por email. Peguei um avião no aeroporto de La Guardia, em Nova York, e como sempre, enquanto aguardava o vôo, entrei na internet e chequei os emails. “Estou chegando”, mandei um pra ela. Achei o endereço do hotel no Google e anotei na Palm.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Até pouco tempo, as redes sem fio nos aeroportos eram de graça. Agora, já estão cobrando até pela energia elétrica. Como eu não queria pagar cinco dólares só pra enfiar um plug na tomada, deixei o notebook na bateria. É um modelo barato, de 500 dólares, e seu único problema é que a bateria dura pouco. Fora isso, tem wi-fi e funciona bem. Fiquei atualizando o blog até acabar a bateria. E embarquei rumo a Miami.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei no hotel por volta da meia-noite e me dirigi ao concierge: “Minha mulher está hospedada para um evento da empresa..." Como era mesmo o nome da agência de publicidade onde ela trabalha em Dallas? Enfim, enrolei, tal e coisa, e coisa e tal. Afinal, será que poderiam checar o número do quarto dela e anunciar minha chegada? Como eu já estava em fim de viagem, tinha sobrado pouca roupa, na verdade apenas uma camiseta branca de manga comprida, dessas que parecem mais um pijama. Toda amassada. Mas parece que em Miami ninguém liga pra essas coisas. Olhei em volta. Sim, tinha gente mais mal vestida que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O concierge, sempre muito educado, achou o quarto da Pris e ligou. Ninguém atendeu. Claro, ninguém fica no quarto, tendo toda a vida noturna de South Beach à disposição, inclusive o bar onde meu amigo Fernando toca música brasileira. Ela adora música brasileira. Deve ter levado o pessoal do trabalho pra ver o show do Fernandão, pensei, todo otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já era tarde, e eu ali com as malas. Tentei o celular. Várias vezes. Caixa postal. Vários torpedos. Nada. Fiquei andando de um lado para o outro, um tempão, tentando os vários números que tinha no meu celular. Como estava com um GSM novo, com chip local, tinha diversos números , depois de diversas trocas de cartão SIM, backups e sincronizações. Tentei todos, mas sempre caía em alguma caixa postal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente vi alguém chegando. Parecia a Pris. Eu estava sem óculos, a gente não se via há anos, e nunca tinho visto ela vestida tipo “evento de negócios”. Achei que só podia ser ela. "Aí vem minha esposa”, disse feliz ao concierge. Não, não era. A mulher passou batido. O concierge me olhou como quem pensa: “Então o cara não conhece a própria esposa... Qual será o golpe?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sabe, bem, na verdade é minha ex-mulher, e a gente não se vê faz anos...", enrolei com a maior cara de pau. "E mulher tem esse negócio: bem vestidas todas se parecem, não acha?”, brinquei. Não, ela parecia não ter achado a menor graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que lembrei que a Pris não usa mais celular. Usa Blackberry. Muita gente nos Estados Unidos já aposentou o celular em troca da nova mania. Àquela hora (uma da madrugada, eu morrendo de fome e sono), só conseguiria me comunicar com ela mandando um email para o Blackberry. “Será que tem tomada aqui no lobby pra recarregar meu notebook? Minha bateria morreu”, perguntei. Não, não havia tomada no lobby do hotel mais chique e caro de Miami. Tinha piano de cauda, esculturas de mármore, janelas de vidro que davam para a piscina ou para o mar, arranjos de plantas exóticas, tudo menos uma simples tomada... E pior, o concierge cada vez mais desconfiado. “Ah, a bateria morreu?”, podia ler seus pensamentos. “Você vai ver o que vai acontecer a você quando eu chamar a segurança...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o bacana da democracia americana é que todo mundo é tratado por igual, com o mesmo respeito, principalmente se você tem um cartão de crédito. O concierge disse que eu poderia acessar a internet no "business center", que é como eles chamam a sala onde ficam os computadores. Subi em busca da tomada perdida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de tomada no business center. Um monte de computador, nenhuma tomada disponível. Não ia arriscar mexer nos fios e dar um curto-circuito no badalado cinco estrelas de South Beach. Entrei na internet pelo sistema do hotel, tendo para isso, obviamente, que usar o cartão de crédito. Lá estava a resposta da Pris à mensagem que eu mandara do La Guardia: “Você tá falando sério? Pensei que estivesse brincando”. Não, ela não contava comigo. E não era o lugar e o momento de "discutir a relação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que caiu a ficha: ocorrera uma grave falha de comunicação, um erro tecnológico, um desastre comparável ao Titanic ou à Challenger. Precisava de um plano B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci, e para minha sorte, havia acabado de acontecer a troca de turno: já era outro concierge. Perguntei o preço do quarto mais simples. Uma noite era o preço de um monitor de cristal líquido, 19 polegadas, com entrada DVI e tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz uma longa pausa. “Sabe, tem um problema”, disse com cara de contrariado. “Vocês não tem tomada no lobby, e fui lá em cima inspecionar, nem no business center. Uso programas muito complexos, que usam muita memória e energia. Preciso recarregar a bateria frequentemente”. O concierge parecia desolado. “Mas temos acesso banda larga nos quartos", disse ele, quase pedindo desculpas. "Mas eu não quero ficar trabalhando no quarto. Só trabalho ouvindo música. Quero trabalhar no lobby, ao lado do piano", menti. Afinal, até então, o pianista, pra lá de careta, só tinha tocado versões chorosas de &lt;em&gt;La vie en rose&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Besame mucho&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;Tema de Lara&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como vai ser quando acabar minha bateria? Vou ter de subir ao quarto? Costumo trabalhar horas a fio. Um hotel desta categoria deveria pensar nestes detalhes", disse como quem não tivesse aprovado as instalações. O concierge garantiu que iria encaminhar a reclamação à gerência assim que amanhecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cara de decepcionado com mais esta mancada dos nossos irmãos do norte, chamei ele meio de lado, e bem à brasileira, perguntei: “Vem cá, onde é que fica o Ibis mais próximo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte almocei com a Pris. E comprei o monitor LCD de 19 polegadas. É ótimo. Tem bem mais definição que o meu antigo Sony.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116328450180028437?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116328450180028437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116328450180028437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116328450180028437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116328450180028437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_11_01_archive.html#116328450180028437' title='Falha na mensagem'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-116016013984730425</id><published>2006-10-06T15:21:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T19:36:27.050-03:00</updated><title type='text'>As armas secretas da música</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Todo mundo tem um disco especial, um LP de vinil (também conhecido como bolacha), que trata como se fosse a coisa mais preciosa do mundo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;George Bush pode não ter encontrado as tais armas de destruição em massa no Iraque. Mas o jornal britânico &lt;strong&gt;The Guardian&lt;/strong&gt; pediu a 49 músicos, produtores e escritores, que revelassem suas armas secretas, suas preciosidades musicais guardadas à sete chaves. O resultado, uma compilação publicada na edição de 6 de outubro de 2006, ficou tão boa, que aqui reproduzo o link. É uma coleção de 49 raridades que raramente chegaram à parada das dez mais da &lt;strong&gt;Billboard&lt;/strong&gt;. Mas gente como Chrissie Hynde (ex-Pretenders), Nelly Furtado, e Roger McGuinn, ouviram essas coisas até furar o vinil. Como todo mundo tem um álbum assim, o &lt;strong&gt;Guardian&lt;/strong&gt; deixou o número 50 por conta dos leitores. Quem enviar a melhor dica, ganha 500 libras em CDs (o equivalente a 1.000 dólares, ou 2.400 reais). Pode parecer muito no Brasil, mas é bom lembrar que na Inglaterra um CD está por volta de 20 libras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard Hawley, por exemplo, revelou que sua bolacha preferida é a &lt;em&gt;Missa em fá menor&lt;/em&gt;, disco de 1968, da banda americana "Electric Prunes" ("Ameixas elétricas"), que ficou conhecida pela faixa "Kyrie Eleison" da trilha sonora do filme &lt;em&gt;Easy Rider&lt;/em&gt; (Sem destino), uma versão bem psicodélica da milenar (ou seria bilenar?) missa católica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que é uma das minhas bolachas favoritas também. Tenho o vinil da trilha desde tempos imemoriais. Os Electric Prunes começam cantando a missa como um coro beneditino, muito afinado, cantando à capela. Mas quando você pensa que pegou o disco errado, que em vez do Easy Rider você pegou foi a missa de domingo do Padre Marcelo, eis que surge um trio de guitarra, baixo e bateria quebrando tudo. Uma guitarra lisérgica lembra Jimi Hendrix. Soa totalmente surrealista ainda hoje. Imagine em 1969, quando o filme foi lançado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trilha toda do &lt;em&gt;Easy Rider&lt;/em&gt; é muito boa: inclui, entre outros, "If Six Was Nine", faixa do álbum &lt;em&gt;Axis, Bold as Love&lt;/em&gt;, do Jimi Hendrix, "Born to be Wild", e "The Pusher" do &lt;em&gt;Steppenwolf&lt;/em&gt;, o próprio Roger McGuinn (ex-Byrds), e mais uma porção de gente boa que sumiu desde que o filme foi lançado, ainda no milênio passado. Ouço sempre. Ou ouvia, até quebrar o toca-disco. Mas recentemente encontrei o CD no quarto do filho adolescente de uma ex-namorada. E claro, copiei para o meu iPod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a cantora canadense de ascendência portuguesa Nelly Furtado mencionou o disco do Tom Zé, de 1998, &lt;em&gt;Com defeito de fabricação&lt;/em&gt;, como melhor exemplo de world music.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O editor da seção &lt;em&gt;Rock&amp;pop&lt;/em&gt; do &lt;strong&gt;Guardian&lt;/strong&gt; é bom nestas coisas. Na edição de 16 de julho ele já tinha publicado uma matéria especial, intitulada &lt;em&gt;50 álbuns que mudaram a música&lt;/em&gt;, uma compilação de discos que fizeram a histório do rock e do pop. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntas, as duas matérias valem por uma verdadeira enciclopédia, com uma preciosa seleção de clássicos e raridades do universo pop. O cara é o próprio Diderot do rock &amp; roll.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que estou com vontade de mandar a minha sugestão, o meu álbum secreto preferido, e ver se faturo os CDs. É o disco da Zizi Possi onde ela regravou &lt;em&gt;Nunca&lt;/em&gt;, o grande clássico de Lupicínio Rodrigues, o grande mestre da dor de cotovelo, e que se não me falha a memória, é mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Nunca, nem que o mundo caia sobre mim&lt;br /&gt;nem se Deus mandar, nem mesmo assim&lt;br /&gt;as pases contigo, farei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca, quando a gente perde uma ilusão&lt;br /&gt;Tem de sepultar o coração&lt;br /&gt;Como eu sepultei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade, diga a esta moça por favor&lt;br /&gt;Como foi sincero o meu amor&lt;br /&gt;Como eu a adorei&lt;br /&gt;Tempos atrás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade, não esqueça também de dizer&lt;br /&gt;Que é ela que me faz adormecer&lt;br /&gt;Pra que eu viva em paz&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço sempre, principalmente quando brigo com uma namorada. Claro, já está todo riscado. Do jeito que as coisas andam, acho melhor comprar logo o CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://arts.guardian.co.uk/features/story/0,,1888537,00.html"&gt;&lt;strong&gt;As armas secretas do rock&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://observer.guardian.co.uk/review/story/0,,1821230,00.html"&gt;&lt;strong&gt;50 álbuns que mudaram a música&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-116016013984730425?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/116016013984730425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=116016013984730425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116016013984730425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/116016013984730425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_10_01_archive.html#116016013984730425' title='As armas secretas da música'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115802825080412292</id><published>2006-09-11T23:29:00.000-03:00</published><updated>2006-10-05T18:10:39.256-03:00</updated><title type='text'>Chansong</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma canção à maneira de Henri Salvador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ici à São Paulo&lt;br /&gt;C'est un jour comme les autres &lt;br /&gt;Sur le toit&lt;br /&gt;Au soleil couchant&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C'est un jour de vague à l'âme &lt;br /&gt;]'ai le nez à la fenêtre&lt;br /&gt;Je regard les bâtimentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L’autre jour, j’ai dit que tu es très charmant&lt;br /&gt;Mais c’était un mélange&lt;br /&gt;Avant la leçon de français&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Après la class de ‘Masculin et féminin’&lt;br /&gt;J’ai compris&lt;br /&gt;Que vraiment je vois dire que tu es charmante, avec un ‘e’ &lt;br /&gt;Parce que, plus que charmante&lt;br /&gt;Tu es douce et très féminine&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C’est un jour comme les autres&lt;br /&gt;Un de ces jours qui n' ont ni rime ni raison&lt;br /&gt;Une de tous ces jours qui n'osent pas dire leur nom &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J’étude la ‘Grammaire Progressive de Français’&lt;br /&gt;Et j’écoute Henri Salvador&lt;br /&gt;Parce que j’ai le blues de toi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115802825080412292?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115802825080412292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115802825080412292&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115802825080412292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115802825080412292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_09_01_archive.html#115802825080412292' title='Chansong'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115643635321757718</id><published>2006-08-24T13:04:00.000-03:00</published><updated>2006-08-25T20:02:17.143-03:00</updated><title type='text'>De línguas, sanguessugas e pizza</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Enfim, a solução do enigma: as tão esperadas traduções da frase da semana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Marco Aurélio Metatarso preparou algumas alternativas para a tradução da frase da semana: “Relator diz que CPI das sanguessugas não vai terminar em pizza”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que a expressão 'terminar em pizza' nasceu de uma polêmica entre os jornalistas Marco Chiaretti, então na &lt;em&gt;Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;, e Mino Carta, então diretor da &lt;em&gt;Isto É&lt;/em&gt;. Depois de uma calorosa troca de desaforos (por alguma razão hoje esquecida), os dois resolveram terminar civilizadamente a discussão em uma cantina, tomando um bom vinho, e comendo uma pizza, bem à moda paulistana. Nasceu assim, de forma inocente, a expressão que viria a tomar proporções inesperadas no campo da política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, em inglês ficaria assim:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;The relater says that the Congress Leeches Hearing will not end up in eating pizza Sunday night in an italian restaurant&lt;/strong&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que 'blood-suckers' também poderia ser usado, mas como se trata do Congresso Nacional achei que 'leeches' daria um tom mais oficoso à coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em francês:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;Le rapporteur dit que la Comission Parlamentaire de l'Inquisition des sangssuces ne va pas se terminer en pizza avec du bon vin au le bistrô&lt;/strong&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma leitora propõe as seguintes soluções, seguidas de um interessante comentário sociolingüístico:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;Reporter says bloodsucker's parliamentary inquiry commission will not end up in a pizza party. He would rather prefer a Blood Mary cocktail party and an ambulance to bring each one safely back home. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Le rapporteur de la commission parlamentaire de investigacion sur les boiveurs de sang ne finirà pas dans une fête a pizza. Il aimerà mieux une fête au Marie Sanguant et une ambulance pour bien conduire chaqu'un chez soi.&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;Fica demonstrada assim a origem euro-asiática desses costumes, que nós, tupiniquins, aimorés e tupinambás, apenas copiamos. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Cunhã bebe sangue de gente, mas não suga ninguém.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Como nem todos conhecem o significado exato da palavra &lt;em&gt;Cunhã&lt;/em&gt;, tomei a liberdade de copiar a definição do meu &lt;em&gt;Houaiss &lt;/em&gt;eletrônico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cunhã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;substantivo feminino &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regionalismo: Amazônia.&lt;br /&gt;1 mulher&lt;br /&gt;2 mulher jovem; cunhantã&lt;br /&gt;3 a mulher do caboclo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica assim cabalmente demonstrado que mesmo os mais escabrosos escândalos da política brasileira são fácil e plenamente traduzíveis para outras línguas e culturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora 'terminar em pizza' seja, portanto, uma expressão brasileira (tendo nascido deste hábito tão paulistano, a tradicional pizza numa noite de domingo), outras línguas têm expressões similares. Em alemão, por exemplo, se diz 'ir pro gato', numa alusão aos restos da comida que frequentemente vão parar no prato dos bichanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente deve haver similar em inglês e francês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tem alguma sugestão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115643635321757718?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115643635321757718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115643635321757718&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115643635321757718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115643635321757718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115643635321757718' title='De línguas, sanguessugas e pizza'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115593860733256064</id><published>2006-08-18T18:49:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T12:07:56.413-03:00</updated><title type='text'>Lingua franca</title><content type='html'>&lt;strong&gt; A partir desta semana, passamos a contar com a participação do professor Marco Aurélio Metatarso, especialista em linguística. Em sua coluna de estréia, ele propõe um exercício de tradução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo os jornais de hoje me ocorreu um excelente exercício para ampliar nosso vocabulário. A idéia é traduzir - ou pelo menos tentar - o noticiário de política no Brasil para outras línguas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, caro leitor. Vou propor a você um exercício. Tente traduzir para o inglês e para o francês a seguinte sentença: "Relator diz que CPI das sanguessugas não vai terminar em pizza". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tente. A resposta estará na próxima edição de &lt;em&gt;Lingua Franca&lt;/em&gt;. Não perca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115593860733256064?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115593860733256064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115593860733256064&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115593860733256064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115593860733256064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115593860733256064' title='Lingua franca'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115581547857639636</id><published>2006-08-17T08:46:00.000-03:00</published><updated>2006-08-18T19:24:15.390-03:00</updated><title type='text'>O novo CD de Henri Salvador</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O músico franco-brasileiro nascido na Guiana comemora 89 anos lançando um novo CD, com arranjos de Jaques Morelenbaum&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo lembra de &lt;em&gt;Dans mon îsle&lt;/em&gt;, a linda canção de Henri Salvador gravada nos anos 80 por Caetano Veloso, certo? O músico, nascido na Guiana, mas que fez toda sua carreira na França, ao completar 89 anos, está terminando de gravar um novo CD. O trabalho tem a participação de Gil e Caetano, e uma nova versão de &lt;em&gt;Dans mon îsle&lt;/em&gt;, desta vez cantada pelo próprio Henri Salvador, com arranjos do violoncelista e arranjador Jaquinho Morelenbaum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henri Salvador nasceu em 17 de julho de 1917 em Sinnamary, na Guiana Francesa, filho de pai de origem espanhola e mãe caribenha. A família se mudou para Paris em 1924, e ainda adolescente Henri descobriu a música através de Louis Armstrong e Duke Ellington.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava então a carreira de um compositor muito especial, exatamente pela mistura excêntrica de gênenros, do jazz à bossa nova, dos ritmos caribenhos ao blues, tudo devidamente acompanhado da melhor poesia francesa. Na França, fez parcerias com poetas de grande prestígio, como Boris Vian, e desde cedo criou laços estreitos com o cenário musical brasileiro. Seu maior sucesso no Brasil foi &lt;em&gt;Dans mon île&lt;/em&gt; na voz de Caetano Veloso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gravou seu primeiro disco solo em 1947 e compôs diversas trilhas para o cinema. Em mais de 50 anos gravou dezenas de LPs, e recebeu dezenas de prêmios, se apresentando no mundo todo, mas principalmente na França. Ele e sua mulher, Jacqueline, criaram seu próprio selo de distribuição ainda em 1972. Com a morte de Jacqueline em 1976, Henri se ausentou por algum tempo dos palcos. Mas em 1982 já estva fazendo sucesso de novo, e em 1994 publica sua autobiografia &lt;em&gt;Attention ma vie&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2001 lançou &lt;em&gt;Chambre avec vue&lt;/em&gt;, com o qual voltou a fezer grande sucesso depois de alguns anos de ostracismo, e em 2003 &lt;em&gt;Ma chère et tendre&lt;/em&gt;. Em 2005 foi escolhido padrinho do &lt;em&gt;Ano do Brasil&lt;/em&gt; na França, e se apresentou com Gilberto Gil para um público de 70 mil pessoas em Paris.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em abril deste ano voltou mais uma vez ao Rio para começar as gravações do novo CD, em fase final de mixagem. Deixou suas mãos gravadas na Calçada da Fama, em Ipanema, e reencontrou outro músico franco-brasileiro, o produtor George Henry. Eles não se viam desde a Segunda Guerra Mundial, quando trabalharam juntos na Orquestra de Ray Ventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto &lt;em&gt;Chambre avec vue&lt;/em&gt; como &lt;em&gt;Ma chère et tendre&lt;/em&gt; (leia resenha de Apoenan Rodrigues na &lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/1777/artes/1777_esse_mulato_e_luxo_so.htm"&gt;Isto É&lt;/a&gt;) estão disponíveis na &lt;a href="http://www.amazon.com/s.html/ref=br_ss_hs/103-0283741-6547013?platform=gurupa&amp;url=index%3Dblended&amp;keywords=henri+salvador&amp;Go.x=10&amp;Go.y=11"&gt;Amazon.com&lt;/a&gt;. E o site oficial do artista é &lt;a href="http://www.henri-salvador.com"&gt;www.henri-salvador.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dans mon île&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;(M. Pon - H. Salvador) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dans mon île&lt;br /&gt;Ah comme on est bien&lt;br /&gt;Dans mon île&lt;br /&gt;On n'fait jamais rien&lt;br /&gt;On se dore au soleil&lt;br /&gt;Qui nous caresse&lt;br /&gt;Et l'on paresse&lt;br /&gt;Sans songer à demain&lt;br /&gt;Dans mon île&lt;br /&gt;Ah comme il fait doux&lt;br /&gt;Bien Tranquille&lt;br /&gt;Près de ma doudou&lt;br /&gt;Sous les grands cocotiers qui se balancent&lt;br /&gt;En silence, nous rêvons de nous&lt;br /&gt;Dans mon île&lt;br /&gt;Un parfum d'amour&lt;br /&gt;Se faufile&lt;br /&gt;Dès la fin du jour&lt;br /&gt;Elle accourt me tendant ses bras dociles&lt;br /&gt;douces et fragiles&lt;br /&gt;Dans ses plus beaux atours&lt;br /&gt;Ses yeux brillent&lt;br /&gt;Et ses cheveux bruns&lt;br /&gt;S'eparpillent&lt;br /&gt;Sur le sable fin&lt;br /&gt;Et nous jouons au jeu d'Adam et Eve&lt;br /&gt;Jeu facile&lt;br /&gt;Qu'ils nous ont appris&lt;br /&gt;Car mon île c'est le paradis&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115581547857639636?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115581547857639636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115581547857639636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115581547857639636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115581547857639636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115581547857639636' title='O novo CD de Henri Salvador'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115576421494853628</id><published>2006-08-16T18:22:00.000-03:00</published><updated>2006-08-16T22:32:58.606-03:00</updated><title type='text'>O Brooklyn Museum</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Museu do Brooklyn é um dos maiores e mais antigos dos Estados Unidos. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era o correspondente ao &lt;em&gt;Metropolitan &lt;/em&gt;quando o Brooklyn era uma cidade independente. Quando se juntou à Nova York, foi ofuscado pelo Met. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que não tenha seus encantos. O acervo permanente tem nada menos do que a &lt;em&gt;Mulher em cinza &lt;/em&gt;de Picasso. É que com o Met ninguém pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há três anos ganhou uma reforma e tornou-se um museu bastante original, muito vivo e ligado à comunidade da região: o Brooklyn, o bairro onde Woody Allen nasceu, e que celebrizou em alguns de seus filmes, é conhecido pela sua diversidade étnica e cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1619/2987/1600/Brooklyn%20%2828%29.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1619/2987/200/Brooklyn%20%2828%29.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do Met e do Louvre, museus muito assediados por turistas (e que dá a eles um ar blasé, para não dizer entojado), o do Brooklyn é bem descontraído e amigável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O museu tem mostras temporárias de altíssimo nível: recentemente estavam em cartaz uma de arte e objetos africanos e outra sobre o Egito antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://spaces.msn.com/members/rdecol"&gt;Veja as fotos do museu do Brooklyn&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115576421494853628?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115576421494853628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115576421494853628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115576421494853628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115576421494853628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115576421494853628' title='O Brooklyn Museum'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115480067086644314</id><published>2006-08-05T14:55:00.000-03:00</published><updated>2006-08-17T13:20:01.306-03:00</updated><title type='text'>A new CD by Henri Salvador</title><content type='html'>&lt;strong&gt;The French-Brazilian composer will release a new CD&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henri Salvador was born in French Guyana but made all his career in France. Recently he recorded two CDs, &lt;em&gt;Chambre avec vue&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Ma chère et tendre&lt;/em&gt;, with great success (many of his records are available at &lt;a href="http://www.amazon.com/s.html/ref=br_ss_hs/103-0283741-6547013?platform=gurupa&amp;url=index%3Dblended&amp;keywords=henri+salvador&amp;Go.x=10&amp;Go.y=11"&gt;Amazon.com&lt;/a&gt;). One of his many beautiful songs, &lt;em&gt;Dans mon îsle&lt;/em&gt;, was recorded in 1981 by Caetano Veloso, the great Brazilian &lt;em&gt;chanssonier&lt;/em&gt;, just to become an instant hit. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henri Salvador, now 89 years-old, is finishing recording a new CD, produced and arranged by the great Brazilian musician Jaques Morelenbaum, who has already worked with Tom Jobim, Caetano Veloso and Ryichi Sakamoto. The CD will bring a fresh version of &lt;em&gt;Dans mon îsle&lt;/em&gt;, chanted by Henri Salvador himself. It will also feature Caetano Veloso and Gilberto Gil. What follows is an English translation for the song (which I have also translated to Portuguese; see below).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;In my Island&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(M. Pon – H. Salvador)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In my island&lt;br /&gt;Oh, it’s so cool&lt;br /&gt;In my island&lt;br /&gt;There’s nothing to do&lt;br /&gt;But to lay on the beach&lt;br /&gt;And be caressed by the sun&lt;br /&gt;With laziness&lt;br /&gt;And don’t care about a thing&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On my island&lt;br /&gt;Oh, it's so good&lt;br /&gt;It's very peaceful&lt;br /&gt;Close to my Doudou&lt;br /&gt;Under the big coconut trees&lt;br /&gt;That swing&lt;br /&gt;We dream of us&lt;br /&gt;In silence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On my island&lt;br /&gt;A perfume of love&lt;br /&gt;Secretly finds its way at sunset&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And she gives me her sweet arms&lt;br /&gt;Sweet and fragile&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Among her beauties&lt;br /&gt;Her bright eyes &lt;br /&gt;And brown hair&lt;br /&gt;Scattered over the thin sand&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And we play of Adam and Eve&lt;br /&gt;An easy game&lt;br /&gt;That makes us so pleased&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Because my island&lt;br /&gt;Is the paradise&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115480067086644314?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115480067086644314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115480067086644314&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115480067086644314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115480067086644314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115480067086644314' title='A new CD by Henri Salvador'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115453250783384005</id><published>2006-08-02T12:04:00.000-03:00</published><updated>2006-08-17T12:40:50.800-03:00</updated><title type='text'>Na minha ilha</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma versão para &lt;em&gt;Dans mon île&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma versão bastante livre para &lt;em&gt;Dans mon île&lt;/em&gt;, canção de Henri Salvador gravada por Caetano Veloso no início dos anos 80. O franco-brasileiro Henri Salvador, nascido na Guiana Francesa, que está com 89 anos, está gravando um novo CD produzido por Jaques Morelenbaum. &lt;em&gt;Dans mon île&lt;/em&gt;, que é de 1957, está ganhando nova versão cantada pelo próprio compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na minha ilha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(M. Pon / H. Salvador)&lt;br /&gt;(Versão de Caio Túlio Perônio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha ilha&lt;br /&gt;Ah, como é bom&lt;br /&gt;Na minha ilha&lt;br /&gt;A gente se doura ao sol&lt;br /&gt;Que nos acaricia&lt;br /&gt;E a preguiça&lt;br /&gt;Fica pra depois ...&lt;br /&gt;Na minha ilha&lt;br /&gt;Ah, como é doce&lt;br /&gt;Fico em paz&lt;br /&gt;Perto do meu amor&lt;br /&gt;Sob os coqueiros&lt;br /&gt;Que balançam&lt;br /&gt;A gente sonha &lt;br /&gt;Sonha em silêncio &lt;br /&gt;Na minha ilha&lt;br /&gt;Um perfume de amor&lt;br /&gt;Se insinua&lt;br /&gt;Ao pôr do sol&lt;br /&gt;E ela me estende seus braços dóceis&lt;br /&gt;Doces e frágeis&lt;br /&gt;Ela é demais&lt;br /&gt;Seus olhos brilham&lt;br /&gt;E os cabelos castanhos&lt;br /&gt;Se espalham&lt;br /&gt;Pela areia fina&lt;br /&gt;E brincamos de Adão e Eva&lt;br /&gt;Jogo fácil&lt;br /&gt;Que nos deixa meio ...  &lt;br /&gt;Sei lá&lt;br /&gt;Pois minha ilha&lt;br /&gt;É o paraíso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115453250783384005?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115453250783384005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115453250783384005&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115453250783384005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115453250783384005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_08_01_archive.html#115453250783384005' title='Na minha ilha'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115436182227935398</id><published>2006-07-31T12:56:00.000-03:00</published><updated>2006-07-31T17:47:32.160-03:00</updated><title type='text'>O blog dos chefes</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Presidentes de grandes corporações como Sun, IBM e General Motors já aderiram à nova mídia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande lance de 1448 foi uma tecnologia chamada ‘tipo móvel’ inventada por Johannes Gutenberg. Cinco séculos depois, o grande lance de 2001 foi o primeiro software de blog, o &lt;a href="http://www.sixapart.com/movabletype/"&gt;Movable Type&lt;/a&gt;, ainda hoje o mais usado pelos blogueiros profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas invenções foram igualmente revolucionárias. Quem diz é a &lt;strong&gt;Economist&lt;/strong&gt;, a revista mais influente de economia e negócios do mundo no caderno especial &lt;a href="http://www.economist.com/surveys/showsurvey.cfm?issue=20060422"&gt;A Survey of New Media&lt;/a&gt;. “O  blog”, diz a revista, “talvez marque o início da transição para uma nova era: a era da mídia pessoal ou participativa”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog é resultado de uma revolução dentro da revolução: nasceu do crescimento da internet de banda larga, que tornou mais fácil ‘carregar’ a rede (ou fazer o upload). Com isso, as pessoas passaram a criar conteúdo ao invés de apenas visitar sites com as quais não podem interagir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pesquisa recente revelou que 57% dos adolescentes americanos criam conteúdo para a rede, de texto a fotos, passando por música e vídeo. Isto mostra que as pessoas não se contentam mais em consumir mídia - querem participar dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o tipo móvel de Gutenberg, as conseqüências da nova revolução serão sentidas gradualmente, a longo prazo. A nova mídia participativa, diz David Sifry, fundador da &lt;a href="http://technorati.com/"&gt;Technorati&lt;/a&gt;, um mecanismo de busca de blogs, fez as fronteiras entre autores e audiência mais fluidas. O formato tradicional da palestra, ‘um-para-muitos’, torna-se mais uma conversação entre uma comunidade de iguais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das pessoas não se dá conta de como é revolucionária esta mudança, diz David Weinberger, do &lt;a href="http://cyber.law.harvard.edu/home/"&gt;Berkman Center for Internet and Society&lt;/a&gt; da Universidade de Harvard. “Transformar instituições em conversação é altamente revolucionário. Instituições são fechadas, pressupõe uma hierarquia, e dificilmente assumem o fato de que são falíveis. Conversas, por outro lado, são abertas, assumem a eqüidade entre as partes, e aceitam que cometem erros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o blog está chegando às empresas. “Quer falar com o presidente da sua empresa?”, pergunta a revista &lt;a href="http://www.info.abril.com.br"&gt;Info&lt;/a&gt; de julho. “Abra o browser e acesse o blog dele”. Segundo a revista, o presidente de um banco estrangeiro instalado há poucos anos no Brasil fez isso em abril. Só no primeiro 'post', dando boas vindas aos funcionários, recebeu 400 comentários. CEOs de empresas como &lt;a href="http://blogs.sun.com/jonathan"&gt;Sun&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.sutor.com/newsite/blog-open"&gt;IBM&lt;/a&gt;, e &lt;a href="http://fastlane.gmblogs.com"&gt;General Motors&lt;/a&gt; já adotaram blogs para se comunicar de forma direta e interativa com funcionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as que mais usam a nova mídia estão, como não poderia deixar de ser, as empresas de telecomunicações, entre elas a Nokia, uma das mais inovadoras empresas de tecnologia do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é exatamente um blog, e afinal e porque ele é diferente de tudo o que você já viu na internet? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não perca o próximo capítulo. Ou para usar a linguagem dos blogueiros, o próximo post.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115436182227935398?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115436182227935398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115436182227935398&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115436182227935398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115436182227935398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_07_01_archive.html#115436182227935398' title='O blog dos chefes'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115280313080505380</id><published>2006-07-13T11:50:00.000-03:00</published><updated>2006-07-14T11:09:01.423-03:00</updated><title type='text'>Esqueça o CD</title><content type='html'>Uma coisa boa de se fazer quando se viaja é ouvir rádio. Em Nova York ouvi um programa sensacional: a Filarmônica de Nova York tocando ao vivo trilhas sonoras de Bernard Herrmann e John Williams para filmes de Alfred Hitchcock e Steven Spielberg. Narração de Martin Scorcese e do próprio Spielberg. Um programinha pra ninguém botar defeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem transmite toda semana os concertos da Filarmônica de Nova York é a WFMT (www.wfmt.com), uma rádio que resolveu aproveitar o renascimento deste meio de comunicação, causado, em parte, pelo sucesso das rádios satélite no Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais curioso é que os concertos da Filarmônica de NY estão fazendo muito sucesso também sabe onde? No iTunes, o serviço de música online da Apple. Os concertos da orquestra são gravados pela Deutsche Grammophone, editados e vendidos em CD. Mas o CD parece ser uma mídia alternativa, para o pessoal da velha guarda: o maior sucesso mesmo é o download digital no iTunes, onde os programas também são 'disponibilizados', para abusar mais uma vez do inevitável chavão. E os concertos da orquestra estiveram na lista dos programas mais baixados no começo do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O download digital parece, portanto, que vai se tornando rapidamente o principal meio de comercialização de música, seja clássica ou popular. Para a indústria, significa uma solução nada mal: você fica só com a parte legal da coisa, a produção musical propriamente dita. E depois coloca os arquivos na internet. E esquece toda aquela parte chata: prensar as bolachinhas, as capas, colocar tudo dentro das caixinhas (sem esquecer da capinha de celofane), despachar para as lojas e, last but not least, correr o risco de amargar um tremendo mico porque o que o produtor achou que ia pegar não colou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o download digital, baixa quem quiser, quando quiser, paga por download, e se for sucesso, valeu. Se não for sucesso, o produtor não amarga aquele milhão de discos plásticos sem nenhum outro uso a não ser, talvez, como bolacha de chopp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, ao que tudo indica, pode começar a se despedir do CD: os seus dias estão contados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115280313080505380?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115280313080505380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115280313080505380&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115280313080505380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115280313080505380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_07_01_archive.html#115280313080505380' title='Esqueça o CD'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115163052690938163</id><published>2006-06-29T22:18:00.000-03:00</published><updated>2006-07-07T13:45:21.636-03:00</updated><title type='text'>A França não é um país sério</title><content type='html'>&lt;strong&gt;França e Brasil têm mais coisas em comum do que supõem os enciclopedistas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou para a história como sendo do general Charles de Gaulle a célebre (e tão repetida) frase ‘o Brasil não é um país sério’. Pois a &lt;a href="http://www.wikipedia.org"&gt;Wikipédia&lt;/a&gt;, a enciclopédia livre da internet, agora afirma que quem falou isso na verdade não foi o irrascível presidente francês, mas sim o então embaixador brasileiro Carlos Alves de Souza. O verbete esclarecendo tudo parece ter sido escrito por alguém muito por dentro da história, provavelmente o próprio Luiz Edgar de Andrade, correspondente do 'Jornal do Brasil' em Paris na época, e citado como o jornalista que ouviu a frase do embaixador brasileiro. Esta é a grande vantagem da Wikipédia: todo mundo colabora, não é escrita apenas por uma meia dúzia de enciclopedistas iluminados (ou iluministas?). (Veja o &lt;a href="http://pt.wikiquote.org/wiki/Charles_de_Gaulle"&gt;verbete&lt;/a&gt; de citações do general francês). Pra quem não se lembra, Luiz Edgar de Andrade foi um grande repórter, e que durante muito tempo publicou uma coluna no 'Pasquim' chamada 'Um pau-de-arara ao redor do mundo', onde o jornalista nascido no Ceará contava suas aventuras como correspondente estrangeiro. Aliás, por onde andará o Luiz Edgar de Andrade? Cartas para a redação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, depois de passar uns dias em Paris cheguei à conclusão de que a França também não é um país sério. Vejam só: em menos de uma semana peguei três grandes festas. Primeiro, a festa da música, que acontece todo ano, no dia 21 de junho: é um dia inteiro em que Paris é tomada por conjuntos, bandas e grupos tocando os mais diversos gêneros, do jazz ao rock, passando pelo clássico e pelo reggae, em um evento promovido pela prefeitura, e que tem a adesão entusiástica da população. Você dobra uma esquina, tem uma banda tocando Pink Floyd ou Deep Purple; vira a esquerda e tem uns malucos de pijama tocando jazz; ali na frente tem uma galera de trancinha no cabelo tocando reggae e fumando uns cigarros estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que, apesar de todo nacionalismo francês, predomina a música americana: muito rock, pop e jazz. Vale lembrar que os franceses são fanáticos por jazz e gente como Miles Davis, Chet Baker e Dexter Gordon fizeram parte de suas carreiras na França. Há pelos menos duas ótimas rádios de jazz em Paris transmitindo em FM: a &lt;a href="http://www.radiofrance.fr/chaines/fip/accueil/"&gt;FIP&lt;/a&gt; (105,5 MHz) e a &lt;a href="http://www.tsfjazz.com"&gt;TSF&lt;/a&gt; (89,9 MHz). "Tout le jazz, tout les emotions", é o sugestivo bordão da TSF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois peguei a Parada gay de Paris (leia abaixo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente, a festa da vitória da seleção francesa. Era mais ou menos 11 da noite quando o jogo acabou. Até então Paris parecia São Paulo ou Rio em dia de jogo da seleção: pouquíssima gente na rua. A maioria vendo os jogos nos telões instalados em tudo quanto é café. Inclusive este que vos fala, que acompanhava tudo em um delicioso bistrô, perto da Bastilha. Há muitos restaurantes e bares na região, inclusive o Area, muito frequentado por brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o jogo acabou, a multidão enlouqueceu, e como acontece nestas ocasiões, tomaram a Bastilha. Alguns chegaram a invadir o famoso monumento, pulando a grade. A polícia chegou em minutos e quando parecia que ia dar confusão, foram embora: acho que perceberam que não ia adiantar; milhares de pessoas já tinham tomado o monumento e o largo, uma das vias mais importantes da cidade, virtualmente parando o trânsito, para desespero dos motoristas desavisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais divertido é que nessas ocasiões históricas sempre tem um casal se beijando romanticamente, como nos filmes. A multidão grita ‘Zizu, Zizu’, o apelido carinhoso de Zidane, o grande herói da partida. No metrô, dois franceses fazem o que parece ter se tornado a brincadeira favorita do momento: um imita uma tourada e o outro um galo, o símbolo da seleção francesa, zombando dos espanhóis. Aplausos da platéia improvisada na plataforma do outro lado dos trilhos. Senegaleses entusiasmados, com a camiseta azul e branca, entram no vagão do metrô gritando ‘vive la France’, ‘vive Senegal’, para felicidade geral da galera. Muita gente cantando ‘A marselhesa’. Enfim, Paris foi tomada por um carnaval, o terceiro em menos de uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a França é parecida com o Brasil também por outro motivo: o ridículo dos seus políticos. O presidente Jacques Chirac apareceu na TV na terça-feira para apoiar mais uma vez o desmoralizado primeiro-ministro Dominique de Villepin. Foi ridicularizado por toda a imprensa, do Le Monde, ao Le Figaro, passando pelo Libération. Para muitos, já está mais do que na hora de Chirac pendurar as chuteiras. Aos 73 anos, em seu segundo mandato, Chirac vive um clima de ‘fin de règne’, e vem colecionando derrota sobre derrota: em maio de 2005 perdeu o plebiscito sobre a constituição européia, e teve de demitir o premiê Jean-Pierre Raffarin. Depois perdeu os jogos olímpicos de 2012 para Londres, enfrentou um levante nos subúrbios pobres a leste e ao sul de Paris, e a humilhante derrota da lei do emprego. Finalmente, veio o escândalo Airbus, cujo presidente da empresa vendeu ações na véspera de anunciar o atraso na produção do novo super-jumbo A380, o que fez as ações da companhia desabar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a França não é um país sério. E pensando bem, tem muita coisa em comum com o Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115163052690938163?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115163052690938163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115163052690938163&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115163052690938163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115163052690938163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#115163052690938163' title='A França não é um país sério'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-115006700410988864</id><published>2006-06-11T19:55:00.000-03:00</published><updated>2006-06-13T10:20:38.363-03:00</updated><title type='text'>Vendo a copa em Salem, Massachusetts</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nosso repórter conseguiu assistir ao segundo tempo de Irã e México no bar do hotel. Mas não foi fácil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SALEM, MASSACHUSETTS, 11 de junho de 2006. Antes que alguém pense que vim pra cá com objetivos puramente consumistas, gostaria de esclarecer que o propósito da minha viagem é antes de tudo cultural: saber como é assistir a copa do mundo de um lugar bem diferente. Como, digamos, Salem, Massachusetts. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto em Nova York há bastante gente interessada nos jogos, em Salem, no coração da Nova Inglaterra, não é bem assim. Nova York é tão diversa do ponto de vista cultural e étnico que sempre tem algum café peruano, italiano ou thai onde a TV está mostrando jogo. Já aqui em Salem a TV do bar do hotel só fica no basebol. Hoje no almoço peguei Irã e México pela metade e quis saber como andava a coisa. “Tá bom o jogo?”, perguntei ao gerente. “Não vejo isso”, foi a sua displicente resposta, como se tratasse não de uma copa do mundo, mas de uma final do campeonato goiano. Ainda por cima, a TV estava sem som. Percebi que o momento era grave. Tinha que agir rápido. Protestei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente o destino veio em minha ajuda. Um garçom mexicano apoiou e aumentamos o volume. Foi bem no momento em que o México virou o jogo, fazendo dois gols. Mas foi só acabar os 90 minutos e a TV voltou para o basebol. Reclamei de novo: será que não teríamos direito sequer aos melhores momentos da partida? Reprise dos gols? Comentários da Soninha? Pano verde? Nada. Direto para o basebol, esporte que jamais entendi: parece que tem mais ensebação que jogo propriamente dito. Eles ficam ali, ensaiado, ensaiando, a bola rola mesmo no máximo uns 5 minutos. E o lance mais emocionante é... quando a bola sai. Aí todo mundo fica ‘nuts’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, o Financial Times da semana passada trouxe um guia sobre como os chefes devem lidar com os subordinados durante a copa. Vale lembrar que o venerável jornal é publicado na Inglaterra, país onde as pessoas são normais, isto é, loucas por futebol. Segundo o jornal não vai adiantar proibir levar TV para o escritório. Esta é a primeira copa que está sendo integralmente transmitida através de streaming video na internet. Portanto, a maioria dos funcionários vai estar com os olhos grudados no computador, fingindo que está trabalhando. O colunista Jonathan Guthrie cita Roger Mosey, o diretor da esportes da BBC, para quem vai ser possível 'trabalhar e assistir ao mesmo tempo os passes da seleção alemã'. O colunista ironiza: 'Mr Mosey pode se submeter a uma equipe de neurocirurgiões cujos monitores estejam transmitindo cada lance de Estados Unidos e Tchecoslováquia. Eu não'. Em tempo: o artigo foi publicado antes do jogo em que EUA foram surrados pelos tchecos. Comentário da versão americana do Galvão Bueno na CBS News: 'Os americanos jamais vão se recuperar desta derrota'. Depois eu conto mais, inclusive como o jogo foi visto no Quincy Market, em Boston. Ou melhor, como não foi visto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-115006700410988864?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/115006700410988864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=115006700410988864&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115006700410988864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/115006700410988864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#115006700410988864' title='Vendo a copa em Salem, Massachusetts'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-114981355652914803</id><published>2006-06-08T21:31:00.000-03:00</published><updated>2006-06-09T03:08:21.523-03:00</updated><title type='text'>Um negócio de 499 dólares</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nosso repórter envia de Nova York a primeira de uma série de reportagens&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOVA YORK&lt;/strong&gt;, 8 de junho de 2006 - A razão da minha vinda à Nova York é que resolvi comprar uma câmera digital nova para o meu FotoBlog. Era tempo: minha velha e surrada Sony P50 (dois megapixels) já deu o que tinha que dar. Pesquisando preços na internet descobri que a Sony W7 está por 250 dólares aqui nos Estados Unidos. Enquanto no Brasil... bem, achei por até 2 mil reais. Pensei que valia mais a pena vir pra cá, visitar minha amiga Gláucia, comprar a tal da W7, e aproveitar para rever amigos e a cidade onde morei dois anos, entre 1989 e 1991.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei hoje de manhã e fui logo comprando as coisas básicas. Primeiro, um guarda-chuva, já que o tempo está horrível. Depois, um novo cartão SIM para o meu celular GSM virar um pré-pago local. Então descubro que a TIM (também conhecida como &lt;em&gt;ti-enganei&lt;/em&gt;) simplesmente 'trava' os aparelhos habilitados no Brasil, impedindo assim de usá-lo em outros países localmente, que é a grande vantagem do sistema GSM. Com o celular travado da TIM você tem de usar o caríssimo roaming internacional se quiser falar com o vizinho da esquina. Mas Dona Sima, a indiana da &lt;em&gt;Wireless Shop&lt;/em&gt;, na Segunda Avenida com a 90, disse que ia dar um jeito. Deixei o meu com ela, e peguei um &lt;em&gt;T-Mobile &lt;/em&gt; emprestado (é uma das operadoras GSM dos Estados Unidos). “Vou ter que fazer algumas mudanças no software”, disse Dona Sima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui então atrás da tal da W7. Tanto na &lt;em&gt;Circuit City&lt;/em&gt; como na &lt;em&gt;Best Buy&lt;/em&gt;, duas mega cadeias de eletrônicos, sou informado que a W7 agora está em 'backlog'; quer dizer, só por encomenda. O fato é que a Sony não está dando conta da demanda; é preciso encomendar e aguardar pelos menos dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fui a &lt;em&gt;B&amp;H&lt;/em&gt;, a sucessora da antiga &lt;em&gt;47th Photo&lt;/em&gt;, a melhor loja de equipamento fotográfico de Nova York, aquela famosa dos judeus ortodoxos. Nada da W7. Que fazer, como diria Lênin. Há tantas alternativas hoje em dia que é difícil escolher. Felizmente, nós, brasileiros, temos uma vantagem: como o limite da alfândega é 500 dólares, já é um parâmetro. Enquanto nossas autoridades se preocupam com o problema de controlar os brasileiros para que não gastem mais do que 500 dólares em eletrônicos no exterior, empresas como a Sony estão aproveitando a febre das câmeras digitais e não dão conta da demanda de um modelo que já tem alguns anos. E vão espalhando fábricas por dezenas de países do Sudeste Asiático. Minha antiga P50 foi fabricada na Tailândia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que há agora uma nova categoria de câmeras, intermediárias entre os modelos amadores (como a W7) e as SLR, as Single Lens Reflex, os modelos digitais que substituiram as Nikons e Pentax 35 milímetros de antigamente. As SLR digitais estavam custando bem mais de mil dólares, mas recentemente o preço começou a cair. Mas ainda não chegou aos 500 dólares, que é o máximo de tecnologia que um brasileiro comum pode ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a nova categoria intermediária (que vem sendo chamada de &lt;em&gt;superzoom&lt;/em&gt;) está justamente na faixa dos 500 dólares. Elas têm uma série de recursos profissionais, boas lentes, 7 megapixels de definição, e um preço razoável. Li uma ótima resenha na revista &lt;em&gt;Photography &lt;/em&gt;sobre a recém-lançada Sony H5 e descubro que está por 499 dólares na &lt;em&gt;Circuit City&lt;/em&gt; (estava esgotada na &lt;em&gt;B&amp;H&lt;/em&gt;). Amanhã, depois de pegar meu celular devidamente destravado, vou na &lt;em&gt;Circuit City&lt;/em&gt; buscar minha H5. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, claro, vou guardar a nota fiscal com todo o respeito, para provar para as autoridades alfandegárias que sou um brasileiro zeloso do bom cumprimento da lei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-114981355652914803?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/114981355652914803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=114981355652914803&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114981355652914803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114981355652914803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#114981355652914803' title='Um negócio de 499 dólares'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-114963724880480816</id><published>2006-06-06T20:19:00.000-03:00</published><updated>2006-06-06T20:40:48.826-03:00</updated><title type='text'>Encontros e desencontros</title><content type='html'>Existe alguma coisa mais intrinsecamente moderna do que um aeroporto? Pense no seu aeroporto preferido. Uma infinidade de sistemas tecnológicos funcionam ao mesmo tempo, 24 horas por dia: balcão de check in, cartão de embarque, segurança, vigilância eletrônica, sistemas de indexação, bancos de dados etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, o aeroporto é um ícone de sociedade moderna e tecnológica. Quem diz é Thomas Misa, do MIT, em um livro muito bom chamado &lt;em&gt;Tecnologia e modernidade&lt;/em&gt;. Misa, um pensador interessado no impacto da tecnologia na sociedade contemporânea, lembra ainda outros componentes importantes e característios da moderidade que reinam nestes lugares: placas em inglês, alto grau de consiência do tempo, padrões globais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conscientes de como o avião tornou-se um ícone da modernidade, os futuristas italianos, estes precursores do modernismo estético, falavam em "estes maravilhosos aviões que furam o céu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aeroporto também pode ser pensado como um processo de produção altamente moderno onde, de um lado, entram passageiros, comida, bebidas, combustivel. Do outro, saem lixo, restos do lavatório... E claro, poluição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes reflexões me vêm agora, em pleno Aeroporto de Guarulhos, onde batuco estas mal traçadas linhas antes de embarcar para Nova York, de onde estarei atualizando este blog na próxima semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que se pode fazer nos aeroportos atualmente é consultar a internet, e até atualizar um blog. Dá um pouco mais de sentido àqueles momentos indefiníveis de espera de um vôo, quando nos sentimos sozinhos e desolados como Bill Murhay em &lt;em&gt;Encontros e desencontros&lt;/em&gt;, o genial filme de Sofia Copola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como símbolo da modernidade, o aeroporto nos faz sentir como seres anônimos nessa profusão de padrões globais, impessoais, altamente racionais (e atualmete um pouco paranóicos) que imperam nesses lugares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que foge do padrão global, e dá um tom prosaico à cena, é um paraguaio aqui atrás de mim, que berrando no microfone do skype, está fazendo toda a confirmação de sua viagem, em alto e bom espanhol, pra todo mundo ouvir. Pelo jeito, ele vai dar a volta ao mundo. Se não fosse por nós, latino-americanos, a modernidade seria muito monótona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-114963724880480816?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/114963724880480816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=114963724880480816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114963724880480816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114963724880480816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#114963724880480816' title='Encontros e desencontros'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-114928899192383680</id><published>2006-06-02T19:50:00.000-03:00</published><updated>2006-06-03T00:38:32.663-03:00</updated><title type='text'>Depois daquele beijo</title><content type='html'>Pode ser que eu tenha assistido demais &lt;strong&gt;Depois daquele beijo&lt;/strong&gt;, o título besta que mereceu por aqui &lt;strong&gt;Blow-Up&lt;/strong&gt;, o filme de Michelangelo Antonioni de 1966. Revi recentemente em DVD, e ainda ‘impressiona’, como diz o lugar comum usado e abusado pela mídia. (Fala sério: depois do valerioduto, mensalão, do caso Suzane von Richthofen e dos famigerados irmãos Cravinhos, ainda tem alguma coisa que impressiona? Não seria a hora de passarmos para, sei lá, &lt;em&gt;expressiona&lt;/em&gt;)? Checando na internet, lembro que é baseado em um conto do Julio Cortázar. Segundo o site do IMDB, o conto &lt;em&gt;Las babas del diablo&lt;/em&gt;. Mas de qual livro? Não achei em nenhum dos que tenho do venerável escritor argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é sobre um fotógrafo bem sucedido e meio sádico, chamado Thomas (interpretado pelo já falecido David Hemmings). Ele resolve fazer umas fotos em um parque de Londres quando por acaso acaba flagrando um casal se beijando (as famosas cenas foram rodadas no Maryon Park, e não em Hampstead Heat, como reza a lenda). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fotógrafo, como todo personagem de Antonioni, é um outsider, um anarquista que usa a câmera como uma espécie de arma pra praticar, vamos dizer, uma inútil subversão do mundo lá fora. Maltrata as modelos (as então famosérrimas Twiggy e Veruschka), e usa a câmera como se fosse, bem, lá vai mais lugar comum, símbolo fálico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fotografar o casal se beijando, Thomas invade, digamos assim, a intimidade da moça (Vanessa Redgrave). Hoje daria processo por assédio. Na época, foi um escândalo, criticadíssimo pela esquerda, para quem tudo não passava de existencialismo pequeno burguês. Ficou sendo a obra mais famosa do diretor italiano, mesmo que depois tenha feito obras primas como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Profissão repórter&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de 1975, com Jack Nicholson e Maria Schneider. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ampliar e ver os detalhes com uma lupa, Thomas descobre que houve um crime atrás do casal que ele estava fotografando. Ao revê-lo hoje é curioso notar como as Nikons e Hasselblads, muito modernas para os anos 60, ficaram obsoletas: tudo substituído por câmera digital, Photoshop, computador, FotoBlog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não sei se me deixei influenciar (vi tantas vezes, a primeira, ainda adolescente, no Bijou; curioso notar também como era ruim a projeção; &lt;strong&gt;Blow-Up&lt;/strong&gt;, pasmem, é colorido!), mas desde que comecei a andar com a câmera digital, não consigo mais passar na frente de um parque sem fotografar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último foi o Parque Modernista, na Vila Mariana: quando vi, já estava lá, fotografando. A casa modernista, esta sim, expressiona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-114928899192383680?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/114928899192383680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=114928899192383680&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114928899192383680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114928899192383680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#114928899192383680' title='Depois daquele beijo'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-114913264164564675</id><published>2006-06-01T00:23:00.000-03:00</published><updated>2006-06-03T00:26:30.256-03:00</updated><title type='text'>A casa sem cor de Gregori Warchavchik</title><content type='html'>A casa sem cor de Gregori Warchavchik, por exemplo, expressiona. Pelo abandono, pelas ruínas em que deixaram se transformar um marco da arquitetura. Desde sempre ouço falar na casa modernista do famoso arquiteto nascido em Odessa, na Ucrânia, em 1896, e que foi responsável por vários projetos importantes. Entre eles as sedes dos clubes Paulistano, Pinheiros, Hebraica e Tietê, em São Paulo, do Iate Clube em Santos, e muitos outros. E principalmente, a sua célebre casa modernista, onde morou com a mulher, Mina Klabin. Como paulistano típico, nunca tinha ido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, em uma tarde de maio, fui conhecer. Como o fotógrafo de Antonioni, sempre armado com a minha câmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Warchavchik morreu em 1972, e desde então a casa está ao deus dará. Só sobrou o fantástico jardim que cerca a residência, que foi parcialmente restaurado. A casa está detonada, fechada para reforma, cercada de tapume por tudo quanto é lado. Mal dá pra ver a piscina, através de uma janela aberta na madeira. Mais precário que o zoológico de Niterói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer país menos dado ao desperdício, estaria lotado de turistas comparecendo firmes na bilheteria. Aqui, claro, estava ameaçado de virar shopping, quando foi tombado em 2004 pelo governo do Estado de São Paulo. Virou o Parque Modernista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jardim em volta da casa 'impressiona' com sua atmosfera e áura misteriosa. Mas a casa em si continua aguardando uma boa alma empresarial para ser restaurada. Lugar ideal para um fotógrafo existencialista passear (e fazer fotos...) Mas pensa que tinha muita gente? Meio deserto, a não ser por uma galera jovem, que ensaiava com uma filmadora digital. (Entre eles, a garota loira que aparece nas fotos). Talvez algum candidato a Antonioni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo, o estado tem suas prioridades: saúde, educação, segurança. (Aliás, deu pra ver o quanto tem sido investido em segurança ultimamente...) Mas e a iniciativa privada? O Instituto Moreira Sales, por exemplo, transformou a antiga casa da família, no bairro da Gávea, no Rio, em centro cultural. Fica lotado. Por que alguma empresa não investe na casa modernista de Warchavchik através das leis de incentivo fiscal? É retorno garantido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Natal do ano passado vi uma empresa de cartão de crédito fazendo um marketing pra lá de ridículo: botaram umas modelos passeando por aí, com sacolas de compra com o logo da empresa penduradas no ombro. Pareciam uns outdoors ambulantes. Por que não bancar a restauração da casa expressionista? Digo, modernista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://Spaces.msn.com/caiotulio"&gt;&lt;strong&gt;Veja as fotos do Parque Modernista&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-114913264164564675?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/114913264164564675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=114913264164564675&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114913264164564675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114913264164564675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_06_01_archive.html#114913264164564675' title='A casa sem cor de Gregori Warchavchik'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-114891983025419776</id><published>2006-05-29T13:18:00.000-03:00</published><updated>2006-06-03T00:40:09.150-03:00</updated><title type='text'>Hoje tem circo? Tem, sim senhor!</title><content type='html'>Circo: tem coisa mais legal? O Circo-Escola Picadeiro deu uma canja na Praça das Jabuticabas, durante a Virada Cultural promovida pela prefeitura (&lt;a href="http://spaces.msn.com/jabuticabas"&gt;veja as fotos&lt;/a&gt;). A Nossa Praça das Jabuticabas é um projeto muito interessante cujo objetivo é revitalizar uma praça do bairro da Aclimação, que estava abandonada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta praça tem uma história curiosa: durante décadas foi a garagem da CMTC onde ficavam estacionados os trolebus da tradicional linha Cardoso de Almeida - Machado de Assis, que circula ainda hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1619/2987/1600/circo%20065.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1619/2987/200/circo%20065.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 90 a garagem foi demolida e no lugar erguida uma praça, que ficou meio largada. No ano passado, o instituto A Casa, uma ONG ligada à saúde mental e psicossocial que funciona perto da praça, resolveu ‘adotá-la’. Hoje acontecem atividades durante os fins de semana, tais como oficinas de arte, capoeira, música e teatro para as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de semana retrasado a praça foi incluída pela primeira vez na Virada Cultural, com apoio da subprefeitura da Vila Mariana, e recebeu o Circo-Escola Picadeiro, uma galera da pesada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí um bom exemplo de cidadania participativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;a href="http://spaces.msn.com/jabuticabas"&gt;&lt;strong&gt;Veja as fotos do domingo de circo na Praça das Jabuticabas&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-114891983025419776?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/114891983025419776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=114891983025419776&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114891983025419776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114891983025419776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_05_01_archive.html#114891983025419776' title='Hoje tem circo? Tem, sim senhor!'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28225879.post-114807341005187707</id><published>2006-05-19T18:04:00.000-03:00</published><updated>2006-05-28T01:23:07.796-03:00</updated><title type='text'>Na frente de batalha</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Repórter penetra em área de segurança do quartel-general de organização criminosa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fui enviado ao Shopping Iguatemi, notório ponto de encontro da perigosa facção criminosa conhecida como 'minoria branca', depois que o governador Cláudio Lembo encontrou os culpados pela violência em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes porém, zeloso dos meus deveres de bem informar ao público, fui na Internet conferir. No &lt;a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/populacao/tabela_brasil.shtm?c=1"&gt;IBGE teen&lt;/a&gt;, o site educacional do IBGE destinado aos adolescentes, descobri que o governador cometeu uma imprecisão (um lapso gramatical, talvez): na verdade a 'minoria branca' é 52% da população brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfeito o mal entendido, fui ao Shopping Iguatemi fazer compras para passar por um típico consumidor da 'minoria branca': um bloco de notas e uma caneta na papelaria &lt;strong&gt;Info-Paper &amp; Co&lt;/strong&gt;, no piso térreo. E então, usando toda minha experiência de jornalista investigativo, tentei identificar qualquer vestígio de ação criminosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O experiente fotógrafo René Bresson, veterano de muitas coberturas jornalísticas internacionais (e ganhador de um prêmio Ipiranga de fotojornalismo) levou sua câmera-celular disfarçada de sapato e fotografou áreas de segurança máxima, como o estacionamento VIP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudio Lembo havia dito também à &lt;strong&gt;Folha de S. Paulo &lt;/strong&gt;que 'a burguesia terá de abrir a bolsa'. Mas pude constatar que é só isso que eles fazem, governador. É um consumismo só: é um tal de pão de queijo recheado com requeijão e molho de azeitona, empadinha de palmito, tênis Nike, esfiha de carne, de queijo e de espinafre, TV de plasma pra assistir a copa, suco de acerola com laranja, camisa Lacoste, e o diabo a quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E telefone celular, governador, muita gente comprando, trocando, fazendo upgrade para os novos modelos, cada vez mais modernos. Alguns fazem até &lt;em&gt;conference call&lt;/em&gt;. Celular, governador, celular. Caiu a ficha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1619/2987/200/Foto044.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Devido a importância do celular nos últimos acontecimentos, minha primeira suspeita mais séria recaiu sobre a &lt;strong&gt;Boutique dos Eletrônicos&lt;/strong&gt;, no piso inferior, onde há anos compro tudo em matéria de acessórios para o computador. Marcelo, o vendedor, é muito bem informado em matéria de eltrônicos (foto). Se o senhor estiver precisando de um consultor em matéria de celular, governador, é com ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo na minha árdua missão, achei muito suspeito o bebedouro para cachorros no estacionamento VIP. E mais estranho ainda, apesar de lotado de seguranças, o René fotografou a vontade. Fingia que estava falando com alguém ao celular, ou que estava checando torpedos, e fotografava. Parecia o Maxwell Smart, o Agente 86, com a sua câmera disfarçada no sapato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente percebi que tinha muita gente da 'minoria branca' falando ao celular com um ar levemente conspiratório. O que eles estariam tramando? Um café no quiosque do Viena? Um rodízio de pizza no Rascal? Cheesburger no América? Estariam em &lt;em&gt;conference call &lt;/em&gt;com outros shoppings de São Paulo? Aí tem coisa, governador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito matutar cheguei a conclusão de que o líder da facção criminosa só pode ser o Joaquim, da barbearia Ringo, que sempre fala mal do governo quando corta o meu cabelo. Se eu fosse o senhor, governador, mandaria um jatinho da PM para negociar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por via das dúvidas, mandaria bloquear o sinal do celular em todos os shoppings da capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Veja &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://spaces.msn.com/members/rdecol"&gt;&lt;strong&gt;fotos &lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;ultra secretas feitas com celular em áreas de segurança máxima dos Shoppings Iguatemi e Villa Lobos)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28225879-114807341005187707?l=caiotulio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caiotulio.blogspot.com/feeds/114807341005187707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28225879&amp;postID=114807341005187707&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114807341005187707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28225879/posts/default/114807341005187707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caiotulio.blogspot.com/2006_05_01_archive.html#114807341005187707' title='Na frente de batalha'/><author><name>René Decol</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05753940139184343977</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_jGCInxImZmw/SPI9neYyvEI/AAAAAAAAAGc/50QIpyPn4ws/S220/rene_alta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
